segunda-feira, junho 30, 2008

Dilemas de mãe

Um dos meus maiores dilemas femininos hoje é conseguir administrar carreira e maternidade.
Infelizmente essas duas coisas tão importantes na nossa vida nos dias de hoje cismam de acontecer ao mesmo tempo. Seria legal se nossa carreira começasse efetivamente aos 50, ou quando nossos filhos completassem 18 anos. Ou quatorze anos, pelo menos. Poderíamos trabalhar dos 50 aos 80 e reservar os anos anteriores para cuidar da família! Tipo assim, o governo nos sustenta antes e a gente sustenta o governo depois!
Há duas semanas recebi um convite para ocupar um outro cargo. Posso considerar como uma espécie de promoção. Depois de um intenso conflito, aceitei. Nem tanto pelo cargo, mas talvez pela confiança que deposito nesse diretor que me convidou e nos projetos que têm para o futuro.
Uma coisa que ele me garantiu é que as reuniões nunca passam do meio-dia e nem das 18h30, o que me deixou mais tranquila. Mas mesmo assim, será que o tempo que passo com ela, ainda que eu tente encher de qualidade, é suficiente?
Será que no futuro me arrependerei por ter dedicado ao meu trabalho e aos meus estudos tempo e energia que eu deveria ter guardado para ela?
Como saber se estou fazendo o certo?

À minha filha

Filha, minha querida, sinto meu coração apertar quando penso em você. É tanto amor, tanta alegria que não poderia te explicar. Você só compreenderá quando tiver seus próprios filhos, disso não tenho dúvida.
Hoje você tem 7 anos e o tempo voa. Até você acha isso. E olha que quando eu era criança sentia o tempo de outra forma, parecia se arrastar.
Há pouco você cabia no meu colo e trocava o 'r' pelo 'l'. Hoje você quase calça o meu número, expressa seus desejos com clareza e propriedade e joga video game com maestria que nunca terei.
Enquanto você cresce, vai às aulas e brinca com seus amigos, eu vou ao trabalho, às aulas de espanhol, cuido da casa, estudo. Estamos juntas um pouquinho de nada pela manhã e na hora do almoço e um pouco a mais à noite e aos fins-de-semana.
Esse é um padrão 'natural' para você ou será que gostaria que tivéssemos uma outra rotina?
Você é feliz?
Considera-se verdadeiramente amada?
Sente falta de algo?
Preciso saber antes que seja tarde demais!!
...
Amo você com tudo o que sou!! Não se esqueça disso.

domingo, junho 29, 2008

Pensamentos de uma noite insone



Às vezes olho para mim e não me reconheço.
Não sei quantas vezes já disse isso.
Tenho dúvidas sobre meus quereres e meus motivos de alegria.
Ou minhas causas de tristeza, ou tédio. Ia dizer desespero, mas seria uma palavra equivocada. Não me desespero.
A falta de desespero talvez seja a prova inconteste do marasmo.
Que talvez se confunda com a desesperança,
com a ausência, com o despropósito, o vazio, o nada.
Tenho medo do nada!
Houve um tempo em que já quis tudo. Já desejei tudo. Já pude tudo.
Mas esse tempo passou.
Estou além e virei a esquina.
Sinto um vento a balançar meus cabelos e um frio na espinha.
Uma neblina úmida e a vista turva.
A cabeça dói e o peito aperta.
Quero chorar mas não consigo.
Queria um remédio para dormir.
Uma pílula que aliviasse tudo que houvesse de ruim, que me levasse para longe e me pousasse nas nuvens.
Queria uma música para entoar a minha vida e acalmar o meu espírito.
Um som que fosse profundo e verdadeiro. (mesmo que descontínuo ou desritmado)
Hoje não quero ritmo.
Hoje quero paixão...



Imagens:
1) Espelho Falso, René Magritte, 1928
2) Le tombeau des lutteurs, René Magritte, 1960

sábado, junho 28, 2008

Brasília em junho

Iniciada a temporada da seca. Já são quase ou já dois meses sem chover. Os céus andam lindos, os dias também. Não me canso de repetir: amo Brasília seca!!!

É tempo de ir ao clube com as crianças e exultar os dias





É tempo de contemplar o pôr-do-sol, ainda que no meio da rua





É tempo de admirar as flores, exuberantes e coloridas



É tempo de curtir a lua, tambem durante o dia



É tempo de festas juninas



Nem tudo são flores, nem amores. Também é tempo de padecer...

A vida necessita de pausas



Sinto que é hora de tirar férias quando:

- começo a ficar sem paciência com as pessoas e acontecimentos;

- vou ao mercado comprar carne, lembro de comprar toddynho, biscoito recheado, jujubas, Guia 4 Rodas 2008 e esqueço a carne;

- vou devolver o filme na locadora e quando chego à loja percebo que esqueci de levar o DVD;

- vou pegar a filha na escola e me dou conta já estou chegando em casa (sozinha!);

- vou trabalhando até mais tarde por preguiça de levantar e ir embora;

- em vez de preparar a aula que irei ministrar fico pesquisando roteiros turísticos;

- começo a sonhar acordada que estou na praia comendo ostra e tomando cerveja*;

- passo as reuniões desenhando obsessivamente figuras geométricas;

- fico imaginando um mundo em que todos os dias são domingo;

- começo a invejar a vida dos cachorros da minha mãe
...

Em breve, muito em breve, farei minha merecida pausa...

* Não curto ostra nem cerveja, minha cachaça é coca-cola...

sexta-feira, junho 27, 2008

Confusão das horas


Desde o ano passado a filhotinha recebe lições na escola sobre como ver as horas. Acho que foi a "matéria" que mais teve dificuldade. Na prova de fim de ano, errou todas as três questões referentes a relógio!

Esse ano ela começou a fazer progressos e eu comecei a compreender quais eram suas dúvidas. A primeira, fundamental e comprometedora de todo o sucesso futuro:

Nove e meia para ela era 9:06. Até eu descobrir isso levou muito tempo e quando caiu a ficha foi muito engraçado, até para ela. Ah, mãe, porque quando a gente fala nosso telefone, meia é seis, mas no relógio, meia é 30! (e na gaveta, meia é outra coisa!).
Sim, filha, meia no telefone é a metade de uma dúzia, que é doze, mas no relógio meia é a metade de uma hora, que tem sessenta minutos e, portanto, equivale a trinta minutos. Ah, tá! Ufa!

O segundo problema a ser enfrentado foi compreender que 13 horas era uma da tarde, 14 horas eram duas da tarde... 19 horas eram 7 da noite e sucessivamente. Depois de muitos diálogos e explicações, ela finalmente engoliu e hoje já sabe de cor.

O terceiro desafio foi explicar porque duas da manhã era de noite e não de dia. Preferi adotar a notação duas da madrugada a ter que me enveredar nesses caminhos obscuros.

Outro dia, ela vira e diz, mãe, vamos logo, já são sete e sete! Não, filha, sete e sete já passou, agora já são sete e dezenove. Ué, (olhando no relógio digital do carro), mas não são 19:19? Sim. Então, 7 e 7! Desafio final: não, filha, 19 é 7 quando é hora, quando é minuto continua sendo 19 - sete horas e dezenove minutos. Em casa te mostro no relógio de ponteiros.

Acho que agora conseguimos desvendar a complexidade do relógio!

quinta-feira, junho 26, 2008

Pesar


Meu pesar e minha admiração por uma mulher maravilhosa que se foi...



Tantas vezes o tempo é tão pouco para o tanto que há para se fazer!
Tanta gente faz tão pouco com o tanto que tem!
Outras tantas fazem tanto com o pouco que resta!
Que farei eu?
Que estou deixando para trás ou chutando pelo caminho?
Displiscente, distraída, desregrada...
O futuro me cobrará seu preço
O presente é imperdoável
O passado

passou...

sexta-feira, junho 20, 2008

Noite

A noite tem seus mistérios...
O dia tem a vida.
A vida da noite é avessa, diversa, louca,
pulsa prá dentro da gente.



(Foto do Maridão - Viçosa-MG - março/08)