sexta-feira, maio 30, 2008

Pensando positivo


Após alguns dias de separação, alguns mil kilômetros de distância, aguardava ansiosa o momento em que o maridão chegaria.
O encontro fugaz se daria no meio do Congresso, entre uma conferência e outra.
Uma mensagem no celular informa a chegada dele. O coração aperta.
Atravessa o salão e enxerga os olhos verdes e o sorriso largo do outro lado. Quando se aproximam percebe que ele está vestindo aquela blusa de malha verde desbotada com detalhes em amarelo fosco que ela odeia.
Por um segundo pensa no que é mais importante naquele momento - a alegria do encontro ou a roupa velha dele??
Dá-lhe um abraço apertado, um beijo discreto com promessas para mais tarde e comenta como que despretensiosamente "essa blusa??!!...". Ao que ele imediata e tranquilamente responde "Pense pelo lado bom, se estou usando agora, significa que não me verá mais com ela no restante da viagem!"
Olhando por esse lado...

terça-feira, maio 27, 2008

Coisas que eu sei - Danny Carlos

Sou de fases. De sono, de festa, de alvoroço, de calma, de prequiça, de energia, de vontade, de falta de vontade, de erupção, de introspecção, de fala, de ouvido, de leitura, de escrita, de sono, de música, de livro, de poesia... Coisas que eu sei, coisas que eu não sei, nem entendo... Estou numa fase Danny Carlos. É o último CD dela que está tocando ultimamente no meu carro. Essa é uma das minhas preferidas.

Poesia - Viviane Mosé

Semana passada estive em Gramado-RS participando de um Congresso de Recursos Humanos, o ESARH, e tive a agradável surpresa e experiência de assistir a uma palestra da filósofa Viviane Mosé, que se tornou popular apresentando o quadro "Ser ou não Ser" (que eu nunca vira), no programa Fantástico, da TV Globo. Ao final de sua exposição, ela declamou uma de suas poesias contidas no livro "Pensamento Chão", que, este sim, é realmente fantástico.

Achei o poema maravilhoso! Excelente para refletirmos sobre as maneiras que vemos e vivemos a vida.

A maioria das doenças que as pessoas têm
São poemas presos.
Abscessos, tumores, nódulos, pedras são palavras
calcificadas,
Poemas sem vazão.

Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado.
Prisão de ventre poderia um dia ter sido poema.
Mas não.

Pessoas às vezes adoecem da razão
De gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida
Escorrendo em estado de lágrima


Lágrima é dor derretida.
Dor endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida.
Alegria endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida.
Raiva endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida.
Pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor.
Tempo derretido é poema


Receita para arrancar poemas presos:
Você pode arrancar poemas com pinças,
Buchas vegetais, óleos medicinais.
Com as pontas dos dedos, com as unhas.

Você pode arrancar poemas com banhos
De imersão, com o pente, com uma agulha.
Com pomada basilicão.
Alicate de cutículas.
Com massagens e hidratação.

Mas não use bisturi quase nunca.
Em caso de poemas difíceis use a dança.
A dança é uma forma de amolecer os poemas,
Endurecidos do corpo.
Uma forma de soltá-los,
Das dobras dos dedos dos pés, das vértebras.
Dos punhos, das axilas, do quadril.

São os poema cóccix, os poemas virilha.
Os poema olho, os poema peito.
Os poema sexo, os poema cílio.


Atualmente ando gostando de pensamento chão.
Pensamento chão é poema que nasce do pé.
É poema de pé no chão.

Poema de pé no chão é poema de gente normal,
Gente simples,
Gente de espírito santo.


Eu venho do espírito santo
Eu sou do espírito santo
Trago a Vitória do espírito santo

Santo é um espírito capaz de operar milagres
Sobre si mesmo.

Fonte: Mosé, Viviane. Pensamento Chão. 2ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2008. p. 35-39.

domingo, maio 18, 2008

Vivendo numa quitinete

Há duas semanas estamos tendo uma experiência nova e interessante. Nossa família de três pessoas, uma delas tendo 1,93m e mais de 100kg e outra possuidora de uma renca de roupa e de trecos, têm aprendido a conviver em um ap de 3 cômodos - banheiro amostra-grátis que acumula a função de área de serviço; quarto da criança e closet e, por fim, o maior de todos - sala e cozinha conjugados, que também funcionam como home theater, sala de estar, sala de jantar, escritório, hall de circulação e quarto do casal. Bom-bril perde de disparada!

O interessante é que um pouco antes de vir para cá, na verdade, há alguns meses, após ter passado um longo processo terapêutico e de auto-conhecimento, buscando compreender as razões e as relações entre mim e a lógica do consumo, após ter participado de cursos e palestras sobre "Finanças para Casais", "Finanças para Mulheres", "Orçamento Familiar", "Emoção e Dinheiro"..., após ter lido artigos, blogs e livros sobre o assunto - "Casais Inteligentes enriquecem juntos", "O significado simbólico do dinheiro", "O que as mulheres querem saber sobre Finanças Pessoais", decidi ser uma pessoa mais frugal e simplificar minha vida.

Decidida e definitivamente, me tornaria uma mulher simples.

Chega de frescurinhas, de mil acessórios, de sapatos novos a todo mês, de salão de beleza toda semana, de uma compra a cada saída para o shopping, de shopping toda semana... Não, essa era estava encerrada. Nascia uma nova mulher. Impermeável aos apelos do marketing e da sociedade materialista e consumista, segura de suas convicções, adepta e exemplo de um outro estilo de vida.

Troquei os saltos altos por saltos baixos, as calças de viscose por calças jeans. Em vez de esmaltes, no salão, lixa e base, passados em casa. Os cabelos, ao natural ou presos em rabos de cavalo. Estava quase uma Heloísa Helena. Achava que, em breve, poderia chegar a cogitar trocar a capital federal por São Jorge, na Chapada dos Veadeiros.

Até que tivemos que nos mudar. Ainda em casa, tive que selecionar o que viria para o novo apartamento. Havia apenas um guarda-roupa embutido de quatro portas (estreitas). Portanto, trouxe o mínimo necessário para uma sobrevivência digna por dois meses (prazo estimado para a reforma do lar-doce-lar). Desse mínimo, acabou que cerca de 2/3 continuaram acondicionados nas malas em que vieram, pois não couberam no armarito. Descobri que precisávamos rever nosso conceito de 'essenciabilidade'.

O mesmo aconteceu com a reserva da despensa. Descobri (um pouco tarde) que não poderia ter mais que "um" item de cada na reserva. A não ser leite, que podia ter "seis". O excedente durável foi empacotado e destinado ao depósito, o que tinha prazo de validade curto foi doado. Descobri que, na maioria das vezes, um (ou dois) é suficiente.

Mas o maior choque, o momento em que descobri que ainda estava muito longe na escala da simplicidade, que precisaria adiar ainda por muito tempo a mudança para São Jorge, foi o momento em que me deparei com o banheiro do novo apertamento:
1) A pia não tinha bancada! Ainda existe pia sem bancada e armário embaixo?? Pensei que estivessem extintas!
2) O armário era daquele tipo minúsculo e embutido na parede, com porta de espelho. Esses não estão extintos!!! Fiquei em estado de semi-paralisia. Olhei vagarosamente para baixo, para o local onde havia pensado, então, em colocar um gaveteiro plástico comprado na Tok Stok e que seria perfeito para dispor os itens de banheiro. Não!!!! Simplesmente tinha metade do tamanho necessário para o gaveteiro. Oh Céus!!! Onde ficarão meus sei-lá-quantos cremes, para o corpo, para o rosto, para as mãos, para os pés, para o dia, para a noite, meus estojos de maquiagem, caixas de batons, meus vidros de perfume, protetores solar, pacotes de cinco tipos de diferentes de absorventes íntimos, de algodão em bolas, algodão em círculos, algodão em rolo, potes de condicionador, demaquilante, tonalizante, esmaltes e removedor, cera, folhas e aparelho para depilação e outros apetrechos diversos, como lixas de unha, pinças, creme dental, escovas de dente - manual e elétrica...???

Oh Céus!! Como doeu a constatação!! Não sou simples!! Uma pessoa simples tem um ou dois!!

Bem, me resignei com a constatação e busquei uma solução criativa para acomodar todas as minhas frescurinhas, de modo que ficassem bem guardadinhas e esteticamente agradável ao olhar!!

É bom que fique claro que não fui a única a estranhar o novo aposento. O marido resolveu passar a fazer a barba no trabalho, pois não conseguia conciliar a sua altura, a do espelho, a largura do banheiro e a da pia e fazer os pêlos seguirem a direção desejada (que não fosse o chão, o seu pé, as minhas caixas de badulaques...). E a filha ainda não se adaptou ao chuveiro elétrico que esfria no frio e esquenta no calor!

Ao lado desses aprendizados, temos tido outros. Como a descoberta de que passamos a ficar muito mais juntos estando aqui. (Santa Inocência! Nem que não quisesse!!) Nos primeiros dias, então, que não tínhamos nem televisão, nem internet, nem telefone fixo, percebemos como as noites eram mais lentas e como nos aproveitávamos e conversávamos mais. (Até passei a realmente compreender aquela piada maldosa sobre não ter televisão e ter muitos filhos!..) Também não tínhamos filtro de água nem gás encanado para o fogão, mas isso confesso que não me fez falta. Comprávamos água mineral e almoçávamos fora, o que tinha o seu desfrute...

O marido romântico até cogitou trocarmos o nosso ap. por uma kit, ou aproveitarmos a reforma e colocarmos a maioria das paredes abaixo, para que pudéssemos nos "ver" mais. Achei super legal, mas logo lembrei que, além de o projeto estar todo pronto e já iniciado, isso atrapalharia bastante o valor de mercado e provavelmente dificultaria o processo caso resolvêssemos vendê-lo um dia, o que o fez rapidamente recuperar a lógica e o pragmatismo do pensamento.

Bem, o fato é que tudo realmente tem seus prós e seus contras. O bom é poder aproveitar todo o bom que a vida tem a nos oferecer!!

quarta-feira, maio 14, 2008

Pai Herói

Era uma tarde de sol na pequena e pacata cidade goiana de Morrinhos. O pai aposentado acabava de cumprir um de seus rituais e entrava no carro, após ter realizado a visita sagrada ao Banco.

Tudo seguia como de costume, quando um meliante de plantão aproximou-se do satisfeito motorista já sentado e pediu-lhe a carteira. O pai rebelde negou-se a entregá-la. O bandido compreensivo solicitou então que lhe fosse dado o carro. O pai irredutível novamente nega-se a entregar-lhe qualquer coisa (neste caso, as chaves do estimado (e recém-adquirido, diga-se de passagem) meio de transporte). O larápio, a esta altura, impaciente, toma-lhe, então, os óculos da cabeça e sai caminhando apressadamente.

Pensam que a vítima insolente deu-se por vencida?

Claro que não! O fã de Chuck Norris e Charles Bronson (e mais recentemente de Jack Bauer) não titubeou. Ligou o carro e saiu, sorrateiramente, a seguir o inimigo, que, satisfeito com sua vitória, não percebeu que era observado de perto e entrou tranqüilamente num bar.

Iluminado por uma faísca de bom senso, o aspirante a investigador resolve procurar um policial de verdade. Felizmente, conseguiu encontrar um do tipo bem-disposto-e-eficiente, que não só o acompanhou até o bar, mas prendeu o sujeito e recuperou os tão desejados óculos!

Nada como um final feliz!! O vilão na cadeia e o herói recuperando-se do susto!!

segunda-feira, maio 12, 2008

Obra à vista

Neste texto, ocasionalmente havera acentos, conforme a vontade da máquina.

Finalmente, após dois anos de indefiniçoes e indecisoes, definimos que faríamos a reforma que estávamos gestando há um tempo e decidimos que, para isso, sairíamos de nosso ap, nos mudaríamos para uma quitinete e colocaríamos todo o restante de nossos móveis num depósito.

Atualmente, este e o nosso apartamento:







Fico satisfeita em ter um marido sensato que me convenceu de que deveriamos tomar essas duas providências se quiséssemos realmente trocar o piso, o teto e algumas outras coisas do nosso lar, doce lar. Caso contrário, estaríamos imersos em poeira e pedra e eu a beira de um ataque de nervos, enquanto tentava sobreviver as sucessivas crises alergicas.

Para nos mudarmos, tivemos que fazer uma seleção do que seria utilizado nos próximos 45 dias e o que era excedente e deveria ser guardado. O processo foi lento, cansativo e doloroso.






Deparei-me com a crua realidade de que acumulamos muitas coisas desnecessárias. Mas isso será uma outra historia.

Após nao sei quantas horas de trabalho, de termos ido dormir aas 5 da matina, acordado aas 8, com a chegada do caminhao, passado o dia na ralação, ate aas 8 da noite, chegamos com as coisitas no ap novo.



Não preciso dizer que, logo após isso feito, repentinamente necessitamos de uma serie de itens inusitados - um mini-dicionario de portugues para a filha em alfabetização, a caixa de tinta guache para o primeiro dever da filha, em 5 anos de escola, que requeria esse material, o chuveiro elétrico reserva para substituir o do ap. novo que nao esquenta - todos devidamente encaixotados e guardadinhos no depósito. Sem dúvida, o pior foi a pasta contendo todos os projetos da obra, armazenada por engano e que requereu uma visita ao local, a retirada de 8 caixas cheias, ate achar a que guardava o material precioso. A caixa de utensilios de regulagem da água do aquario do peixe beta da filha nao mereceu tamanho trabalho e teve que ser substituída por novos itens.

Quem disse que a vida era facil??

quinta-feira, abril 24, 2008

(Outras) Conjecturas sobre o caso Isabella Nardoni

Já estou cansada de ouvir e de falar desse caso. Não sou a única. As pessoas estão estafadas dessa história. Não se agüenta mais repetir a seqüencia horrenda de fatos e ouvir os depoimentos descarados da família Nardoni e de Ana Carolina Jatobá. O pior é que não se consegue não falar disso. Como se fosse algo mais forte do que nós. Criou-se um círculo vicioso entre comportamento da mídia e das pessoas. Um circo vicioso. Não sei quem começou, embora aposte minhas fichas na imprensa. Quanto a mim, espero não tocar mais nesse assunto.

Cada vez fica mais óbvia e ululante a culpa deles. Se tivessem um pingo de nobreza confessavam e nos poupavam dessa ladainha, mas além de assassinos são mentirosos deslavados. E não me venham falar de julgamento precipitado, pois com as provas técnicas que já foram divulgadas, qualquer criatura de bom senso já foi convencida (e olha que não era algo que se gostaria de crer). Só tem dúvidas quanto às evidências das provas os próprios, a família, os advogados de defesa, os sempre contrários à polícia e aqueles que têm interesse em polemizar. Ainda não identifiquei outros grupos.

O que me espanta não é a mentira deles, pois de quem fez o que fez (ressaltando não tratar-se de ação isolada - que fez o que era acostumado a fazer, só que em um grau mais avançado), não se espera comportamento muito diferente. Mas o que me assusta, o que me deixa ainda mais indignada é a cooperação mentirosa (e criminosa) da família. Me parece que sempre há a expectativa de que os pais tenham uma atitude de correção diante do comportamento inadequado dos filhos, que venham contribuir para sua educação e formação. Assim como foi com os pais de um dos culpados pela morte do menino João Hélio. Foram eles que denunciaram à polícia o paradeiro dos suspeitos - se meu filho errou, ele deve responder por seus atos. Imagino que não deva ter sido fácil para eles. Mas fizeram o que era correto. O que tinha que ser feito.

Não é o que a gente vê nessa família Nardoni. Em vez de esse pai, essa irmã dizerem: olha, a gente te ama, mas você tem que aprender a assumir as conseqüências dos seus atos e não seremos coniventes com essa farsa, com esse crime, com esse imbróglio. Não seremos mais condecendentes com os seus erros. NÃO!! Participam e pioram a situação!! E passam a mensagem completamente inadequada de que devemos fazer TUDO por nossa família. Até mentir. Até forjar. Até ser conivente.

Aí, na verdade, a gente começa a compreender os possíveis porquês de isso ter acontecido. O tipo de educação que esses jovens receberam em suas próprias casas. O tipo de relação que foram acostumados a estabelecer.

Não entendo porque esse sentimento de empatia não foi destinado à menina, que era a única vítima dessa história. Quer dizer, a única não, pois ainda há as outras duas crianças, que participaram de tudo, sabe-se lá como, e de, provavelmente, muitas outras situações de risco. Esse é outro ponto. Com quem ficarão essas crianças no futuro?? Com essa família???

Hoje ouvi uma coisa que me deixou boquiaberta no jornal 'Hoje em dia', da Record. Comentava-se a respeito da possibilidade de o irmãozinho ser ouvido no caso. (A essa altura do campeonato não entendo nem por quê nem para quê estão cogitando isso!) A jornalista me sai com a seguinte pérola, algo assim: "Fico imaginando se acaso esse menino venha a falar algo e depois no futuro descubra que foi o responsável pela prisão dos pais, como vai ficar em relação a isso?" Ao que foi logo apoiada pelo outro âncora, cujos nomes não recordo.

Aloô!! Como assim???!!!! Que inversão é essa??? Se os pais forem presos, os únicos responsáveis terão sido eles mesmos. Estarão simplesmente pagando (em moeda muito inferior) pelo que fizeram. A pergunta a ser feita é: como essa criança ficará tendo presenciado tudo o que presenciou??? Tendo passado por tudo o que passou?? Como essa criança tem vivido e viverá, tendo sido criada num ambiente familiar que tolera a mentira e a violência em todas as suas formas???

Gente, não entendo como um jornalista, alguém que pode contribuir para formação de opiniões pode, no ar, em pleno meio-dia e meia, falar uma bobagem dessa dimensão!! A impressão que às vezes me dá é que eles têm que falar qualquer coisa que possa render matéria e pontos no ibope. Então como o assunto está esgotando, vamos inventar outr desdobramento e nos enveredar por essa linha, mesmo que não seja a mais adequada. Isso não importa. O que importa é continuarmos com o programa, é ganharmos pontos, é criarmos bastante sensação.

Sei lá, tudo isso é muito esquisito!! Tudo isso me deixa muito cansada. Espero que acabe logo. Espero que se resolva logo. Que os responsáveis sejam devidamente penalizados. Que seja feita justiça. Que essa menina descanse em paz.