segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Brinquedo de menino, brinquedo de menina

Todas as vezes que preciso ir a uma loja de brinquedos (coisa não rara quando se tem filhos, sobrinhos, amiguinhos dos filhos aniversariando quase toda semana) me sinto irritada.

Quando você entra e diz que precisa de um presente, a primeira coisa que o/a vendedor/a te pergunta é se é para menino ou menina e, depois, que idade a criança tem. Ora, no atual mundo em que vivemos em que mulheres e homens ocupam os mais diversos espaços sociais e laborais e precisam cada vez mais aprender a dividir todos os espaços e funções domésticas, que sentido faz dividir as brincadeiras por sexo? E pior: por sexo e cor!! Então você vai na seção feminina e encontrará todos os tipos de bonecas cor de rosa e miniaturas de utensílios domésticos, todos cor de rosa. Sim, porque os aparatos domésticos - fogãozinho, vassourinha, maquininha de lavar roupas, pratos, secador de louças, conjunto de pratos, xícaras e colherzinhas, TUDO impreterivelmente cor de rosa e situado no lado feminino. E os nossos futuros chefs e maridos e donos de sua própria casa não precisam treinar a manipular brinquedinhos dessa natureza? Não terão mais tato com os filhos se puderem brincar de boneca e boneco? E nossas meninas não sairão de seu papel de princesa à espera do príncipe encantado e entenderão mais cedo e de uma forma melhor se tiverem a oportunidade de enfrentar monstros e dragões desde a tenra idade?

Por que então não fazem todos os brinquedos de todas as cores para que meninos e meninas escolham independentemente o que estão a fim de fazer? Por que as próprias empresas não tomam a dianteira e têm uma atitude menos reacionária e produzam brinquedos que representem melhor o mundo que vivemos e que está à espera de nossas crianças. Que simplesmente não reproduzam modelos sexistas que contribuam para visões de mundo distorcidas, para a ideia de que os homens são fortes, ativos, aventureiros e responsáveis e as mulheres são frágeis, passivas, submissas e incompetentes para se defender do e no mundo.

Por isso que sempre me recusei a comprar esses brinquedos cor de rosa (embora simplesmente AME rosa!!) e incentivei a que minha filha tivesse acesso a todos os tipos de brincadeiras. E assim ela pôde ter tratores, caminhões, aviões, bichos do imaginext, arminhas, espadas, todos os tipos de dinossauros e também bonecas, geladeira, carrinho de feira e tudo o mais. Porque é brincando que se aprende e se apreende o mundo e eu faço questão de mostrar que o mundo é vasto e que ela merece todas as oportunidades que o mundo tem a oferecer.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Filhotinha pré-adolescente



Filhotinha tem 11 anos e começa a apresentar alguns males da idade: irritabilidade fácil, mania de querer ficar trancafiada no quarto, aversão a regras, dever de casa e aula de história, crença de que tudo é mico, principalmente os comportamentos paternos e revelia a qualquer demonstração de afeto em público, inclusive e sobretudo a revelação de apelidos fofos e carinhosos.

Nisso, ela se parece com as típicas meninas de sua idade, mas em outros aspectos é bem diferente. Como assim?

Não gosta de rosa, de ti-ti-ti de meninas, princesas nunca e nem pensar (já avisou sobre a irmã mais nova: 'mãe, se a Marina gostar de princesas, eu vou vomitar!') e não é chegada a roupas (nem que sejam novas), compras e acessórios. Recentemente, encontrei uma sacola com roupas que eu havia comprado para ela e deixado para que experimentasse (a rotina tem que ser essa uma vez que não suporta ir a lojas e mais ainda ter o trabalho de tirar uma peça de roupa ou um pé de sapato para colocar outro). Quando fui conferir a etiqueta: maio de 2011!!!

Ontem estávamos na papelaria vendo os últimos detalhes de material escolar. Avistei uma fila de bolsas e sacolas em promoção. Quase enlouqueci! 'Filha, olhe que lindas, vamos comprar?' E aí a pergunta inesperada: "Para quê?" Como assim, para quê? Precisa uma razão para ter uma linda bolsa nova em seu guarda roupa e a possibilidade de usá-la a qualquer momento nas próximas semanas ou meses? "Ué, filha, para usar no dia-a-dia, colocar suas roupas quando você for dormir na casa de sua prima, qualquer coisa..." "Hmmm, (se virando para os vendedores) tem alguma com caveira?" O rapaz da loja gentilmente vai verificar e nos leva para o estoque que ficava na sala ao lado. Achamos algumas fofas com pequenas caveirinhas. Toda preta com caveirinhas rosas. Vem a exclamação: "Rosa?! Hmmm, mãe, acho melhor não, vou acabar não usando." Pelo menos não posso reclamar de falta de consciência e de excesso de consumismo.

A última da semana foi o comentário espontâneo enquanto estávamos em algum silêncio: "mãe, não gosto mais de ir ao dentista!" Tadinha, pensei. Deve estar cansada dessa história de aparelho desde que tem 5/6 anos. E agora, aparelho fixo, visitas mensais ao consultório, aquele incômodo chato durante três dias após apertar os arames... "É, filha? Por quê?, pergunto em tom de compaixão, o coração apertado de solidariedade e dó. E a resposta vem objetiva e imediata: "Ah, não aguento mais essa coisa de ter que escovar os dentes toda vez!"

terça-feira, janeiro 10, 2012

Tchau, natal!

No último sábado fomos desmontar toda a decoração de natal. Árvore, com seus laços dourados e tons de vermelho bordô, papais noéis, bonequinhos de biscoitos, corações e, claro, luzinhas e luzinhas; panos de mesa decorados; vasos de flores; enfeites artesanais criativos e até uma vestimenta típica para o vaso sanitário do lavabo.

De repente estava tomada por uma profunda nostalgia.

Era o natal e tudo o que ele representa indo embora - as cores, luzes, o espírito solidário, a fraternidade, o clima de festa, o encontro, o perdão, a esperança...

O ano novo estava irremediavelmente começando. O cotidiano, a rotina, o trabalho, o trânsito, as notícias de enchentes, o descaso do poder público, o descompasso familiar, o vai-e-vem caótico de passos, pessoas, pensamentos e vidas apressadas. Vidas tantas vezes desprovidas de poesia. De sentido, de amor, de paz, de paixão. Vidas sem vida.

Que saudade do natal! Do amor de Cristo, do nascimento, dos presépios, das manjedouras, da comilança, da família reunida... Queria fazer tudo de novo! Queria um ano inteiro de dezembros!

sexta-feira, novembro 25, 2011

25 de Novembro - Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher



25 de Novembro é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.

O Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia das Nações Unidas convida à todas e todos a participarem da Campanha #DigaNão à Violência Contra as Mulheres e Meninas nas Redes Sociais.

Esta iniciativa deve ser entendida como uma ação de toda a sociedade brasileira, comprometida com os valores e princípios dos direitos humanos e com o enfrentamento à violência contra a mulher.

Dados sobre a violência contra a mulher

Entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio – índice de 4,2 assassinadas por 100 mil habitantes. Isso corresponde ao assassinato de 10 mulheres por dia no Brasil. Elas morrem em número e proporção bem mais baixos do que os homens (92% das vítimas), mas o nível de assassinato feminino no Brasil fica acima do padrão internacional. As taxas de assassinatos femininos no Brasil são mais altas do que as da maioria dos países europeus, conforme o Mapa da Violência 2010, cujos índices não ultrapassam 0,5 caso por 100 mil habitantes, mas ficam abaixo de nações que lideram a lista, como África do Sul (25 por 100 mil habitantes) e Colômbia (7,8 por 100 mil).

Una-se pelo Fim da Violência contra as Mulheres

A campanha do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres, convoca os governos, a sociedade civil, as organizações de mulheres, os jovens, o setor privado, a mídia e todo o Sistema ONU para unir forças na erradicação do fenômeno global da violência contra as mulheres e meninas. Saiba mais em www.onu.org.br/unase.


O Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia é uma parceria entre seis agências do Sistema ONU e o governo federal brasileiro, com apoio do Fundo para o Alcance dos Objetivos do Milênio, criado pelo governo espanhol. Sua missão é contribuir para a incorporação dos princípios da equidade de gênero, raça e etnia, transparência e inovação na gestão pública e para o fortalecimento da participação social nas políticas de desenvolvimento humano.

segunda-feira, outubro 31, 2011

Pausa musical

Na linha do 'a vida necessita de pausas', mudamos a rotina para irmos ao show 'Elas cantam Chico', em que Elba Ramalho, Daniela Mercury, Paula Lima e Margareth Menezes interpretam o grande compositor. A noite não parecia propícia para saída, despencou um temporal e o terminal do BB negou-se a entregar as notas que pedi, mas como brasileiro não desiste nunca, enfrentamos o temporal e, após trecho de carro, trecho de táxi, trecho sob a água, trecho de acotovelamentos entre o povo tentando entrar e os cambistas tentando vender desesperados seus ingressos, conseguimos chegar. E então tivemos a oportunidade, compartilhada com alguns milhares de pessoas, de assistir a um show inesquecível e de ouvir de Margareth as duas interpretações mais belas e profundas de Cálice e Geni e o Zeppelin. Incrível!!

terça-feira, outubro 11, 2011

Nota sobre quadro do programa Zorra Total da TV Globo

Tenho lido em vários meios e ouvido nos vários espaços que frequento comentários discordantes, geralmente cínicos, irônicos e maliciosos, sobre críticas feitas a propagandas e programas que exploram a imagem feminina, que a vulgarizam, que contribuem para a manutenção de estereótipos como o da mulher-objeto, da mulher-burra, da mulher-submissa, da mulher-feita-para-servir-ao-homem. Muitas vezes as críticas baseiam-se em argumentos falaciosos como o de que há coisas mais importantes com que se preocupar.

Fosse assim, imagino que enquanto houvesse fome no mundo ninguém deveria pensar em comprar roupas ou fazer viagens; que enquanto não se resolver o problema da educação no Brasil não poderíamos falar em desenvolver o esporte. Mas, felizmente, não é assim que as coisas funcionam. Ou não é assim que devem funcionar. Há gente suficiente para se cuidar de cada questão que mereça ser pensada, melhorada, corrigida... Basta se transformar em um querer, uma prioridade.

Quanto ao combate ao sexismo, ao racismo, a qualquer tipo de desigualdade, não deveria ser uma luta feminina, de negros, e sim um esforço compartilhado, pois uma sociedade justa é uma sociedade melhor para todos.


Segue abaixo nota disponível no site da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do governo federal, a fim de esclarecer o episódio em relação ao Zorra Total (que por sua exploração repugnante do corpo feminino, já faz tempo aboli de minha lista de programas, assim como Pânico na TV e outras que me soam ultrajantes)


Noticias divulgadas nesta quinta-feira, 6, por vários veículos nacionais de comunicação, informam sobre um hipotético pedido desta Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres (SPM), dirigido à Rede Globo de Televisão, para que retire do ar um dos quadros de humor do programa Zorra Total.

A Secretaria esclarece que em nenhum momento dirigiu qualquer solicitação desta natureza para a emissora de televisão.

No dia 29 de setembro, a sub-secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves, enviou uma nota de apoio à Secretaria de Assuntos das Mulheres do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, que protestavam contra o referido quadro do programa.

Em Carta Aberta à População de São Paulo, as trabalhadoras do Metrô afirmaram que o quadro, que apresenta as personagens chamadas Valéria e Janete, banaliza o assédio sexual, problema enfrentado com frequência por mulheres que utilizam o transporte público coletivo.

Na nota, a secretária afirma: “Parabenizamos a iniciativa e endossamos a necessidade de debater e ações como esta, que visam desconstruir discursos de uma cultura que, até mesmo camuflada de humor, perpetua a violência simbólica contra as mulheres”.

É prática da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, desde a sua implantação, se solidarizar com manifestações que contestem todas as formas de banalização da condição da mulher.

A Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres reafirma a importância deste debate, e de forma especial nos meios de comunicação de massa, pois eles são importantes instrumentos de formação da sociedade.

Brasília, 06 de outubro de 2011
Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres


Site: www.sepm.gov.br
Link para a matéria: http://www.sepm.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2011/10/nota-sobre-quadro-do-programa-zorra-total-da-tv-globo

sexta-feira, setembro 09, 2011

Vivendo e aprendendo

Coisas que a filhotinha tão precoce já aprendeu nesses 11 meses de vida:

- Impenetrabilidade, uma das propriedades gerais da matéria - ou seja, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço - se vê algo apetitoso já tira imediatamente a chupeta da boca.

- Lei de Avogadro - Um aumento do número de partículas implica o aumento do número de colisões - substitua-se partículas por amiguinhos na creche e imagine o resultado: bracinhos mordidos, cabelinhos puxados, tombos, empurrões e quedas.

- Na creche, também aprendeu acerca dos fundamentos da Terceira Lei de Newton, a Lei da Ação e Reação: A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade. Também já notou inconsistências nessa Lei, que deveriam ser levadas aos Congressos Internacionais, pois são capazes de alterar seu próprio status de lei: foram encontradas exceções!! Pasmem!! Nem sempre a intensidade da reação é a mesma da ação inicial!!

- A natureza é econômica em todas as suas ações (Malpertuis, 1744, suas ideias contribuíram para a posterior formulação do Princípio da Mínima Ação ou do Menor Esforço) - se o desejo é ir de um lugar para o outro e há alguém por perto, por que engatinhar? Basta reclamar com uma cara pidona que logo se consegue um transporte gratuito, no aconchego do colo, para qualquer lugar da casa. Aliás, isso contribuiu para o MEU aprendizado acerca da Primeira Lei de Newton, o Princípio da Inércia - Um objeto que está em repouso ficará em repouso a não ser que uma força resultante aja sobre ele ou, por outro lado, um objeto que está em movimento não mudará a sua velocidade a não ser que uma força resultante aja sobre ele. No caso, EU tenho que fazer a força!!



- Quem não chora não mama – lei universal amplamente conhecida desde os primórdios da humanidade, prescinde de comentários adicionais