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sexta-feira, outubro 30, 2009

Viver é preciso, dirigir não é preciso



Aprendizado que tive na infância, que compartilhei com minha filha e que sempre procuro colocar em prática é: não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você. É tão lógico e natural para mim que tenho a expectativa que todo mundo também pense assim e vá agir assim. E qual a minha surpresa e frustração (e raiva!) quando isso não acontece.

Hoje, atrasada, indo para a aula de ginástica, no movimentado trânsito do Eixo Monumental após o meio-dia, sou surpreendida com um solavanco que arremessa meu carro alguns metros adiante. Foi tudo tão rápido que demorei um tempo para entender. Lembrei dos mandamentos do Código de Trânsito de que não podemos interromper o tráfego de veículo e que, em caso de acidentes, devemos encostar os veículos e tirá-los do fluxo. Foi isso que fiz. Dei seta, fiz sinal para o motorista que bateu na traseira de meu carro e fui encostar ao meio fio. Você encostou? Nem ele (ou ela)! Fez cara de paisagem, arrancou e se mandou. Na confusão não consegui identificar nem veículo, muito menos placa.

Fiquei lá a ver navios e com uma sensação de passar por idiota. Deveria, então, atrapalhar todos atrás de mim, sair do carro rapidamente e ir imediatamente tomar satisfações de quem considerei culpado? Talvez sim.

Na próxima vez, que espero não haja, reverei minha conduta.

sábado, dezembro 29, 2007

Viajando em família

Após muita expectativa, contagem regressiva, chega o grande dia em que eu, meu marido e minhas irmãs, com as respectivas crias, viajaríamos para a casa de nossos pais em Caldas Novas para comemorarmos juntos o Natal, juntamente com o irmão, a cunhada e a filhotinha, que moram em Rio Verde-GO.

O combinado: sairmos às 9h de sábado. Almoçarmos em Caldas Novas. Aproveitarmos o resto do dia.

O ocorrido: é uma longa história. Pegue uma almofada, um copo d'água, uns biscoitos, se quiser continuar a leitura.
Obs.: Tem final feliz e muitas fotos, se servir de estímulo!

Se você ainda está aqui, então vamos lá.

7h. Acordei, desliguei o despertador sem abrir os olhos e continuei a dormir.

Acordei de novo às 8h23 com o chamado telefônico da primeira irmã, interessada em saber como eu estava, porque ela estava estava inerte em sua cama, enquanto a outra já estava histérica tentando arrancá-la quase à força de seu sono encantado. Avisei-a que já tinha alterado os planos. Ela gostou e disse que avisaria à nervosa que poderia seguir viagem sozinha com o filhote, se quisesse.

Levantei às 9. Estimei que estáríamos prontos para sair às 11h. Tudo bem, em vez de almoçar lá, o faríamos na estrada. Seria divertido também.

Às 10h liguei para elas, para avisar em que ponto estava. A ansiosa voltara a dormir e a outra estava levantando.

Às 11h me ligam novamente avisando que o pneu do carro estava furado. E o estepe? O que está furado é o estepe. O outro é o que estava antes e está careca e furado. Como que vocês deixam isso, por que não consertaram logo, blá, blá, blá...
E agora? Como resolver? Tirar o pneu e levá-lo ao borracheiro?... tem a moto, mas tem que ir de duas, o que fazer com as duas crianças?... você pode vir aqui? Até posso, mas ainda vai demorar e acabamos de lembrar do peixe. Teremos que levá-lo para a santa amiga que tomará conta dele por esses dias. Depois ainda temos que passar na farmácia. Vamos demorar a chegar. Tudo bem, vou ver o que faço.

Um santo vizinho aparece na hora. Ajuda a retirar o pneu, a levar no borracheiro, a arrumar e a colocar de volta.

A esta hora (13h), estamos chegando lá. Eu, marido, filha, uma cadela e um carro atolado de coisas, que seriam levadas para a casa da mãe (malas, zilhões de embalagens de encomedas de papai Noel, penteadeira infantil, geladeira de brinquedo, gaiola do periquito que fugiu e outros)ou utilizados na viagem (DVD portátil, livros infantis, travesseiros, 3 cadeirinhas infantis...).

Todos já estão com fome. A cadela tem que fazer xixi. Passeamos com a cachorra, mas ela não quer fazer nada.

Colocamos as crianças no carro (7, 4 e 2 anos), a cadelinha e vamos almoçar. Um lanche rápido, para não enrolar mais. São 13h30. O menino não come pizza, a menina não come sanduíche, eu queria empada, mas ninguém gosta. Vamos ao bom Mc Donalds. Para a filha, um Mc lanche feliz com surpresinha. Para o menino, um hamburger (sem carne, que ele não gosta), para a menina, as batatas do menino. Pegamos todo o lanche, inclusive o do pai e vamos para a loja de empadas, para a mãe satisfazer seu desejo. Pai, mãe, 3 crianças e cachorro. Amarramos a cachorra numa árvore próxima, ela não se conforma e chora o almoço inteiro. Enchemos a mesa de coisas do Mc Donalds, usamos o banheiro e pedimos uma empada, um refri e um suco. Depois resolvemos comprar outras coisas para levar para a viagem, para não ficar tão evidente a cara-de-pau.

Finalmente, às 14h30, partimos. Deus abençoe a nossa viagem. Encontramos mais à frente com as duas irmãs, em outro carro - uma saveiro, em que só cabem duas pessoas (e muuuuita bagagem!).

Quase às 17h, na cidade que marca a metade do caminho, após feita a primeira parada para as crianças irem ao banheiro, notamos a falta do carro das meninas. Paramos e aguardamos. Nada. O telefone toca. Elas ficaram paradas na reta final de Vianópolis. Perguntou se chovia? Que dúvida! O carro deu um estouro e morreu. No meio de uma grande poça d'água.

Após chegarmos ao local, desce a irmã do carro, com o seu guarda-chuva de sapo, para ver o que estava errado. Faz pose para foto, a pedidos.



O marido também vai lá para ajudar. Confabulam.



Descobrem que o distribuidor está encharcado. Tentam secá-lo. Nada.

O marido volta ao carro, para estacioná-lo melhor, após terem empurrado o outro para o acostamento.



Felizmente, porque Murphy dá uma trégua no período natalino, aparecem duas almas caridosas, num carro de serviço de manutenção mecânica. Sim, anjos da guarda existem!



Enquanto isso, as crianças resolvem libertar-se dos cintos de segurança e fazer um lanche.





E a cadelinha, também. Que ninguém é de ferro!



Na pausa para a reposição de energias, os anjos também resolveram dar uma parada e descansar. Aproveitando essa brecha, passa um espírito de porco (sim, eles existem em bandos) que, propositalmente, dá um banho de água suja nos dois (marido e irmãzinha) enquanto arrumam umas coisas no porta-malas do carro. Olhem o resultado, que maravilha! O marido fica muito feliz! A irmã também (embora não apareça)!



O restante da viagem tem que ser feito sem camisa, porque as malas estão no fundo, atrás de todas as encomendas natalinas em seus embrulhos de papel que molhariam na chuva. Ê, Murphy, cadê a nossa folga?!

Os prestativos e eficientes rapazes finalmente fazem o carro funcionar. Após mais duas paradas, chegamos ao nosso destino. Às 20h, para o jantar!

Está inaugurada a temporada de férias da família!!

P.S.: Nos próximos dias, estaremos viajando. Pode ser que o blog entre em recesso. Ou não. Como diria nosso querido Caetano.

quarta-feira, julho 25, 2007

Murphy e eu


Sou uma das muitas pessoas neste planeta cuja vida é regida pela Lei de Murphy.
Meu marido discorda de mim, não gosta quando falo isso. Acha que, acreditando na maior probabilidade do erro, acabo por provocá-lo. Ele não entende a ordem das coisas. Não foi assim que as coisas começaram. Ele não é um dos escolhidos, por isso não consegue compreender.
Tenho muitos exemplos. Vários já esqueci, outros ainda pretendo trazer aqui, o último quero compartilhar agora.
Preliminarmente, é importante registrar que, após uma vasta experiência de intempéries e sofrimentos (que quase sempre acabam bem no final, pelo menos), tenho me cercado de estratégias para evitar os problemas e, depois, não poder culpar a teoria de Murphy.
Há pouco mais de um mês, fomos convidados pelo meu cunhado, para sermos padrinhos de seu casamento. Imediatamente após aceitarmos, dirigi-me a Santa Internet e me assegurei da compra das passagens a valores bem interessantes, pude escolher bem os lugares (para que não viajássemos separados ou do lado do banheiro ou na porta da emergência...), parcelei de tal forma que não ficasse pesado e que não durasse a vida inteira, blá, blá, blá. Alguns dias depois, usando todo o meu conhecimento de planejamento e estratégia, iniciei a busca por um vestido. Encontrei-o numa loja bem legal, onde me serviram champagne e tudo mais. Usei como forma de pagamento a minha primeira folha de cheque "Estilo" do Banco do Brasil - nada mais adequado. Segundo a Fiat, "stilo" é algo que você tem ou não tem. Segundo o BB, o tal atributo não é para todos e eles têm feito muita propaganda alardeando as muitas vantagens de ser um "cliente estilo". Tinha saído do banco dois dias antes - quando levei cópias de todos os meus documentos para "atualizar cadastro" - levando meu talonário chique e me sentindo muito estilosa. Assim também me senti comprando vestido de festa e tomando champagne. Tudo combinando com o meu estilo!
Dois dias após a compra, volto de uma reunião no trabalho e vejo um recado sobre minha mesa dizendo que a gerente do BB tinha ligado às 10h38. Eram 11h10. Retornei a ligação, pensando no que deveria ser. Logo sou comunicada de que eles tinham devolvido um cheque meu (o tal do vestido!!) porque a assinatura estava "com-ple-ta-men-te diferente da do cartão de autógrafo".
Fiz 3 segundos de silêncio.
- Como assim?, devolvido!? Como assim a assinatura está diferente? Essa é a minha assinatura há meses, quiçá há anos!!! Além do mais, eu fui aí na agência há 3 dias atualizar meu cadastro e não me foi pedido para atualizar assinatura!!! Que palhaçada é essa de cliente estilo, então, se vocês não tem a mínima consideração de me contactar antes de devolver um cheque???
- Mas eu tentei contatar, liguei aí e avisei que precisava falar urgente! (mentira, segundo minha colega que anotou o recado)
- Bem, se era urgente, poderia ter ligado no meu celular, cujo número eu te confirmei há 3 dias!! Além do mais, se você tivesse mesmo falado que era urgente, a minha colega sem dúvida teria me avisado onde quer que eu estivesse. Mas e aí? E agora?
- 'Ah, agora não tem jeito, porque o malote saiu às 11h e já foi .....' Nem me lembro para onde, me parecia um lugar muito longínquo, inatingível. Esbravejo um pouco com a criatura, desligo o telefone, sinto o sangue todo no topo da cuca, a vontade de esganá-la aos poucos e penso no grande estilo da inauguração do meu cheque. (Segundo o meu marido, a diferença entre o cheque estilo e os outros é que dos primeiros eles conferem a assinatura! Que saudade do meu cheque ouro sem estilo!!)
Entro na Santa Internet, procuro o telefone da loja, não acho, procuro o telefone do shopping, ligo para descobrir o número da loja, tento falar com a gerente que não está, falo com a vendedora, aviso da situação e que ela pode reapresentar o cheque assim que ele chegar.
Ao meio-dia, saio do trabalho, vou à agência do Banco (feliz da vida!), pego senha, sento, espero, chego ao gerente de relacionamento - que felizmente não era a minha (que corria risco de ser esganada em público!), conto toda a ladainha, dou meus 3 autógrafos e o eficiente funcionário consegue, milagrosamente, após algumas teclas, parar, no sistema, o meu cheque, que volta para ser, justa e finalmente, compensado.
Cumprida essa etapa, levo o vestido, com três semanas de antecedência da viagem - registre-se! - para ser ajustado, pois estava meio largo. Iria buscá-lo no fim-de-semana seguinte, mas como tive que viajar, acabei indo somente duas semanas depois. Tudo bem, pois ainda faltava uma semana - tempo suficiente para lavar e secar. Volto lá nessa costureira que me atende há uns 8 anos, sempre de maneira muito eficiente e com muita qualidade. Desta vez, entretanto, das 5 peças que levei, 4 ficaram erradas (um índice de 80% de erro!!), inclusive e especialmente o vestido. Solicitei, então, que, pelo menos o vestido, fosse consertado com urgência, pois iria viajar, seria madrinha de um casamento, queria lavá-lo, tal, tal, tal.
Volto lá ontem - data marcada, 2 horas após o combinado. Você saiu com o vestido? Nem eu. Ainda estavam trabalhando no dito cujo - única urgência solicitada - e também nas outras 3 peças, cuja prioridade, havia bem salientado, não era necessária. Esperei 15 minutos, em meu horário de expediente, p. da vida, exercitando todo o meu auto-controle, para não ser deselegante. Até que desisti e avisei que voltaria no dia seguinte - hoje. Fui lá. Pegou o vestido? Nem eu. Ficou para amanhã: véspera da viagem!
Vamos ver se haverá vestido novo para o casamento, pois lavado já sabemos que não haverá! Aliás, vamos ver se haverá viagem, pois hoje, em determinado horário da manhã, 84% dos vôos que sairiam de Brasília registravam atraso de mais de uma hora. Vários foram cancelados.
Será que Murphy dará trégua e o meu vôo não será cancelado, nem sofrerá atraso, nem explodirá e as minhas malas chegarão todas e intactas?
Ou isso tudo já é pedir demais?

Observação: Quando estava quase no final desta postagem, apertei alguma tecla que fechou o blog e perdi parte do que não estava salvo. Tive que voltar e reescrever. Coisas de Murphy....