quinta-feira, junho 26, 2008

Pesar


Meu pesar e minha admiração por uma mulher maravilhosa que se foi...



Tantas vezes o tempo é tão pouco para o tanto que há para se fazer!
Tanta gente faz tão pouco com o tanto que tem!
Outras tantas fazem tanto com o pouco que resta!
Que farei eu?
Que estou deixando para trás ou chutando pelo caminho?
Displiscente, distraída, desregrada...
O futuro me cobrará seu preço
O presente é imperdoável
O passado

passou...

sexta-feira, junho 20, 2008

Noite

A noite tem seus mistérios...
O dia tem a vida.
A vida da noite é avessa, diversa, louca,
pulsa prá dentro da gente.



(Foto do Maridão - Viçosa-MG - março/08)

quinta-feira, junho 19, 2008

3 dúzias!



Quando ingressei nos trinta, achei que algo em mim mudaria.

Finalmente me tornaria uma mulher. Pensei na musa inspiradora de Balzaq. Até comprei o livro - Mulher de 30 anos - e coloquei-o em minha cabeceira. Acabei abandonando a leitura logo no início, mas não abandonei o imaginário de estar vivenciando uma idade meio mágica, sublime...

Me sentia poderosa!..

Até me deparar com fatos não tão glamourosos que têm me mostrado que a realidade é mais dura do que parece e que nessa década se estabelece mais fortemente o período de envelhecimento do corpo.

Não é à toa que os cremes anti-rugas são recomendados a partir dos 30 anos!

Esse mês, fiz 36.

Ou seja, 3 dúzias!!

Daqui a pouco mudo de faixa etária de creme!

Já contei aqui algumas dessas histórias de doenças que começaram a me acometer 'de repente'. Os esfíncteres relaxados (nem todos, ainda!), o refluxo, a dor nas costas, os caroços, a gastrite, as cirurgias, os exames. Ah, sem contar a outra categoria de coisinhas - os cabelos brancos, os pneus, a flacidez.

Ô palavra antipática! Além de parecer antipática, soa antipática: fla-ci-dez!!

Hoje dou tchau e meu braço vibra!!! :-(

Pensei que só fosse experimentar isso aos 60 anos!!!

Engraçado ficar velha de um dia para o outro!...

Decidi que não vou mais acenar ao me despedir, vou fazer um outro tipo de sinal. Com os dedos talvez, ou dar apenas um sorriso. Qualquer um compreenderá.

Aos 20, se precisava ir a uma festa e estava mais cheiinha que o desejado, fechava a boca por três dias e emagrecia dois quilos. Hoje, se fecho a boca por três dias, perco três dias e a esperança de entrar no vestido.

Às vezes, decido deixar de bobagens e apelo para a racionalidade. Lembro da Lya Luft e resolvo pensar também nos ganhos do envelhecimento.

Quais eram mesmo??

Preciso ler de novo!

terça-feira, junho 17, 2008

Coração de mãe viajando a serviço


Tive que fazer duas viagens a serviço em menos de um mês. Tive, não, eram excelentes oportunidades de atualização e compartilhamento de experiências, então foi um desejo atendido. Muito entusiasmada desde o instante da divulgação do evento até os dias de véspera, quando de repente começa a bater um pânico interior.

Vou sair de casa? Deixar minha filha? Será que ela vai comer, vestir-se (adequadamente!), acordar na hora, dormir na hora, sobreviver à minha ausência???

Brincadeira, já faz tempo que superei essa nóia e essa tendência de me achar imprescindivel à boa ordem familiar, que passei a resistir (quase sempre) aos impulsos de escolher a roupa que deve ser utilizada em cada ocasião e, assim, de querer exercer um tipo de controle e manipulação totalmente desnecessários ao desenvolvimento da autonomia de pai e filha e totalmente desnecessário por si só.

Só não superei a nóia de ficar pensando "e se acontecer um acidente e eu deixar a minha filha órfã?" ou pior "e se acontecer um acidente e a minha filha morrer e eu estiver a quilômetros de distância??".

Noutra vez, depois de chorar horas pensando nessa hipótese, perguntei ao meu marido se ele também pensava essas coisas. Ele me olhou com uma cara de espanto como se estivesse frente-à-frente com um ser de outro planeta e disse que 'claro que não!' Me deixou encucada até hoje.

Será que sou doida??

Dúvida essencial

(Registre-se aqui que escrevo ao som da melodia da Pipoca Abençoada)

Já disse aqui várias vezes como adoro viver nesses tempos modernos. Não há caos urbano, poluição ambiental ou George Bush que me faça ter vontade de ter vivido em outra era em que nao existisse espremedor de frutas, microondas, chuveiro com agua quente, carne congelada, direitos humanos, estado democrático, rede de esgoto, absorvente descartável, antibiótico, anestesia ou outras maravilhas contemporâneas (sem citar todas as tecnologias de comunicação fantásticas e cada vez mais imprescindiveis!!).

Uma dessas maravilhas contemporâneas é o direito e a possibilidade de as famílias e, sobretudo, as mulheres escolherem quantos filhos querem ter. Métodos anticoncepcionais, planejamento familiar, filho único eram expressões sem significado há algum tempo. As mulheres eram escravas de seu destino. Seu corpo não lhes pertencia. Quantas passavam parte da vida gestando e outra amamentando? Casos de mulheres que chegavam a ter 19, 20 filhos. Muitos morriam ainda cedo. Nem sei como vivenciavam seu luto ou se sua vida difícil as impediam de certo modo de desenvolver vínculos profundos e amar tal como hoje podemos amar nossos filhos.

Hoje podemos evitar gravidezes. Podemos ter parto normal ou cesáreo, domiciliar ou hospitalar, intervencionista ou humanizado, com plano previo, ou não, médico particular, conveniado ou público... Podemos ter aos 15, aos 30 ou até aos 40. São tantas as possibilidades de escolha que nos pegamos (ou pelo menos eu me pego) em duvidas fundamentais. Quero ter outro filho? Cabe outro filho nessa minha vida louca? A empregada vai dar conta de outra criança? Terei que contratar outra? Conseguirei conciliar trabalho e maternidade? É o momento ideal? Quero um filho ou irmão para minha filha? Quero um filho ou penso que quero porque é socialmente normal? Quero um filho ou penso que quero porque meu tempo está passando e depois posso me arrepender? Meu desejo é legitimo ou socialmente construído?

Onde ou como encontrar as respostas??

Às vezes não ter escolha é particularmente cômodo.

domingo, junho 15, 2008

Cada um tem a vizinhança que merece

Há pouco mais de quarenta dias estamos morando em nossa casa provisória. Tenho que confessar que, no fundo, espero (no sentido de ter esperança) de que não seja provisória o mesmo tempo que o foi aquela contribuição que, apos extinta, quer retornar com cara nova!

Mas, voltando à casa, como já comentei aqui antes, nossa kit é bem legal e tem nos proporcionado experiências bem interessantes. Uma delas, sobre a qual não havia falado ainda (acho), é a nossa vizinhança.

Não os vizinhos de porta ou de prédio, desses não tenho nada que não seja positivo a declarar. Me refiro ao vizinho de lote, ocupado por uma Igreja, e a seus freqüentadores, que em horários de culto e após, ocupam todos os arredores (e as vagas de estacionamento e os espaços vazios e os silencios porventura existentes).

Para eles, não há Lei do Silêncio ou qualquer coisa semelhante. Toda saída de culto é uma festa. E tem festa quase todo dia, ops, quase toda noite. Até tarde da noite, diga-se de passagem, inclusive às segundas!

Considerando que uma imagem vale mais do que mil palavras e que uma imagem com som deve valer umas duas mil, poupo-os da leitura, peço que assistam aos videos abaixo e tirem suas próprias conclusões.

Vídeo 1 - Segunda-feira - 23h20 (Pense numa pessoa com sono querendo dormir!!)



Video 2 - Domingo - Cerca de 22h50 - Pipoca abençoada (Vai uma aí???)

quinta-feira, junho 12, 2008

Em São Luís...



Estou em São Luís participando de um Encontro de Escolas de Governo.
Está quase no fim desse 12 de junho aqui na Ilha do Amor, longe do meu amor.
Aqui ao lado rola uma festa de Dia dos Namorados. Mais perto um pouco um grupo de rapazes conversa e fuma. Tenho que confessar que como uma boa brasiliense - onde o fumo é proibido em praticamente todos os locais públicos - fumaça de cigarro é uma coisa que me incomoda mais ainda do que antes. Por mais chato que isso possa parecer aos fumantes. Sinto muito!

Tivemos a oportunidade de ontem à noite darmos uma passada pelo Centro Histórico, nas proximidades do Projeto Reviver, conforme recomendação do taxista. Andamos um pouco, passamos pelas lojas de artesanatos, compramos umas coisinhas, contemplamos os azulejos, nos lamentamos pelo estado de conservação das coisas (bem inferior ao que poderia ser, especialmente se comparado a outros capitais) e avistamos uma escadaria bem grande que me convidava a subir. Ao lado, um posto policial. Resolvi ir perguntar antes aonde ia dar a tal escada. O guarda, muito simpático, perguntou de onde eu era, fez algumas brincadeirinhas típicas e me explicou que, como a polícia estava em greve e a maior parte do contingente que estava trabalhando tinha sido encaminhado para os presídios, me sugeria que andássemos apenas por perto. Mas como assim por perto? Por perto por aqui. E me fez um gesto apontando o quadrilátero onde estávamos. Me disse para ficar atenta, não mostrar dinheiro, ter cuidado ao abrir a bolsa e que se precisássemos ir ao banco que fôssemos lá que ele nos acompanharia. Cautelosas que somos, eu e minha amiga, obedecemos fielmente às recomendações, demos a volta no quarteirão seguro, não sacamos dinheiro, terminamos algumas comprinhas e fomos jantar no restaurante Antigamente.

Aproveitei para experimentar - eu que não sou disso (prefiro me aprazer do que já conheço do que me aventurar em novidades que depois me causarão arrependimento) - um prato chamado "Delícias do Maranhão". Afinal, quem tá na chuva é para se molhar (é o meu novo lema!). Provei o famoso arroz com cuxá, que achei um parente do arroz com brócolis, só que mais amargo. Comi vatapá, que segundo o garçom é menos apimentado que o baiano, com o que concordei. O purê de cuxá, eu pulei. Tinha uma cor medonha! Era demais para o meu desatino gastronômico. Também me embalei no purê de abóbora, patinha de caranguejo à milanesa, torta de camarão e um outro arroz lá que esqueci com quê. Valeu a experiência. Hoje no encontro, provei guaraná Jesus. Em termos culinários, acho que já posso voltar para casa.

Em termos culturais, hoje à noite assistimos a um show com um grupo local de dança (chamam-se brincantes), com lindos trajes típicos, que encenava diversos tipos de dança do boi - chamados sotaques. Muito legal!! Ao final, eles chamaram um monte de gente para dançar junto. Lá fui eu, doida para também compartilhar daquela alegria. Os passos pareciam bem simples. Cada um do grupo pegou uma pessoa, então eu fui seguindo bem direitinho tudo o que a minha mestra, que devia ter uns 20 anos a menos que eu, fazia. Pulei, sapateei, rodei com os braços para cima, para baixo,... Tudo isso deve ter durado uns 5 minutos, que tinham parecido 55 quando terminei, com a frequência cardíaca ao redor de 230 bpm. Com o teto e o chão alterando rapidamente de lugar, dirigi-me cautelosamente ao local onde supostamente estava sentada, me perguntando se o problema tinha sido o ritmo acelerado da dança, a caipirinha, o coquetel com vodca, o arrumadinho ou o salgado de camarão que eu tinha comido antes. Em termos bailantes, acho que já posso voltar para casa.



Só não volto para casa, porque em termos trabalhísticos, ainda tenho mais um dia de atividades amanhã! Capital Federal, me aguarde!! Talvez na volta me junte a um grupo de dança típica. Siriri, carimbó, frevo, baião, quadrilha, cacuriá... Que será que há de típico por lá?... Quem sabe possa participar dos ensaios da Escola de Samba da ARUC??... Só sei que estou bem animada... O ambiente aqui é bem inspirador!... Ò, Ilha Maravilha!...Já sinto saudades de você!!