domingo, agosto 26, 2007

Mais de crianças


As crianças são mesmo maravilhosas, surpreendentes, engraçadas. E nos dizem coisas inusitadas, verdadeiras, simples, constrangedoras. Aqui seguem algumas das últimas.

Cena 1:
A mãe abre o armário de perfumaria da filha de 6 anos e percebe que todos os seus vidrinhos de gloss (brilho labial) estão envoltos em papel higiênico formando rolos mal ajambrados. Conclusão materna: os vidros devem estar vazando, melentos e a filha teve essa idéia para não sujar o armário. Que gracinha! Por via das dúvidas, pergunta:
- Meu bem, por que todos os brilhos estão enrolados em papel higiênico?
- Porque eles estavam com frio!
Moral da história: As crianças têm razões que os adultos desconhecem.

Cena 2:
A mãe, só o quimba, às 7 da matina, arruma, de olhos praticamente cerrados, o filho de 4 anos, para ir à escola. Para simplificar a vida e economizar tempo, decide que não vai trocar a blusa do pijama, que passa tranquilamente por uma peça de roupa -quem sabe até não rola voltar para a cama depois! Após arrumar o rebento, alimentá-lo, enfia-se numa calça jeans, dá uma ajeitada no cabelo, mais uma lavada no rosto para acordar e parte.
Já na escola, cumprimenta a "tia" e entrega-lhe o filhote, que arremata: "Tia, sabia que a minha mãe nem tilou a blusa do pijama pala vir me tlazer?"
Moral da história: As crianças são infinitamente mais honestas que os adultos. E gostam de dar explicações.

Cena 3 - ainda do sobrinho de 4 anos:
- Vovó, eu não quero que o vovô fique velho.
- Por que não, meu filho?
- Porque quando a pessoa fica muito velha, ela morre. E eu não quero que ele morra!
Moral da história: alguns desejos nunca envelhecem, nem morrem.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Cenas do cotidiano de um casal de padrinhos brasileiros viajando

Nota preliminar: Escrevo, logo existo.
(NT: sobrevivi aos vôos)

Cena 1: Acordando para viajar
O despertador histérico toca às 5 da manhã. A esposa finge que não é com ela. O marido atende ao chamado e o desliga. Em seguida inicia o lento processo de despertar. Resolve ligar no aeroporto para saber se o vôo está no horário. A esposa esquece o pedido feito na véspera e reza de última hora para o vôo estar pelo menos uma hora atrasado. Pedido negado.

Cena 2: Tentando beber água
Após chegarem ao aeroporto de Belzonte, o casal decide parar num quiosque para tomar um café. Resolvem também comprar uma garrafa d'água para levar n viagem de carro que se iniciaria em breve. Lancham, passam na revistaria, não compram nada, pegam o carro na locadora de automóveis - após extensa burocracia, registre-se - e dão partida. A esposa lembra que esqueceu da água. Volta ao quiosque, explica a situação para a atendente, que diz que não pode dar a água. Como não? Eu paguei a água e não peguei! É verdade, ela pagou uma água, intromete-se oportunamente a caixa com memória boa. Mas você tinha que ter pego na hora, responde a atendente programada para executar procedimentos. (Então você tinha que ter me dado na hora, penso.) Tudo bem, mas acontece que deixamos para pegar depois que lanchássemos, para que não esquentasse, e acabamos esquecendo. Sinto muito, não posso fazer nada. Você acha que eu iria mentir para você e inventar essa história por causa de uma garrafa d'água, além do mais a sua colega confirmou que eu paguei. Não estou dizendo que você está mentindo. Bem, se eu não estou mentindo e eu paguei a água, eu quero levá-la! Eu não posso fazer isso porque você não tem a ficha, então eu vou ter que ligar para a gerente. Então ligue, por favor. Enquanto a outra ligava, a esposa, sob uma súbita onda de tranquilidade, tenta continuar argumentando - puxa, você não se lembra, vim aqui um pouco antes, com meu marido - um moço alto, loiro, de olhos verdes, camisa vermelha... seu rosto muda subitamente de expressão, aparece uma face de "hmmm, acho que sim..." A esposa aproveita o gancho, diz que então vai chamar o marido para que ela se recorde. Volta ao carro, "Amor, vai lá buscar a água, por favor, que a moça não quer me entregar porque não tenho o cupom e ela diz não se lembrar de mim, mas tenho certeza de que vai se lembrar de você". Dito e feito, mal o moço alto e loiro chega que a moça de memória recuperada lhe entrega pronta e facilmente a tão desejada garrafa d'água.

Cena 3 - Inspecionando o carro alugado
O casal entra no carro alugado e percebe que não há DVD-player, conforme fora combinado no momento da reserva do veículo. Volta e reclama - ué, nós havíamos solicitado um carro com DVD, vocês não têm? Temos, mas acabou.

Cena 4 - Testemunhando o casamento
O casal de padrinhos provenientes da capital federal, preocupado em fazer tudo certo, assegurou-se de chegar na véspera da cerimônia, ainda a tempo para o breve casamento civil no cartório, onde além de testemunhas, serviram de cinegrafistas e fotógrafos. Chegaram antes dos noivos, destaque-se. Entretanto, o mesmo não ocorreu na cerimônia do casamento religioso, que teria lugar em uma pequenina e singela cidade próxima a Cataguases, chamada Vista Alegre. O casório estava marcado para às 4 da tarde. 4h25 chegam à igreja. Noivos já no altar, cerimônia em andamento. O padre não tolerava atrasos. Certamente tinha muitos compromissos na grande congregação vistalegrense e não podia se dar ao luxo de aguardar convidados forasteiros que saem atrasados e se perdem no caminho. (Pausa para justificar o atraso:
1)manhã percorrendo o centro da cidade para comprar um sapato novo para a dama já que o dela foi esquecido em Brasília;
2)cabelereira resolve desmanchar todo o penteado da pequena dama - depois de pronto, porque não considera que ficara bom o suficiente
3) o salão não providencia uma manicure para trabalhar simultaneamente enquanto a cliente-madrinha preocupada escova o cabelo (e desiste de fazer um penteado, conforme anteriormente planejado). Aliás, a manicure que iria fazer a unha da madrinha tinha acabado de ser demitida e tiveram que aguardar chegar a outra, que estava fora da profissão há um tempo (tentando a vida de outra forma em Juiz de Fora) e que faria naquele momento sua reestréia (embora a cliente não soubesse de nada até então) e que levou simplesmente uma hora e vinte para terminar as 20 unhas!
4)vestido novo completamente amassado + nenhuma passadeira de plantão + necessidade de se fazer surgir uma na marra, usando-se a cama como tábua e sem passa-fácil
5)restaurante lerdo.
Enfim, pequenas coisas irrelevantes, impensáveis e imperdoáveis para um padre. Tudo bem! Que os noivos nos perdoem! Se boas intenções valerem de algo!!
Após tirar algumas fotos e fazer algumas filmagens do alto e por detrás da igreja, os padrinhos e a pequena dama são chamados para aprochegarem-se ao autar. Assim o fazem, ainda a tempo de assinar o livro de testemunhas (testemunhando o casamento visto pela metade!), cumprimentar os noivos e seus pais, pousar para fotos, desfilar na saída da igreja e jogar arroz nos noivos felizes, lindos e recém-declarados marido-e-mulher.

Cena 5 - Festa de casamento na fazenda.
Fazenda linda, vista linda, alto do morro, após 8 km de estrada de terra (o que é bastante para uma brasiliense nascida e criada no asfalto e no concreto). Paisagem bucólica, muito verde, sensaçao de paz e tranquilidade. Festa ao ar livre. Mesas belamente decoradas. Casal de padrinhos encantados, tirando muitas fotos com a família, inclusive com a irmã-cunhada grávida de 5 meses. A noite caindo, o clima esfriando. A madrinha precavida resolve trocar de roupa - levara calça, sapatos de saltos baixos, casaco de lã, tudo para não sentir frio nem cansaço. Leva a filha impaciente com o vestido chique e ansiosa para vestir suas calças jeans. As duas trocadas, já saindo do quarto, chega o pai-padrinho esbaforido. Vamos lá que vão tirar as fotos agora e estão nos chamando. A daminha imediatamente declina do convite, diz que não vai pôr o vestido de novo e que quer brincar com os primos. O paidrinho vai lá fora para ver o que faz. Volta correndo, diz que tudo bem, mas que está na nossa vez. A madrinha - the flash, tira os sapatos, meias, calça, blusa de manga comprida, casaco, põe o vestido, os brincos, passa batom, arruma a mala mais ou menos e sai correndo de volta para a festa. Encontra todos os convidados correndo para dentro da casa. O marido-padrinho explica 'começou a chover, tá todo mundo entrando, não vamos tirar fotos agora'. A madrinha desapontada resolve, então, ficar vestida para fotografia, ademais o clima já estava mais caloroso dentro de casa. O astral da galera continua supervibrante. Chove, pára, secam-se as mesas, voltam os convidados para fora, chove, entram de novo, decidem ficar. Música, dança, conversa fiada e, finalmente, para terminar com chave de ouro: doces, muitos doces, lindos e deliciosos!

Cena 6 - Voltando para casa
4 horas de estrada. Chegada aos Confins do mundo às 9 da noite. Vôo marcado para às 22:00. No painel, horário previsto para a partida: 23h45min. Cansados, com sono, com frio, na noite mais fria do ano, decidem lanchar. Felizmente acham lugar na única lanchonete com mesas internas do aeroporto. Cliente dorme em frente a um copo de cerveja. Canja, suco, sanduíche. Espera no chão carpetado do saguão. Vôo finalmente parte a 0h20min. Chegam em casa às 2 da madruga. Só o maracujá. Filha de 25kg (45 dormindo), no colo. Sensação de missão cumprida. Aliás, lembram os padrinhos displicentes, parcialmente cumprida, porque do presente os noivos esperançosos não sentiram ainda nem o cheiro!

quarta-feira, julho 25, 2007

Murphy e eu


Sou uma das muitas pessoas neste planeta cuja vida é regida pela Lei de Murphy.
Meu marido discorda de mim, não gosta quando falo isso. Acha que, acreditando na maior probabilidade do erro, acabo por provocá-lo. Ele não entende a ordem das coisas. Não foi assim que as coisas começaram. Ele não é um dos escolhidos, por isso não consegue compreender.
Tenho muitos exemplos. Vários já esqueci, outros ainda pretendo trazer aqui, o último quero compartilhar agora.
Preliminarmente, é importante registrar que, após uma vasta experiência de intempéries e sofrimentos (que quase sempre acabam bem no final, pelo menos), tenho me cercado de estratégias para evitar os problemas e, depois, não poder culpar a teoria de Murphy.
Há pouco mais de um mês, fomos convidados pelo meu cunhado, para sermos padrinhos de seu casamento. Imediatamente após aceitarmos, dirigi-me a Santa Internet e me assegurei da compra das passagens a valores bem interessantes, pude escolher bem os lugares (para que não viajássemos separados ou do lado do banheiro ou na porta da emergência...), parcelei de tal forma que não ficasse pesado e que não durasse a vida inteira, blá, blá, blá. Alguns dias depois, usando todo o meu conhecimento de planejamento e estratégia, iniciei a busca por um vestido. Encontrei-o numa loja bem legal, onde me serviram champagne e tudo mais. Usei como forma de pagamento a minha primeira folha de cheque "Estilo" do Banco do Brasil - nada mais adequado. Segundo a Fiat, "stilo" é algo que você tem ou não tem. Segundo o BB, o tal atributo não é para todos e eles têm feito muita propaganda alardeando as muitas vantagens de ser um "cliente estilo". Tinha saído do banco dois dias antes - quando levei cópias de todos os meus documentos para "atualizar cadastro" - levando meu talonário chique e me sentindo muito estilosa. Assim também me senti comprando vestido de festa e tomando champagne. Tudo combinando com o meu estilo!
Dois dias após a compra, volto de uma reunião no trabalho e vejo um recado sobre minha mesa dizendo que a gerente do BB tinha ligado às 10h38. Eram 11h10. Retornei a ligação, pensando no que deveria ser. Logo sou comunicada de que eles tinham devolvido um cheque meu (o tal do vestido!!) porque a assinatura estava "com-ple-ta-men-te diferente da do cartão de autógrafo".
Fiz 3 segundos de silêncio.
- Como assim?, devolvido!? Como assim a assinatura está diferente? Essa é a minha assinatura há meses, quiçá há anos!!! Além do mais, eu fui aí na agência há 3 dias atualizar meu cadastro e não me foi pedido para atualizar assinatura!!! Que palhaçada é essa de cliente estilo, então, se vocês não tem a mínima consideração de me contactar antes de devolver um cheque???
- Mas eu tentei contatar, liguei aí e avisei que precisava falar urgente! (mentira, segundo minha colega que anotou o recado)
- Bem, se era urgente, poderia ter ligado no meu celular, cujo número eu te confirmei há 3 dias!! Além do mais, se você tivesse mesmo falado que era urgente, a minha colega sem dúvida teria me avisado onde quer que eu estivesse. Mas e aí? E agora?
- 'Ah, agora não tem jeito, porque o malote saiu às 11h e já foi .....' Nem me lembro para onde, me parecia um lugar muito longínquo, inatingível. Esbravejo um pouco com a criatura, desligo o telefone, sinto o sangue todo no topo da cuca, a vontade de esganá-la aos poucos e penso no grande estilo da inauguração do meu cheque. (Segundo o meu marido, a diferença entre o cheque estilo e os outros é que dos primeiros eles conferem a assinatura! Que saudade do meu cheque ouro sem estilo!!)
Entro na Santa Internet, procuro o telefone da loja, não acho, procuro o telefone do shopping, ligo para descobrir o número da loja, tento falar com a gerente que não está, falo com a vendedora, aviso da situação e que ela pode reapresentar o cheque assim que ele chegar.
Ao meio-dia, saio do trabalho, vou à agência do Banco (feliz da vida!), pego senha, sento, espero, chego ao gerente de relacionamento - que felizmente não era a minha (que corria risco de ser esganada em público!), conto toda a ladainha, dou meus 3 autógrafos e o eficiente funcionário consegue, milagrosamente, após algumas teclas, parar, no sistema, o meu cheque, que volta para ser, justa e finalmente, compensado.
Cumprida essa etapa, levo o vestido, com três semanas de antecedência da viagem - registre-se! - para ser ajustado, pois estava meio largo. Iria buscá-lo no fim-de-semana seguinte, mas como tive que viajar, acabei indo somente duas semanas depois. Tudo bem, pois ainda faltava uma semana - tempo suficiente para lavar e secar. Volto lá nessa costureira que me atende há uns 8 anos, sempre de maneira muito eficiente e com muita qualidade. Desta vez, entretanto, das 5 peças que levei, 4 ficaram erradas (um índice de 80% de erro!!), inclusive e especialmente o vestido. Solicitei, então, que, pelo menos o vestido, fosse consertado com urgência, pois iria viajar, seria madrinha de um casamento, queria lavá-lo, tal, tal, tal.
Volto lá ontem - data marcada, 2 horas após o combinado. Você saiu com o vestido? Nem eu. Ainda estavam trabalhando no dito cujo - única urgência solicitada - e também nas outras 3 peças, cuja prioridade, havia bem salientado, não era necessária. Esperei 15 minutos, em meu horário de expediente, p. da vida, exercitando todo o meu auto-controle, para não ser deselegante. Até que desisti e avisei que voltaria no dia seguinte - hoje. Fui lá. Pegou o vestido? Nem eu. Ficou para amanhã: véspera da viagem!
Vamos ver se haverá vestido novo para o casamento, pois lavado já sabemos que não haverá! Aliás, vamos ver se haverá viagem, pois hoje, em determinado horário da manhã, 84% dos vôos que sairiam de Brasília registravam atraso de mais de uma hora. Vários foram cancelados.
Será que Murphy dará trégua e o meu vôo não será cancelado, nem sofrerá atraso, nem explodirá e as minhas malas chegarão todas e intactas?
Ou isso tudo já é pedir demais?

Observação: Quando estava quase no final desta postagem, apertei alguma tecla que fechou o blog e perdi parte do que não estava salvo. Tive que voltar e reescrever. Coisas de Murphy....

quinta-feira, julho 19, 2007

Hoje me vesti de negro


Hoje me vesti de negro
E fechei os olhos para as cores do mundo.
O meu coração era dor.
E o que não era dor era vazio.


Vazio de amor, vazio de esperança, vazio de energia.
Vazio...

Cansaço. Inércia. Lamento.
Tormento.

Desencanto,
desencontro,
descomeço. Recomeço? Descomeço. Descomeço? Descomeço,
Lamento.
Desacerto, desafino, desabrigo.
Desarrimo, desapego, desânimo.

Inércia.
Incapacidade, incredulidade, inabilidade.

Intangível, intocável, inatingível, inabalável.
Inverossímel, irrefutável, impossível, inalterável.

Preguiça.
Pachorra, parcimônia, paralisia.
Masmorra, cerimônia, catatonia.

Olhar perdido,
Ausência de sentido.
Ausência de cor.
Ausência.
Vazio...

Sobre morrer

Há no senso comum uma idéia de que a morte boa é a morte serena, a morte no sono.
Penso um pouco diferente.
Se pudesse escolher uma forma de morrer, escolheria ser metralhada.
Uma bala em cada ponto de dor e sofrimento que houvesse em meu corpo.
Seria rápido, pois odiaria morrer aos poucos, definhar, sofrer em longos capítulos.
Se pudesse escolher uma idade para morrer, escolheria o auge de minha vida.
Como um atleta que larga o esporte após a conquista de um título importante e segue lembrando e lembrado por seu ápice.
Odiaria enxergar minha própria decadência.
Se pudesse escolher um estado de alerta para morrer, escolheria a plena consciência até o último suspiro.
Odiaria viver meu último segundo sem saber que seria último, sem escolher um pensamento ou uma lembrança.
Se pudesse escolher uma companhia para morrer, escolheria estar sozinha.
Odiaria enxergar o meu fim no olhar de alguém querido.
Se pudesse escolher uma hora para morrer, escolheria logo após o pôr-do-sol.
Odiaria perder o último raio de luz do derradeiro dia de vida e, porque não dizer, preferiria não ver a escuridão.

Se pudesse escolher um dia para morrer, preferiria não fazê-lo.
Odiaria viver um dia inteiro sabendo que seria o último.
Se pudesse escolher entre morrer e não morrer, escolheria morrer.
Odiaria viver uma vida consciente de uma eternidade inóspita e sem objetivos.

segunda-feira, julho 09, 2007

Domingo eu quero ver domingo passar...


Hoje senti-me aprisionada.
Não me surpreendo.
São tantas as grades que nos prendem que o paradoxo é eventualmente experimentarmos alguma liberdade.
Há os medos e inseguranças, a desesperança e a incredulidade.
A ignorância, a incompreensão, a inconsciência.
Há o corpo limitado, a falta de dinheiro, a ausência de perspectivas, os erros de percepção.
São limites que possuo, que me imponho, a que me submeto.
Que me fazem, ou que sou.
Fatos, hábitos que não me deixam caminhar rumo ao que quero e acredito.

Porém nem tudo são limites. A vida pode ser boa, me lembro!
Há a imaginação, os sonhos, as visões, as experiências, os saberes.
Há as palavras, as notas musicais,
Suas múltiplas possibilidades.
Há o horizonte, o infinito, o além.
Há o espaço sideral.
Há o azul, o sempre, o para sempre, as crenças e as esperanças.
Há a fé.
...
Há o amanhã!...
Quem sabe...

segunda-feira, julho 02, 2007

A seca está chegando por essas bandas

Hoje meu nariz sangrou. Sinal inconteste de que a seca chegou.
Pelo menos na minha casa! Ou no ar que respiro aqui no centro do Planato Central do Brasil.
Acham que fiquei triste? Que nada!! Amei!! Só alegria!! Amo seca!!
Céu totalmente límpido, nenhuma nuvem... Contemplar o horizonte longe, longe, sem nenhuma interrupção, o olhar parece querer chegar no fim da Terra.
Brinco com minha filha de achar pedaço de nuvem. Temos que procurar muito...
Para ser mais maravilhoso só faltava avistar um mar muito azul no fim do céu!... Mas aí seria o paraíso! Aí não daria vontade de ir trabalhar, nem de estudar... Seria um convite ao ócio. Aí não ia prestar muito (será que não? ou será que é apenas a minha concepção limitada de mundo que me faz pensar isso?). Deixa prá lá...
Compartilho a opinião de alguns de que só devia chover em floresta e em plantação.
Aliás, se São Pedro fosse mais esperto não deixaria chover em cidade. Ainda mais em cidade brasileira. Para quê? Só para derrubar barranco, entupir boeiro, criar poça d'água e alagar casa de gente pobre.
Odeio poças d'água!!!
Com todas as minhas forças!
Elas não servem para nada. Assim como as baratas e todos os insetos em geral (e não me venha nenhum biólogo, entomólogo, estudiólogo argumentar o contrário, pois não pretendo ser convencida do contrário).
Sobre as poças d'água sempre passa um veículo conduzido por um motorista insensível e apressado que espirra água barrenta em nossa farda de trabalho e nem ao menos se dá conta do estrago que causou. Quando isso me acontece ao sair de meu carro, já fico furiosa. Mas e quando acontece depois de a pessoa ter passado uma hora no ônibus, ter tomado todo o cuidado do mundo para preservar sua integridade e manter sua aparência minimamente semelhante ao momento em que saiu de casa??
É de enlouquecer!! É de querer xingar a humanidade!!
Mas não vamos lembrar disso. Ainda temos pelo menos uns dois meses e pouco de estiagem. Aproveitemos!
Por isso, Brasília, se já te amo o ano todo, a mim pareces ainda mais linda sob o sol de inverno, quando teu horizonte se abre em azuis e amarelos e se fecha em tons de laranja e lilás.