Tenho lido em vários meios e ouvido nos vários espaços que frequento comentários discordantes, geralmente cínicos, irônicos e maliciosos, sobre críticas feitas a propagandas e programas que exploram a imagem feminina, que a vulgarizam, que contribuem para a manutenção de estereótipos como o da mulher-objeto, da mulher-burra, da mulher-submissa, da mulher-feita-para-servir-ao-homem. Muitas vezes as críticas baseiam-se em argumentos falaciosos como o de que há coisas mais importantes com que se preocupar.
Fosse assim, imagino que enquanto houvesse fome no mundo ninguém deveria pensar em comprar roupas ou fazer viagens; que enquanto não se resolver o problema da educação no Brasil não poderíamos falar em desenvolver o esporte. Mas, felizmente, não é assim que as coisas funcionam. Ou não é assim que devem funcionar. Há gente suficiente para se cuidar de cada questão que mereça ser pensada, melhorada, corrigida... Basta se transformar em um querer, uma prioridade.
Quanto ao combate ao sexismo, ao racismo, a qualquer tipo de desigualdade, não deveria ser uma luta feminina, de negros, e sim um esforço compartilhado, pois uma sociedade justa é uma sociedade melhor para todos.
Segue abaixo nota disponível no site da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do governo federal, a fim de esclarecer o episódio em relação ao Zorra Total (que por sua exploração repugnante do corpo feminino, já faz tempo aboli de minha lista de programas, assim como Pânico na TV e outras que me soam ultrajantes)
Noticias divulgadas nesta quinta-feira, 6, por vários veículos nacionais de comunicação, informam sobre um hipotético pedido desta Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres (SPM), dirigido à Rede Globo de Televisão, para que retire do ar um dos quadros de humor do programa Zorra Total.
A Secretaria esclarece que em nenhum momento dirigiu qualquer solicitação desta natureza para a emissora de televisão.
No dia 29 de setembro, a sub-secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves, enviou uma nota de apoio à Secretaria de Assuntos das Mulheres do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, que protestavam contra o referido quadro do programa.
Em Carta Aberta à População de São Paulo, as trabalhadoras do Metrô afirmaram que o quadro, que apresenta as personagens chamadas Valéria e Janete, banaliza o assédio sexual, problema enfrentado com frequência por mulheres que utilizam o transporte público coletivo.
Na nota, a secretária afirma: “Parabenizamos a iniciativa e endossamos a necessidade de debater e ações como esta, que visam desconstruir discursos de uma cultura que, até mesmo camuflada de humor, perpetua a violência simbólica contra as mulheres”.
É prática da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, desde a sua implantação, se solidarizar com manifestações que contestem todas as formas de banalização da condição da mulher.
A Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres reafirma a importância deste debate, e de forma especial nos meios de comunicação de massa, pois eles são importantes instrumentos de formação da sociedade.
Brasília, 06 de outubro de 2011
Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres
Site: www.sepm.gov.br
Link para a matéria: http://www.sepm.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2011/10/nota-sobre-quadro-do-programa-zorra-total-da-tv-globo
A idéia é refletir, meditar, discutir, desabafar... histórias, sentimentos, experiências, vivências... o cotidiano dessa vida urbana louca de uma mulher - mãe, profissional, esposa, dona-de-casa - em busca de viver e de ser feliz.
terça-feira, outubro 11, 2011
sexta-feira, setembro 09, 2011
Vivendo e aprendendo
Coisas que a filhotinha tão precoce já aprendeu nesses 11 meses de vida:
- Impenetrabilidade, uma das propriedades gerais da matéria - ou seja, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço - se vê algo apetitoso já tira imediatamente a chupeta da boca.
- Lei de Avogadro - Um aumento do número de partículas implica o aumento do número de colisões - substitua-se partículas por amiguinhos na creche e imagine o resultado: bracinhos mordidos, cabelinhos puxados, tombos, empurrões e quedas.
- Na creche, também aprendeu acerca dos fundamentos da Terceira Lei de Newton, a Lei da Ação e Reação: A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade. Também já notou inconsistências nessa Lei, que deveriam ser levadas aos Congressos Internacionais, pois são capazes de alterar seu próprio status de lei: foram encontradas exceções!! Pasmem!! Nem sempre a intensidade da reação é a mesma da ação inicial!!
- A natureza é econômica em todas as suas ações (Malpertuis, 1744, suas ideias contribuíram para a posterior formulação do Princípio da Mínima Ação ou do Menor Esforço) - se o desejo é ir de um lugar para o outro e há alguém por perto, por que engatinhar? Basta reclamar com uma cara pidona que logo se consegue um transporte gratuito, no aconchego do colo, para qualquer lugar da casa. Aliás, isso contribuiu para o MEU aprendizado acerca da Primeira Lei de Newton, o Princípio da Inércia - Um objeto que está em repouso ficará em repouso a não ser que uma força resultante aja sobre ele ou, por outro lado, um objeto que está em movimento não mudará a sua velocidade a não ser que uma força resultante aja sobre ele. No caso, EU tenho que fazer a força!!

- Quem não chora não mama – lei universal amplamente conhecida desde os primórdios da humanidade, prescinde de comentários adicionais
- Impenetrabilidade, uma das propriedades gerais da matéria - ou seja, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço - se vê algo apetitoso já tira imediatamente a chupeta da boca.
- Lei de Avogadro - Um aumento do número de partículas implica o aumento do número de colisões - substitua-se partículas por amiguinhos na creche e imagine o resultado: bracinhos mordidos, cabelinhos puxados, tombos, empurrões e quedas.
- Na creche, também aprendeu acerca dos fundamentos da Terceira Lei de Newton, a Lei da Ação e Reação: A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade. Também já notou inconsistências nessa Lei, que deveriam ser levadas aos Congressos Internacionais, pois são capazes de alterar seu próprio status de lei: foram encontradas exceções!! Pasmem!! Nem sempre a intensidade da reação é a mesma da ação inicial!!
- A natureza é econômica em todas as suas ações (Malpertuis, 1744, suas ideias contribuíram para a posterior formulação do Princípio da Mínima Ação ou do Menor Esforço) - se o desejo é ir de um lugar para o outro e há alguém por perto, por que engatinhar? Basta reclamar com uma cara pidona que logo se consegue um transporte gratuito, no aconchego do colo, para qualquer lugar da casa. Aliás, isso contribuiu para o MEU aprendizado acerca da Primeira Lei de Newton, o Princípio da Inércia - Um objeto que está em repouso ficará em repouso a não ser que uma força resultante aja sobre ele ou, por outro lado, um objeto que está em movimento não mudará a sua velocidade a não ser que uma força resultante aja sobre ele. No caso, EU tenho que fazer a força!!

- Quem não chora não mama – lei universal amplamente conhecida desde os primórdios da humanidade, prescinde de comentários adicionais
terça-feira, agosto 23, 2011
10 anos e 10 meses
Esse é um mês especial. Tenho uma filha de 10 anos. E outra com 10 meses.
A situação é desafiadora e igualmente mágica e nunca mais irá se repetir. Não posso prescindir de fazer o registro histórico das muitas coisas que aconteceram nessas primeiras semanas de agosto.
A de 10 anos começou a fazer aulas de inglês. A de 10 meses comeu uma minhoca.
A de 10 anos ganhou um cachorro e está aprendendo a cuidar dele. A de 10 meses entrou na creche e passou bem o período de adaptação.
A de 10 anos está gostando de um menino da escola. A de 10 meses está sofrendo com o nascimento de seu quarto dentinho.
A de 10 anos colocou aparelho. A de 10 meses perdeu a chupeta preferida.
A de 10 anos foi a festas todos os últimos fins de semana. A de 10 meses acordou de três em três horas todas as últimas noites.
A de 10 anos começou a usar meus sapatos. A de 10 meses comeu um de meus sapatos.
A de 10 anos quer dormir e acordar tarde. A de 10 meses quer dormir e acordar cedo.
A de 10 anos não quer desgrudar de seu Nintendo DS, está preocupada com seus Puffs e com a decoração de seu iglu no Club Penguin. A de 10 meses faz uma dancinha quando nos entrega alguma coisa em mãos e gosta de ouvir (e dramatizar) Meu Pintinho Amarelinho.
A de 10 anos curte Justin Bieber, Selena Gomez, Drake and Josh e I-Carly. A de 10 meses se amarra na Dona Aranha.
A de 10 anos não gosta de ser contrariada. A de 10 meses também não.
A de 10 anos acha que tudo é pagar mico. A de 10 meses lambe a parede do restaurante.
A de 10 anos está fazendo operações com frações. A de 10 meses se diverte atirando objetos diversos no chão.
A de 10 anos fez um lindo cartão no dia dos pais e assinou pelas duas. A de 10 meses descobriu como fazer bocas e bicos divertidos.
A de 10 anos dá boa noite e diz que nos ama. A de 10 meses sorri seu sorriso quase banguela, dá seus gritinhos e estende seus bracinhos.
As duas gostam de abraços!
segunda-feira, agosto 01, 2011
Não há silêncio que não termine

Acabei de ler nesse fim de férias o livro-relato de Ingrid Betancourt sobre os seus seis anos e meio de cativeiro na selva amazônica, como refém das FARC. A leitura levou meses. Quando comecei minha filha acabara de nascer, terminei às vésperas de seus 10 meses. Isso porque não me foi possível fazer uma leitura contínua e regular, precisava de pausas, que duravam semanas ou meses, pois não era todo dia que eu tinha a coragem de conhecer e compartilhar dos detalhes sombrios dessa história real e cruel.
Pessoas que de repente foram privadas de suas vidas, apartadas bruscamente de suas famílias, seus trabalhos, suas casas e desprovidas de qualquer conforto e, pior, submetidas a tratamento desumano e degradante, sob todos os aspectos físicos, psíquicos, sociais e morais. E o pior sob a desculpa de ser um movimento revolucionáro, de libertação do povo. Pura balela!! Me surpreende e me enoja saber que há gente que ainda defenda um movimento com essas características, que se chama de social, mas que é puro terrorismo.
Dormindo em abrigos improvisados, muitas vezes sob chuva, nem sempre protegidos, numa mata inóspita em que não faltavam mosquitos, carrapatos, formigas, aranhas, que invadiam seus espaços e aumentavam sua tortura. Mal alimentados, não raramente adoeciam e nem sempre tinham o adequado e necessário tratamento. Obrigados a fazer caminhadas que duravam semanas e até meses para mudar de acampamento e restringir o risco de serem descobertos pelo exército colombiano, viam seus corpos sofrer em feridas, bolhas e pústulas e seguidamente definharem. Muitas vezes amarrados por correntes, presos pelos pescoços como animais, observando impotentes seus pertences serem subtraídos pela guerrilha, impedidos de conversar uns com os outros, vestindo farrapos, obrigados a fazer suas necessidades em lugares inóspitos, muitas vezes em frente uns dos outros, ameaçados de morte.... enfim, uma infindável lista de horrores impossível de resumir e que simplesmente me impede compreender como esses homens e mulheres conseguiram manter-se fortes para continuar lutando pela vida, como venceram o desejo de entregar-se e deixar-se levar...

É um livro lindo, muito bem escrito, que contém não apenas uma história, mas várias histórias de vidas que se cruzaram em um momento peculiar e penoso e inacreditavelmente tão perto de nós. Um livro que fala do sofrimento, da angústia, da dor, do medo e da fome, mas também da fé, da esperança, do amor, da família, do que é essencial e do que é supérfluo ao humano. Faz a gente repensar nossa vida, nossos valores, nossas prioridades. Certamente vale a pena ser lido.
domingo, julho 31, 2011
Primeiras palavras
Primeira vez é sempre uma emoção. Seja o que for. Ouvir as primeiras palavrinhas de um filho... põe emoção nisso!!
Esse nono mês foi de muitas realizações. Começou a engatinhar, firmar-se melhor de pé, aprendeu a abaixar para pegar objetos e também falou suas três primeiras palavrinhas, exatamente nessa ordem:
1) au-au. Palavra que designa os cachorros, como já devem ter presumido, mas também todo e qualquer outro animal que tenha quatro patas, de ovelhas a dinossauros, passando por camelos e girafas.
2) Abb. A pronúncia é seguida por um bico, que dura uns 2 a 3 segundos, simplesmente hilário. Aprender essa palavrinha, que se refere à 'água' é simplesmente uma questão de sobrevivência aos bebês brasilienses. Nesse início de seca, em que a umidade já começa a baixar dos 30% não dá para ficar confiando na memória dos pais!
3) Por fim, a tão esperada: 'ma-ma'!! Que depois percebi significa tanto 'mamãe', quanto 'mamar', o que me deixou na dúvida se ela entende a diferença entre um e outro, ou se para ela ainda são sinônimos, o que de qualquer forma não deixa de ser bom.
Amanhã a queridinha vai começar sua vida escolar. Com a saída da babá, vai ser institucionalizada em um berçário. Tadinha! Confesso que esse não é exatamente o meu ideal de vida para um bebezinho, gostaria muito que ela pudesse ficar em sua casa, no seu cantinho, com suas coisinhas. Entretanto não vivemos mesmo em um mundo ideal, então dentre as possibilidades que nos apresentavam, consideramos que era a menos pior. Felizmente pudemos escolher uma creche muito legal, que está há muitos anos em funcionamento na cidade e parece contar com bons profissionais. Agora só nos resta esperar que ela seja muito bem cuidada e viva bons momentos por lá.
Boa sorte, fofuchinha!!!
Esse nono mês foi de muitas realizações. Começou a engatinhar, firmar-se melhor de pé, aprendeu a abaixar para pegar objetos e também falou suas três primeiras palavrinhas, exatamente nessa ordem:
1) au-au. Palavra que designa os cachorros, como já devem ter presumido, mas também todo e qualquer outro animal que tenha quatro patas, de ovelhas a dinossauros, passando por camelos e girafas.
2) Abb. A pronúncia é seguida por um bico, que dura uns 2 a 3 segundos, simplesmente hilário. Aprender essa palavrinha, que se refere à 'água' é simplesmente uma questão de sobrevivência aos bebês brasilienses. Nesse início de seca, em que a umidade já começa a baixar dos 30% não dá para ficar confiando na memória dos pais!
3) Por fim, a tão esperada: 'ma-ma'!! Que depois percebi significa tanto 'mamãe', quanto 'mamar', o que me deixou na dúvida se ela entende a diferença entre um e outro, ou se para ela ainda são sinônimos, o que de qualquer forma não deixa de ser bom.
Amanhã a queridinha vai começar sua vida escolar. Com a saída da babá, vai ser institucionalizada em um berçário. Tadinha! Confesso que esse não é exatamente o meu ideal de vida para um bebezinho, gostaria muito que ela pudesse ficar em sua casa, no seu cantinho, com suas coisinhas. Entretanto não vivemos mesmo em um mundo ideal, então dentre as possibilidades que nos apresentavam, consideramos que era a menos pior. Felizmente pudemos escolher uma creche muito legal, que está há muitos anos em funcionamento na cidade e parece contar com bons profissionais. Agora só nos resta esperar que ela seja muito bem cuidada e viva bons momentos por lá.
Boa sorte, fofuchinha!!!
quinta-feira, julho 14, 2011
Infância e paz
"A infância é o chão sobre o qual caminhamos o resto de nossos dias".
Lya Luft
Estava em cartaz na Câmara dos Deputados, e eu tive a oportunidade de visitá-la por três vezes, a exposição Infância & Paz, que nesta edição de 2010 abordou o terma "A importância dos Primeiros Laços entre o Bebê e os cuidadores".
Promovida pelo Senado Federal, que instituiu a Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura de Paz, e com o apoio da Rede Primeira Infância, instituições da sociedade civil e o patrocínio da Petrobrás, a exposição era um convite explícito e emocionado à reflexão sobre a importância do vínculo, do afeto e do amor na constituição neurológica, psíquica e social do ser humano e sobre a situação, tantas vezes vulnerável, das crianças brasileiras.
Não preciso dizer que, nas três vezes que por lá, chorei.
Passei e viajei por cada fotografia, por cada pintura reproduzida em grandes pedaços de pano, que pendiam por pregadores, como num cotidiano e conhecido varal de histórias, pensamentos, fatos, reflexões, rostos, corpos e poemas.
Sim, chorei todas as vezes, porque não tinha como evitar. Pensava na minha filha, em todo o amor que tínhamos para oferecer a ela, no como era gostoso ficarmos juntas, rosto com rosto, coração com coração e não conseguia entender porque não poderia ser assim, sempre. Com cada criança que nascesse nesse mundo.
Segue um pouco do que vi:





"A importância do carinho é evidente desde o nascimento. Depois que o bebê passa nove meses no aconchego do ventre, com casa, comida e calor, o sistema que informa ao seu cérebro sobre carícias na pele funciona como um poderoso "detector de mãe"
Não receber carinho, portanto, é sinal para a criança de que ela não tem por perto nem mãe, nem outra pessoa que ofereça cuidados e segurança.
Se os 'detectores de mãe' não são ativados logo após o nascimento, o cérebro interpreta a situação como um risco à vida e dispara o alarme, dando início a uma resposta generalizada ao estresse.
(Suzana Herculano Houzel)










O Laço e o Abraço
(Maria Beatriz Marinho dos Anjos)
Vamos falar de laços e abraços?
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... Uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira,circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...
Devargazinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo o que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode-se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, iguais meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!
Lya Luft
Estava em cartaz na Câmara dos Deputados, e eu tive a oportunidade de visitá-la por três vezes, a exposição Infância & Paz, que nesta edição de 2010 abordou o terma "A importância dos Primeiros Laços entre o Bebê e os cuidadores".
Promovida pelo Senado Federal, que instituiu a Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura de Paz, e com o apoio da Rede Primeira Infância, instituições da sociedade civil e o patrocínio da Petrobrás, a exposição era um convite explícito e emocionado à reflexão sobre a importância do vínculo, do afeto e do amor na constituição neurológica, psíquica e social do ser humano e sobre a situação, tantas vezes vulnerável, das crianças brasileiras.
Não preciso dizer que, nas três vezes que por lá, chorei.
Passei e viajei por cada fotografia, por cada pintura reproduzida em grandes pedaços de pano, que pendiam por pregadores, como num cotidiano e conhecido varal de histórias, pensamentos, fatos, reflexões, rostos, corpos e poemas.
Sim, chorei todas as vezes, porque não tinha como evitar. Pensava na minha filha, em todo o amor que tínhamos para oferecer a ela, no como era gostoso ficarmos juntas, rosto com rosto, coração com coração e não conseguia entender porque não poderia ser assim, sempre. Com cada criança que nascesse nesse mundo.
Segue um pouco do que vi:





"A importância do carinho é evidente desde o nascimento. Depois que o bebê passa nove meses no aconchego do ventre, com casa, comida e calor, o sistema que informa ao seu cérebro sobre carícias na pele funciona como um poderoso "detector de mãe"
Não receber carinho, portanto, é sinal para a criança de que ela não tem por perto nem mãe, nem outra pessoa que ofereça cuidados e segurança.
Se os 'detectores de mãe' não são ativados logo após o nascimento, o cérebro interpreta a situação como um risco à vida e dispara o alarme, dando início a uma resposta generalizada ao estresse.
(Suzana Herculano Houzel)










O Laço e o Abraço
(Maria Beatriz Marinho dos Anjos)
Vamos falar de laços e abraços?
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... Uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira,circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...
Devargazinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo o que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode-se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, iguais meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!
quarta-feira, junho 29, 2011
Correria
Os dias passam, as horas voam. O tempo é um bicho arredio que não me deixa domá-lo. A vida na cidade grande que tanto me encanta de repente me sufoca. Perdemos tempo no trânsito, procurando insanamente uma vaga, em filas variadas - na padaria, no supermercado, na entrada do elevador, na videolocadora, na lavanderia. Estou cansada. Sinto falta de encontros, de ócio, de ver a vida passar. Saudade de algo que não vivi. De tricotar sentada numa cadeira na varanda da frente da casa. De uma casa sem muro, num lugar qualquer que dispense muros. E grades. Onde só haja janelas e portas. Onde as pessoas cumprimentem-se sorridentes e se chamem pelos nomes, ou pelos apelidos. E façam comida em casa e presenteiem-se com bolos e quindins.
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