sexta-feira, setembro 09, 2011

Vivendo e aprendendo

Coisas que a filhotinha tão precoce já aprendeu nesses 11 meses de vida:

- Impenetrabilidade, uma das propriedades gerais da matéria - ou seja, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço - se vê algo apetitoso já tira imediatamente a chupeta da boca.

- Lei de Avogadro - Um aumento do número de partículas implica o aumento do número de colisões - substitua-se partículas por amiguinhos na creche e imagine o resultado: bracinhos mordidos, cabelinhos puxados, tombos, empurrões e quedas.

- Na creche, também aprendeu acerca dos fundamentos da Terceira Lei de Newton, a Lei da Ação e Reação: A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade. Também já notou inconsistências nessa Lei, que deveriam ser levadas aos Congressos Internacionais, pois são capazes de alterar seu próprio status de lei: foram encontradas exceções!! Pasmem!! Nem sempre a intensidade da reação é a mesma da ação inicial!!

- A natureza é econômica em todas as suas ações (Malpertuis, 1744, suas ideias contribuíram para a posterior formulação do Princípio da Mínima Ação ou do Menor Esforço) - se o desejo é ir de um lugar para o outro e há alguém por perto, por que engatinhar? Basta reclamar com uma cara pidona que logo se consegue um transporte gratuito, no aconchego do colo, para qualquer lugar da casa. Aliás, isso contribuiu para o MEU aprendizado acerca da Primeira Lei de Newton, o Princípio da Inércia - Um objeto que está em repouso ficará em repouso a não ser que uma força resultante aja sobre ele ou, por outro lado, um objeto que está em movimento não mudará a sua velocidade a não ser que uma força resultante aja sobre ele. No caso, EU tenho que fazer a força!!



- Quem não chora não mama – lei universal amplamente conhecida desde os primórdios da humanidade, prescinde de comentários adicionais

terça-feira, agosto 23, 2011

10 anos e 10 meses


Esse é um mês especial. Tenho uma filha de 10 anos. E outra com 10 meses.
A situação é desafiadora e igualmente mágica e nunca mais irá se repetir. Não posso prescindir de fazer o registro histórico das muitas coisas que aconteceram nessas primeiras semanas de agosto.

A de 10 anos começou a fazer aulas de inglês. A de 10 meses comeu uma minhoca.
A de 10 anos ganhou um cachorro e está aprendendo a cuidar dele. A de 10 meses entrou na creche e passou bem o período de adaptação.
A de 10 anos está gostando de um menino da escola. A de 10 meses está sofrendo com o nascimento de seu quarto dentinho.
A de 10 anos colocou aparelho. A de 10 meses perdeu a chupeta preferida.
A de 10 anos foi a festas todos os últimos fins de semana. A de 10 meses acordou de três em três horas todas as últimas noites.
A de 10 anos começou a usar meus sapatos. A de 10 meses comeu um de meus sapatos.
A de 10 anos quer dormir e acordar tarde. A de 10 meses quer dormir e acordar cedo.
A de 10 anos não quer desgrudar de seu Nintendo DS, está preocupada com seus Puffs e com a decoração de seu iglu no Club Penguin. A de 10 meses faz uma dancinha quando nos entrega alguma coisa em mãos e gosta de ouvir (e dramatizar) Meu Pintinho Amarelinho.
A de 10 anos curte Justin Bieber, Selena Gomez, Drake and Josh e I-Carly. A de 10 meses se amarra na Dona Aranha.
A de 10 anos não gosta de ser contrariada. A de 10 meses também não.
A de 10 anos acha que tudo é pagar mico. A de 10 meses lambe a parede do restaurante.
A de 10 anos está fazendo operações com frações. A de 10 meses se diverte atirando objetos diversos no chão.
A de 10 anos fez um lindo cartão no dia dos pais e assinou pelas duas. A de 10 meses descobriu como fazer bocas e bicos divertidos.
A de 10 anos dá boa noite e diz que nos ama. A de 10 meses sorri seu sorriso quase banguela, dá seus gritinhos e estende seus bracinhos.
As duas gostam de abraços!


segunda-feira, agosto 01, 2011

Não há silêncio que não termine


Acabei de ler nesse fim de férias o livro-relato de Ingrid Betancourt sobre os seus seis anos e meio de cativeiro na selva amazônica, como refém das FARC. A leitura levou meses. Quando comecei minha filha acabara de nascer, terminei às vésperas de seus 10 meses. Isso porque não me foi possível fazer uma leitura contínua e regular, precisava de pausas, que duravam semanas ou meses, pois não era todo dia que eu tinha a coragem de conhecer e compartilhar dos detalhes sombrios dessa história real e cruel.

Pessoas que de repente foram privadas de suas vidas, apartadas bruscamente de suas famílias, seus trabalhos, suas casas e desprovidas de qualquer conforto e, pior, submetidas a tratamento desumano e degradante, sob todos os aspectos físicos, psíquicos, sociais e morais. E o pior sob a desculpa de ser um movimento revolucionáro, de libertação do povo. Pura balela!! Me surpreende e me enoja saber que há gente que ainda defenda um movimento com essas características, que se chama de social, mas que é puro terrorismo.

Dormindo em abrigos improvisados, muitas vezes sob chuva, nem sempre protegidos, numa mata inóspita em que não faltavam mosquitos, carrapatos, formigas, aranhas, que invadiam seus espaços e aumentavam sua tortura. Mal alimentados, não raramente adoeciam e nem sempre tinham o adequado e necessário tratamento. Obrigados a fazer caminhadas que duravam semanas e até meses para mudar de acampamento e restringir o risco de serem descobertos pelo exército colombiano, viam seus corpos sofrer em feridas, bolhas e pústulas e seguidamente definharem. Muitas vezes amarrados por correntes, presos pelos pescoços como animais, observando impotentes seus pertences serem subtraídos pela guerrilha, impedidos de conversar uns com os outros, vestindo farrapos, obrigados a fazer suas necessidades em lugares inóspitos, muitas vezes em frente uns dos outros, ameaçados de morte.... enfim, uma infindável lista de horrores impossível de resumir e que simplesmente me impede compreender como esses homens e mulheres conseguiram manter-se fortes para continuar lutando pela vida, como venceram o desejo de entregar-se e deixar-se levar...



É um livro lindo, muito bem escrito, que contém não apenas uma história, mas várias histórias de vidas que se cruzaram em um momento peculiar e penoso e inacreditavelmente tão perto de nós. Um livro que fala do sofrimento, da angústia, da dor, do medo e da fome, mas também da fé, da esperança, do amor, da família, do que é essencial e do que é supérfluo ao humano. Faz a gente repensar nossa vida, nossos valores, nossas prioridades. Certamente vale a pena ser lido.

domingo, julho 31, 2011

Primeiras palavras

Primeira vez é sempre uma emoção. Seja o que for. Ouvir as primeiras palavrinhas de um filho... põe emoção nisso!!

Esse nono mês foi de muitas realizações. Começou a engatinhar, firmar-se melhor de pé, aprendeu a abaixar para pegar objetos e também falou suas três primeiras palavrinhas, exatamente nessa ordem:

1) au-au. Palavra que designa os cachorros, como já devem ter presumido, mas também todo e qualquer outro animal que tenha quatro patas, de ovelhas a dinossauros, passando por camelos e girafas.

2) Abb. A pronúncia é seguida por um bico, que dura uns 2 a 3 segundos, simplesmente hilário. Aprender essa palavrinha, que se refere à 'água' é simplesmente uma questão de sobrevivência aos bebês brasilienses. Nesse início de seca, em que a umidade já começa a baixar dos 30% não dá para ficar confiando na memória dos pais!

3) Por fim, a tão esperada: 'ma-ma'!! Que depois percebi significa tanto 'mamãe', quanto 'mamar', o que me deixou na dúvida se ela entende a diferença entre um e outro, ou se para ela ainda são sinônimos, o que de qualquer forma não deixa de ser bom.

Amanhã a queridinha vai começar sua vida escolar. Com a saída da babá, vai ser institucionalizada em um berçário. Tadinha! Confesso que esse não é exatamente o meu ideal de vida para um bebezinho, gostaria muito que ela pudesse ficar em sua casa, no seu cantinho, com suas coisinhas. Entretanto não vivemos mesmo em um mundo ideal, então dentre as possibilidades que nos apresentavam, consideramos que era a menos pior. Felizmente pudemos escolher uma creche muito legal, que está há muitos anos em funcionamento na cidade e parece contar com bons profissionais. Agora só nos resta esperar que ela seja muito bem cuidada e viva bons momentos por lá.

Boa sorte, fofuchinha!!!

quinta-feira, julho 14, 2011

Infância e paz

"A infância é o chão sobre o qual caminhamos o resto de nossos dias".
Lya Luft


Estava em cartaz na Câmara dos Deputados, e eu tive a oportunidade de visitá-la por três vezes, a exposição Infância & Paz, que nesta edição de 2010 abordou o terma "A importância dos Primeiros Laços entre o Bebê e os cuidadores".

Promovida pelo Senado Federal, que instituiu a Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura de Paz, e com o apoio da Rede Primeira Infância, instituições da sociedade civil e o patrocínio da Petrobrás, a exposição era um convite explícito e emocionado à reflexão sobre a importância do vínculo, do afeto e do amor na constituição neurológica, psíquica e social do ser humano e sobre a situação, tantas vezes vulnerável, das crianças brasileiras.

Não preciso dizer que, nas três vezes que por lá, chorei.

Passei e viajei por cada fotografia, por cada pintura reproduzida em grandes pedaços de pano, que pendiam por pregadores, como num cotidiano e conhecido varal de histórias, pensamentos, fatos, reflexões, rostos, corpos e poemas.

Sim, chorei todas as vezes, porque não tinha como evitar. Pensava na minha filha, em todo o amor que tínhamos para oferecer a ela, no como era gostoso ficarmos juntas, rosto com rosto, coração com coração e não conseguia entender porque não poderia ser assim, sempre. Com cada criança que nascesse nesse mundo.

Segue um pouco do que vi:












"A importância do carinho é evidente desde o nascimento. Depois que o bebê passa nove meses no aconchego do ventre, com casa, comida e calor, o sistema que informa ao seu cérebro sobre carícias na pele funciona como um poderoso "detector de mãe"

Não receber carinho, portanto, é sinal para a criança de que ela não tem por perto nem mãe, nem outra pessoa que ofereça cuidados e segurança.

Se os 'detectores de mãe' não são ativados logo após o nascimento, o cérebro interpreta a situação como um risco à vida e dispara o alarme, dando início a uma resposta generalizada ao estresse.
(Suzana Herculano Houzel)





















O Laço e o Abraço
(Maria Beatriz Marinho dos Anjos)

Vamos falar de laços e abraços?
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... Uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira,circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...
Devargazinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo o que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode-se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, iguais meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

quarta-feira, junho 29, 2011

Correria

Os dias passam, as horas voam. O tempo é um bicho arredio que não me deixa domá-lo. A vida na cidade grande que tanto me encanta de repente me sufoca. Perdemos tempo no trânsito, procurando insanamente uma vaga, em filas variadas - na padaria, no supermercado, na entrada do elevador, na videolocadora, na lavanderia. Estou cansada. Sinto falta de encontros, de ócio, de ver a vida passar. Saudade de algo que não vivi. De tricotar sentada numa cadeira na varanda da frente da casa. De uma casa sem muro, num lugar qualquer que dispense muros. E grades. Onde só haja janelas e portas. Onde as pessoas cumprimentem-se sorridentes e se chamem pelos nomes, ou pelos apelidos. E façam comida em casa e presenteiem-se com bolos e quindins.

sexta-feira, maio 27, 2011

Sua

Você chegou em nossas vidas, que já pareciam completas, mostrando que não há limites para amor, nem para carinho, nem para família.
Seu olhar vívido, luminoso, tão atento a cada ponto ou movimento nos fez voltar a ver as infinitas belezas escondidas no óbvio - a tampa colorida do pote de café, o laço de fita do embrulho de presente, a mosca que pousa na mesa, o filete de água que escorre na vidraça.
Suas mãozinhas macias e tão pequenas transformam em teatro encantado cada gesto inocente de pegar, carinhar, bater na mesa ou apontar.
Sua vozinha aveludada, sem medida nem vergonha, permite brincar de silabar e gritar sem cerimônia.
Seus ouvidos rigorosos não deixam despercebido nenhum som ao seu redor. Tudo é música, tudo merece atenção. Torneira, chuveiro, pegadas, rangido de porta, farfalhar de folhas no jardim.
Seu sorriso espontâneo, aberto, sincero, acompanhado de mãos estendidas e gritinhos de alegria transforma o dia em tesouro, eterniza o instante, ilumina a nossa alma, rejuvenesce o espírito.
Filha minha, você foi querida e amada desde muito antes de existir, quando era somente uma ideia, um sonho, um desejo.
Hoje você é real, já não é mais minha, mas eu sou sua.