Terça-feira, Janeiro 05, 2010

É uma vergonha!!!

Foi assombroso, quase inacreditável, ouvir tal comentário de um jornalista que eu julgava sério e respeitável. Nunca imaginei que pudesse ser tão preconceituoso!! Isso, sim, é uma grande VERGONHA!!

Veja aqui


No dia seguinte, um insípido pedido de desculpas.

Interessante notar a construção frasal que escolheu utilizar: "ontem, durante o intervalo do Jornal da Band, num vazamento de áudio, eu disse uma frase infeliz, que ofendeu os garis ...", o que me parece bem diferente do que deveria ter sido.

Primeiramente, não vi necessidade de destacar o vazamento de áudio. A culpa foi ter vazado? Ademais, não foi 'uma frase', foram várias! Uma sequência! E elas não foram somente infelizes e ofenderam, elas eram ofensivas em si, por sua natureza essencialmente preconceituosa, e por isso foram tão infelizes. Mas acontece que além de infelizes e preconceituosas, elas são gravíssimas, inconcebíveis e requeriam uma responsabilização, uma culpa mais solenemente assumida. Talvez dizendo algo como "ontem, no intervalo do jornal, eu fiz comentários bastante infelizes e ofensivos aos garis e por isso queria expressar meu lamento, assumir a vergonha e (aí sim) "pedir profundas desculpas aos garis e aos demais telespectadores". Do outro modo, quase deu a entender que foram os garis que se sentiram desnecessariamente ofendidos pela pobre frase infeliz.

É uma ver-go-nha!!!

Segunda-feira, Janeiro 04, 2010

Tentando



A proximidade da morte, o contato com nossa finitude nos coloca para pensar na vida. Estou vivendo da maneira certa? Minhas escolhas correspondem a meus valores? Se eu morrer hoje, morro feliz? Estou deixando algo para trás? Tenho pendências para resolver? O que me impede de dar cabo delas? Quais são meus medos? E meus objetivos? Tenho sonhos? O que preciso para realizá-los? Sou inteira? Conheço minhas verdades? Sinto alegria pulsando no meu corpo? Meus olhos brilham?

As perguntas são muitas e conhecidas, beiram o ordinário. As respostas nem tanto. Duas máximas repetem-se em mim, para mim, como um mantra: 'conhece-te a ti mesma', 'torna-te quem tu és'.

Darei conta disso nessa vida que ainda tenho para viver? Não importa, tentarei. Continuarei tentando.


Imagem: Camponesa Sentada, Georges Seurat, 1883.
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/416_Guggenheim/page6.shtml

Domingo, Dezembro 27, 2009

Conversando a gente pode se entender



Estava de bobeira, relaxando num riacho de águas rasas e cristalinas, que a alguns metros a frente, após seu caminho deliciosamente sinuoso, chegaria ao seu destino final, uma linda praia. Meu momento mágico de contemplação da paisagem e reflexão sobre a delícia do instante é subitamente interrompido pela voz alterada de uma avó que reclama com a netinha, de cerca de 2 anos, que acabara de bater na irmã mais velha por algum motivo bobo.

A avó, uma jovem senhora, que até poderia passar por mãe dela, gritava com a bebê, que ria em desdém da bronca. O tom da conversa me fazia pensar que ambas tinham a mesma idade. O fato é que a atitude da menininha estava deixando a avó cada vez mais irritada. Seus dedos em riste movimentavam-se mais intensamente, até que veio a previsível, barulhenta e desnecessária palmada. Seguiu-se das palavras raivosas: 'você não pode bater na sua irmã, está ouvindo?!".

Em seguida, choro e mágoa. Do lado de cá, angústia e suspiros.


Pergunto: como ensinar a não bater, batendo? Como ensinar a não-violência, violentamente?

Parece que alguma coisa não faz sentido.



Quinta-feira, Dezembro 24, 2009

Carta para Papai Noel



Papai Noel,

Esse ano, assim como dizia a peça que eu não assisti, foi denso, tenso, intenso. Muitas alegrias, muitas tristezas. Muita dor, muito amor. Muitas viagens, também. Para longe, e para dentro. Não fosse a ausência que lateja sofrida, o saldo seria totalmente positivo.

Ainda assim, como é de praxe, e porque quem não chora não mama, quero listar aqui meus desejos para este Natal. Se não der para entregar tudo em uma única e tumultuada noite, pode ir mandando aos poucos, ao longo do ano. Compreenderei e ainda me sentirei muito grata.

Para começar, queria que me desse lentes especiais. Daquele tipo que me permitam enxergar-me tão claramente quanto enxergo os outros, seus defeitos, seus problemas e, especialmente, as respectivas soluções.

Quero também que meus olhos e ouvidos ávidos e curiosos sejam olhos e ouvidos amorosos e atentos, capazes de compreender profundamente e solidarizar-se com a dor e a limitação alheia.

Que meus passos sejam firmes, mas flexíveis, entendam a hora de seguir e de retroceder e que minhas pernas me conduzam a caminhos de amor e sabedoria.

Que minhas mãos teçam redes e laços de afeto e amizade que eu saiba manter e manejar.

Que meus braços sejam suficientemente fortes, para erguer os pesos necessários, e macios, para acolher no colo aqueles que necessitarem de meu amparo.

Que minha conduta seja íntegra e honrada para que não necessite envergonhar-me de minhas escolhas ou desperdiçar desculpas preveníveis.

Quero também, caro Noel, se não for pedir demais, que traga daquelas pílulas de bom senso e coragem, para que eu exerça com correção minha liberdade de falar e de calar e saiba distinguir a hora certa de cada um.

Bem, meu bom velhinho, por hoje era isso. Se eu lembrar de qualquer outra coisa, mando um torpedo ou um SMS, tá?

Abraços, Juliana.


Terça-feira, Dezembro 22, 2009

Viajar de férias

Que delícia é viajar de férias. Praia, sol, descanso, novidades. Sorriso farto, sorvete fora de hora, relógio na gaveta, canto de pássaros. Passeio de barco, TV sem culpa, tatuagem de henna. Café da manhã de hotel, havaianas nos pés, pele bronzeada.

Viajar de férias é voltar no tempo e ser criança novamente. Mas criança com discernimento, dinheiro no bolso e poder de escolher o que fazer e aonde ir.

Às vezes, queria que essas semanas durassem o ano todo.

Só às vezes.




Retirei a imagem de: http://www.acalontech.com/relax.jpg

Gosto de finais de ano

Gosto de finais de ano. Tempo de a gente se encontrar com a gente mesmo, confraternizar com os amigos, festejar com a família. Celebrar o milagre e a alegria de estarmos vivos. Para os cristãos, celebrar também a vinda e a vida daquele que dedicou sua existência terrena para nos salvar.

Gosto desse tempo de ‘res’. Refletir sobre o que passou, sobre o que fizemos e deixamos de fazer. Repensar nossas decisões, o que deve ser mantido o que precisa ser mudado. Reorganizar os armários, descartar o que já não serve, arrumar as gavetas. Reciclar o que pode ter novos usos. Revisar os planos e verificar se estamos no caminho certo para chegar aonde pretendemos. Rever as estratégias e adequá-las ao momento, aos novos desejos e necessidades. Restaurar as emoções, as energias, para que haja disposição para recomeçar. Renovar os votos de amizade, aliança, amor, lealdade, quando for o caso. Relembrar o que nos faz feliz, o que traz sentido e significado aos nossos dias, para que possamos priorizar adequadamente. Renunciar às coisas, pessoas, idéias que nos são obstáculos em vez de trampolins, peso em vez de presença, dor em vez de frescor. Recriar novos sentidos quando isso for preciso.

Tudo isso nem sempre é trivial. Às vezes levamos uma vida inteira para terminar esse serviço. Nem sempre conseguimos.



Fonte: http://casa.abril.com.br/materias/moveis/imagem/cc569-90-ideias-organizar-armarios_08.jpg

Sábado, Novembro 14, 2009

Sábado de sol e de luto

Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai
Fique comigo, seja legal!
Eu conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final
*

Tempo, tempo, tempo, mano velho,
Por que derruba tantos antes do final?...
Restavam tantas madrugadas!!!

Ainda ecoa no ouvido a frase fatídica: "Morreu!!"

Como?? O nosso amigo?? Nosso irmão?? Estávamos juntos ontem! Rimos juntos ontem! Falamos do natal, fizemos planos...

Por quê??

Mas não há respostas.
Nem consolo.
Era hora... Vá entender os desígnios do mistério...

Partiu num sábado estupendo, depois de uma semana de chuva e de frio. Céu azul, sol radiante. Não podia ser diferente. Estava sempre sorrindo, fazendo amigos, espalhando riso e alegria. Tinha uma graça autêntica. E agora tinha ido fazer festa no céu.

Nos olhávamos brancos, incrédulos. Ainda nos olhamos assim, pasmos. Esperamos ouvir seu riso a qualquer hora. Esperamos encontrá-lo na próxima sexta. Sabemos que está aqui, que agora está onde quiser, mesmo assim sentimos sua falta. Sua risada barulhenta é ouvida em nossa memória, mas agora faz doer o coração. Sofremos juntos com sua mulher amada e amiga que sente e sentirá dor ainda mais profunda, sabemos. E não podemos fazer nada... Não podemos fazer nada para ajudar nossa amiga. Como somos pequenos e impotentes diante da morte, diante da veemência crua e incontestável da nossa finitude! Como ajudar?? O máximo possível é tão pouco, tão pequeno!

Nada pode preencher o vazio. Só o tempo... Não preeche o vazio, mas ensina como conviver com ele.

De novo você, né?
Tempo, tempo, mano velho...

Falta um tanto ainda eu sei
Para você correr macio...
*

Amigo querido, onde quer que você esteja, saiba que morará para sempre em nossos corações. Uma amiga comentou "tem gente que tem a vida longa, outros têm a vida larga". Achei que tinha tudo a ver com você. Você viveu muito, aproveitou muito, curtiu muito. Somos felizes por termos tido você conosco parte de nossas vidas e termos curtido um bocado juntos...

Vai, vai, vai...
Um dia nos encontramos por aí...

Escuta essa (Gláucia Nasser, com piano de Christiano Caldas).

* Sobre o tempo, John (Pato Fu).

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Sobre bebida e elegância

Uma amiga confessava em seu blog seu gosto por cerveja e chopp e como isso é considerado 'deselegante' e indevido para mulheres, que deveriam apreciar no máximo um taça de vinho, de champagne ou um licor fino.

Uma outra amiga dia desses disse que ia pintar as unhas do pé de vermelho, mas que as pessoas consideram brega, deselegante e, portanto, optou por um esmalte transparente mesmo.

Discordei de ambas, acho que a mulher pode ser elegante bebendo chope ou com esmalte vermelho nos pés, desde que isso faça parte de sua natureza, desde que isso combine com ela, não seja uma forçação de barra, uma tentativa de chamar a atenção ou de impressionar alguém.

Fiquei pensando sobre essa questão da elegância. E acho que ela tem a ver com uma certa discrição e mistério. Porre me parece sempre deselegante, qualquer que seja sua fonte, cachaça 51, velho barreiro, champagne importanda ou whisky 18 anos. Gente que bebe para se sentir diferente do que é e fazer coisas que sóbrio não faria, para se sentir mais divertido, mais solto, é sempre deselegante. Mas alguém que degusta e aprecia cada gole, que bebe porque está calmamente apreciando, satisfazendo um gosto, um desejo pessoal, pode ser muito elegante.

Talvez por isso, em geral, o whisky tenha essa fama. Há um ritual, o barulho do gelo, o dedo que balança as pedras e depois é levado aos lábios de uma maneira tão sensual... O gesto lento, o gole profundo, o olhar no outro. Acho particularmente charmoso assistir à degustação de um copo de whisky, a pessoa saída do banho, ainda enrolada na toalha ou dentro de um roupão bem felpudo, ao som de uma música boa, como a da Nana Caymmi que escuto agora. Visualizo um homem, claro, o meu, particularmente. Mas pensando sob a perspectiva do outro genero, também uma mulher ficaria bem nessa cena.

Já a cerveja e o chope tem a ver com companhia, com festa, com barulho, com bagunça, com algazarra e alegria, e isso nem sempre se associa à elegância em sua concepção aristocrática. Embora seja válido ressaltar que nem só de elegância vive o ser humano. E cada coisa, cada boa sensação e prazer tem sua hora. Quem quer ser elegante o tempo todo? Que chatice!



Por outro lado, há as mulheres que são chiques mesmo tomando cerveja ou curtindo um choppinho estupidamente gelado. Temos uma amiga que não dispensa seu copo, taça, lata ou caneca sempre que saímos. Seu marido vai de água ou refri, enquanto ela curte muito na dela sua bebida predileta.

Nada mais elegante do que ser autêntico e natural, obedecer a seus gostos, seguir seus princípios, estabelecer suas regras e limites e segui-los conforme melhor convier a si, ao ambiente e aos outros.

Crianças sabidas

A filhotinha de 8 anos precisava fazer uma pesquisa para a escola. Em minha época recorreríamos a Delta Junior, Barsa ou Mirador, mas hoje existe o Saint Google. Como não permito que navegue na Net sozinha, fui junto com ela, digitei o tema da pesquisa e logo apareceu aquela listagem de milhares de endereços.

Já ia clicar no primeiro da lista, quando ela me adverte:
- Não, mãe, esse não!
E eu, ainda me recuperando do susto, pensando qual era o problema, pergunto curiosa:
- Por que não??
Ela suspira, como se tomasse ar e uma dose de paciencia, e me explica:
- Mãe, voce nao está vendo que ao lado de alguns endereços tem esse tracinho verde? (obviamente que eu nunca tinha reparado nisso) Isso significa que o site é seguro. Esses dois primeiros aí não tem o tracinho verde, tem um ponto de interrogação, que significa que o site não foi testado e a gente não sabe se e seguro!

Santas crianças tecnológicas, como sabem dessas coisas??

Essa é do sobrinho de 6 anos que foi com a mãe visitar um amigo que tinha 3 filhos. Após a visita, ele comenta:
- Mãe adorei conhecer esses novos amigos, especialmente o Vitor Hugo!
- É filho? Que bom, então depois a gente combina de ir lá mais vezes!
Ele emenda, como se abrisse um parenteses:
- Mãe, voce sabia que Victor Hugo foi um escritor muito famoso?
- É filho?! Responde, surpresa com a associação. Mas ele continua:
- É! Foi ele que escreveu 'Os Miseráveis' e o 'Corcunda de Notredame'.
Houve um breve silencio na sala. Mãe e avós pensavam onde esse menino aprendia essas coisas. O avo nao suporta o suspense:
- Onde foi que voce aprendeu isso? E ele, responde com muita naturalidade:
- No Mundo da Leitura, ora!

O Mundo da Leitura é um programa da TV Futura. Viva a TV educativa! Parabéns a TV Futura. A TV tem suas coisas boas, é só sabermos utilizá-la a nosso favor.