sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Liberdade de escolha?

As pessoas costumam cobrar e julgar muito umas as outras pelos gestos que exibem e atitudes que tomam. Talvez não se apercebam que apenas algumas escolhas são fruto de ponderação e reflexão, alternativas conscientemente eleitas como melhores diante de outras tantas possibilidades. A maioria delas, no entanto, são apenas o melhor que podemos fazer, ou SÓ o que podemos fazer, com o que foi feito de nós.

O tal do livre arbítrio é, na maioria das vezes e para grande parte das pessoas, apenas uma quimera. Poucos são os realmente livres para escolher como agir, como reagir, como tocar a vida. Geralmente, lá vamos nós sendo levados pela vida, tentando a todo custo nos defender, nos preservar... Seguindo em frente a repetir padrões e buscando caminhos mais confortáveis e seguros, longes de ser os mais felizes, recomendáveis, enriquecedores.

sábado, setembro 15, 2012

15 dias

Você chegou! E agora, dormindo tranquilo em meu colo, aconchegado como se ainda fosse parte de mim, nem parece que foi capaz de causar tanta consternação.

Há quem não entenda, que apegado ao mistério e à beleza da vida, não consiga compreender os dilemas da mulher (ou do homem) frente à uma gravidez indesejada, não planejada, ou fora de hora. Postura essa que não apenas não ajuda, mas acentua a angústia e a culpa comuns numa cena dessas.

Gestar, parir, educar não são ações triviais. Transformam a vida e a existência. Abandona-se um estar no mundo para um outro, bem diferente. Que pressupõe uma nova forma de ser, de agir, de situar-se, de viver. Por isso é tão recomendado que sejam escolhas. Escolhas de coração e mente. Pois um filho necessita de todo amor e razão que um pai seja capaz de fornecer.

Verdade é também que, uma vez o fato consumado, por assim dizer, restam poucas alternativas. Uma delas, a escolhida, é assumir a não escolha e tomá-la como sua. Identificar sentimentos e resistências, compreendê-los e ressignificá-los. Lidar passo-a-passo com cada desafio que a novidade apresenta, buscar o melhor, esperar o melhor.

E foi assim, no meio dessa busca pelo melhor, que você nasceu. Tinha apenas 37 semanas, mas achou que não devia mais esperar. E numa manhã de sexta-feira, após a explêndida lua azul, iniciou seu processo de partida (e chegada), intencionalmente abreviado pela cesariana. Às 14h15 você chorou. Que alívio saber que tudo estava bem. Que delícia ver suas bochechinhas e seu cabelinho preto e farto, como os meus!

Sim, você é meu filho, meu novo amor e, com todo o carinho e dedicação cuidaremos de você! Para que se torne uma pessoa íntegra, feliz, capaz de contribuir positivamente para um mundo melhor e que saiba viver plena e intensamente a vida que escolher. Estou convicta que foi para isso que veio.

A palavra

E a palavra fez-se verso
criou vidas e formas
transformou ideias
ampliou caminhos.

Sentindo-se livre,
ganhou o mundo.

E conheceu inimigos.

Pois há quem não suporte o verso livre,
o pensamento solto, o diverso, a dúvida,
as múltiplas possibilidades.

E quiseram prender a palavra
e matar o verso
e impedir a fala
e limitar o ser.

Mas a palavra reinventa caminhos
e renasce o verso
e liberta a fala
e transcende o ser.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Quase 36 semanas

Essa espera aparentemente longa vai chegando ao seu fim. Daqui a algumas semanas você deve estar se juntando a nós num novo tipo de contato – de cara para o mundo. Conheceremos seu rostinho, poderemos carregá-lo, ouviremos seu choro. Estamos nos preparando para sua chegada. Reorganizando espaços, expectativas e tempos. A barriga pesada do final da gravidez vai me forçando naturalmente a desacelerar, a sair do ritmo da vida moderna e urbana, e entrar na cadência da pequena vida que requer cuidado, atenção, vagareza.

No começo, você apareceu como susto, espanto. Um ponto fora da curva estatística. Uma exceção, uma provocação às probabilidades. Decidido, virou-me do avesso. Encontrou fortes aliados. Como a irmã maior que há tempos ansiava sua presença.

Lentamente tive que me acostumar à ideia. Lentamente comecei a gostar...

Agora te abraço em meu ventre. Curto o momento em que está em mim. Sei que em breve partirá. Nossa relação mudará. O abraço deixará de ser exclusivamente meu. Você conhecerá outros braços, e sorrisos, e cores. O mundo se revelará fascinante a seus olhos, ouvidos e mãos. Você experimentará infindáveis e indescritíveis sensações. Não se lembrará desse início, nem sentirá falta disso (que bom!). Mas eu sentirei sua falta em mim!

Quando você chegar, saiba que estivemos te aguardando e que estaremos prontos para te amar. Intensamente!



quinta-feira, maio 31, 2012

A favor de lei que proíba violência física contra crianças

"Os castigos corporais a adultos estão proibidos em mais da metade dos países do mundo; no entanto só 15 dos mais de 190 Estados existentes proibiram todos os castigos corporais a crianças, inclusive na família."

Como assim? Direitos humanos, direito à integridade física e à dignidade só valem para adultos??

"O Comitê dos Direitos da Criança após sua discussão sobre "violência contra crianças na família e nas escolas", em 28 de setembro de 2001 considerou inaceitável a violência contra as crianças, sejam quais forem as circunstâncias. Reconheceu que as diferentes formas de violência contra as crianças (como castigos corporais, intimidaão, assédio e abuso sexual, assim como abuso verbal e emocional) são interligadas e que a violência no contexto da família e a violência no contexto da escola reforçam-se mutuamente. Que as medidas contra a violência devem partir de uma abordagem holítisca e enfatizar a intolerância por todas as formas de violência. A violência física e outras formas mais graves de violência são mais prováveis onde a hostilidade cotidiana é tolerada. Tolerar a violência numa esfera torna mais difícil resistir a ela em outra."

"Num seminário do Conselho da Europa, realizado em Estrasburgo em novembro de 2002, o vice-secretário-geral do Conselho concluiu que "é de vital importância que todos os que se preocupam com as crianças, tanto coletiva quanto individualmente, trabalhem para acabar com os castigos corporais impostos a elas (...) Por isso, eu gostaria de aproveitar essa oportunidade para exigiri dos governos dos Estados-Membros do Conselho da Europa que parem de defender - ou disfarçar como disciplina - a violência deliberada contra crianças e aceitem que as crianças, como os adultos, têm o direito humano fundamental de não serem agredidas. (...) Não pode haver linhas divisórias no respeito aos direitos humanos." (De Boer-Buquicchio, 2002).

"Na Itália e em Israel, o Supremo Tribunal declarou que todos os castigos corporais, inclusive no lar, são ilegais: a sentença do Supremo Tribunal da Itália, proferida em 1996, em Roma declara: (...) o uso da violência com finalidades educacionais não pode ser mais considerado legal. Há duas razões para isso: a primeira é a importância monumental que o sistema jurídicio (italiano) atribui à proteção da dignidade do indivíduo. Isso inclui "os menores" que agora têm direitos e não são mais simplesmente objetos a serem protegidos pelos pais ou, pior ainda, objetos à disposição dos pais. A segunda razão é que, como objetivo educacional, o desenvolvimento harmonioso da personalidade de uma criança, que assegura que ele/ela adote os valores da paz, da tolerância e da coexistência, não pode ser alcançado com o uso de meios violentos que contradizem esse objetivo."

E no Brasil, quando isso se tornará uma realidade?

Já conseguimos avanços no campo da punição e prevenção da violência doméstica com a lei Maria da Penha e os esforços que vêm sendo travados no sentido de efetivamente aplicá-la. Precisamos ainda muito avançar no sentido de melhor proteger nossas crianças. Educação não se faz com violência!!

Fonte: O caminho para uma disciplina infantil construtiva: eliminando castigos corporais/ Stuart N. Hart... (et al.) - São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2008.

quinta-feira, maio 24, 2012

Dilema materno essencial

Às vezes o coração de mãe dói apertado diante de alguma situação e a gente se pergunta tomada de angústia e culpa se está fazendo a coisa certa, tomando as decisões certas...

Mas quem poderá fornecer a resposta certa?...

terça-feira, maio 22, 2012

Gestando e amamentando

Tive a oportunidade de vivenciar uma experiência interessante - amamentar enquanto grávida. Se amamentar um bebê de mais de um ano já causa algum incômodo em algumas pessoas, que acham que criança com dente não tem que mamar (engraçado que não há preconceito contra leite em pó, nem de garrafinha, ou longa vida com conservantes para adultos com ou sem dentes), imaginem se a mãe está, além de tudo, grávida. A lista de mitos é ainda maior.
Felizmente, minha médica compreende a importância do aleitamento materno e orientou a apenas a cuidar da alimentação bem balanceada, da ingesta hídrica adequada e prestar atenção se em algum momento havia a ocorrência de contrações decorrentes do estímulo da sucção, o que nunca aconteceu.
Com isso a filhotinha mais nova, que logo perderá o reinado de caçula, teve a chance de aproveitar um pouco mais dos benefícios do leite materno. Agora, aos 19 meses e meio (e aos cinco meses e meio de gravidez), ela está iniciando o desmame, num processo bem natural, espero que tudo corra bem, para que em breve comecemos tudo de novo, numa nova história.