terça-feira, dezembro 23, 2008

Preparativos para viagem de fim-de-ano

Tenho um marido tecnológico, uma filha desligada e uma certeza: se houvesse mais algum membro nessa família, estaríamos fadados a viver enclausurados - não conseguiríamos sair de casa, ou se conseguíssemos, não poderíamos acomodá-lo no carro abarrotado de bagagem.

Na semana anterior, organizamos nossa apertada agenda para encaixar os preparativos de viagem - revisão do carro, troca de pneus, alinhamento e balanceamento, pegar e deixar roupas na lavanderia, compra dos últimos presentes de natal, envio de cartões para os entes queridos e distantes... essas coisas. Nossa idéia era sair por volta das 9 horas, para cumprir os 800km de estrada. Pelo nosso histórico, já sabíamos que a previsão otimista seria às 10h e a realista às 11. Mas tudo bem. Planos são ideais a serem perseguidos.

Na referida manhã, acordo às 8h35min. Percebo que os planos iniciais já foram por água abaixo. Tinha deixado pendente fazer um exame de sangue e levar umas sacolas de doação na casa de uma amiga. Lembro que tenho que passar na farmácia. Retorno para casa às 9h15. O marido e a filha já estavam acordados, tomando café. Últimas providências: arrumar as camas, lavar a louça da véspera e da manhã, guardar as últimas coisinhas na mala (itens de higiene, brinquedos da filha, livros, agenda, presentes...); pegar os itens para viagem: lanche, música, travesseiros, casacos; esvaziar a geladeira - essa parte deu um trabalhinho extra. Havia mais coisa do que imaginava. Faço uma matula para dar para o porteiro.

O marido estava juntando todo o apetrecho tecnológico - filmadora, máquina fotográfica, notebook, palm top, dvd portátil, DVDs infantis, CDs infantis, carregadores, baterias, pilhas recarregáveis, pilhas descartáveis. Enche uma mala com toda a tralha. Acabaria esquecendo o CD com todas as fotos que selecionou durante a madrugada de trabalho na véspera. Seria encaminhado pelo cunhado por Sedex 10 na segunda seguinte.

Continuo na cozinha. Resolvo fazer uns sanduíches com os pães, queijos, presuntos e requeijão que estavam abertos. Junto as frutas com os biscoitos e refrigerantes para levar no carro. Coloco o suco numa jarra para levar para o porteiro também.
Lavo toda a louça que se formou. Junto todo o lixo para levar à lixeira. Enquanto isso, o marido foi levando as coisas para o carro. Descobriu que o farol tinha queimado. Vai à loja para comprar a lâmpada. Faltavam 20 minutos para o meio-dia. Leva a filhotinha. Junto a tralha restante para levar para o carro, o lanche para o porteiro, me dirijo a porta, uma sacola vira. Alguma dúvidaque era a da jarra do suco? Que derrama dentro da sacola, molha e mela tudo? Volto para a cozinha para limpar e rearrumar a matula. Desço como uma sacoleira, entrego as coisas para o porteiro, pego o jornal, levo as coisas para o carro, que o marido e a filha já voltaram. São 12h20. Estamos com fome. Resolvemos comer uma pizza rápida na Dom Bosco. Depois, fazemos uma parada na frutaria e compramos mais uns itens de sobrevivência na estrada. Conseguimos partir. São 13 horas. Belzonte aí vamos nós.

A VIAGEM

A viagem foi ótima! Melhor do que o esperado. Não havia enchente, barreiras caídas, quase não pegamos chuva e o asfalto estava quase ótimo em quase todo o trecho. Passava um pouco de 21horas quando nos aproximamos de BH. Na pista do outro lado, um engarrafamento de mais de 10km que se estendia desde às 14h por causa de uma carreta virada. Ufa! Nosso lado estava livre! Em breve chegaríamos ao famigerado anel rodoviário (digo isso porque sempre nos perdemos). Dessa vez não foi diferente. Entramos por um caminho esquisito, até que percebemos que estávamos indo para Betim e tentamos achar um retorno para dar meia-volta-volver. No caminho certo, encontramos um grande buraco errado, enquanto por um instante contemplava o trânsito do outro lado. O carro ficou meio torto. Felizmente havia um posto próximo, onde encontramos uma alma santa que nos ajudou a trocar o pneu. O divertido foi retirar o estepe debaixo de toda a tralha no porta-malas, sem que a filha visse os presentes natalinos. No final, salvaram-se todos, inclusive o sonho de Papai Noel!

terça-feira, dezembro 16, 2008

Conjecturas sobre gente e mudança

Atualmente trabalho na área de Recursos Humanos. Participo de ações referentes à gestão de pessoas, educação corporativa e comunicação da estratégia. Tudo isso tem a ver com gente e com mudança. Gestão estratégica é processo de coordenar gente e esforços para que consigam implementar os objetivos da organização e alcançar as metas: mudança. Processos educativos são basicamente processos de transformação - pressupõem mudança de crenças, atitudes, conhecimentos.

Bem, se trabalho com isso, baseio-me na premissa de que pessoas e organizações são capazes de evoluir, de transformarem-se, (re)construírem-se, (re)fazerem-se. E de construírem coisas incríveis!! Se não acreditasse verdadeiramente nisso mudaria de área.



Hoje estava em uma reunião em que comentávamos alguns problemas setoriais que aconteciam simplesmente por dificuldade de comunicação interpessoal entre os membros da equipe. E que esses problemas talvez pudessem ser solucionados, ou amenizados, se as pessoas se prontificassem a participar do programa de desenvolvimento de habilidades de relacionamento que a organização oferece e tem tido bons resultados.

Não é que escuto de um dos gerentes presentes a pérola "gente, vocês realmente acreditam que as pessoas podem mudar??!! As pessoas mudam até os 6 anos de idade. Depois já era! Depois vão envelhecendo e aí é isso mesmo que está aí."

Até agora estou chocada! Como assim as pessoas mudam até os 6 anos? Tudo bem que tem gente que para de evoluir emocionalmente aos 6 anos. Alguns até antes, aos 2 ou 3, enquanto ainda acredita ser o centro do mundo. Mas daí a considerar isso como regra!!... Daí a viver baseado no princípio de que somos fadados a ser o que nos pôde ser feito até os 6 anos?! Assim fosse, deveriam fechar as escolas, universidades, igrejas, prisões, instituir a pena de morte... nada diferente disso faria sentido...

Ora, ser realista é uma coisa, pessimismo fatalista é outra completamente diferente. E não sei se é a exaustão de fim-de-ano, mas confesso que estou cansada dessa gente que acha que nada é possível, que reclama de tudo, que enxerga nuvem e obstáculo em tudo o que vê. Se eu fosse o Cel. Nascimento diria em alto e bom som: "pede para sair!!!".

O que essa gente está fazendo por aqui??

...
Imagem retirada daqui

quarta-feira, dezembro 10, 2008

A culpa é da mãe


Todos os temas que dizem respeito ao universo feminino me interessam a priori. O fato de ter nascido mulher neste mundo influenciou totalmente a minha vida e a minha existência. Não sou simplesmente um ser humano. Sou mulher. Tudo bem, esse não é o único fator - nasci na década de 70, em Brasília, no Brasil, em família de classe média. Fatores externos, sobre os quais não tive qualquer gerência e que se misturam com a minha história e com as minhas escolhas e resultam no que sou, no que faço, no que gosto ou desejo.

Mas voltemos à situação da mulher no Brasil. Estão se tornando maioria, estudam mais, ocupam um lugar significativo no mundo do trabalho, mas ainda ocupam posições de menor destaque e ganham menos que os homens. Ainda que tenha havido progressos significativos nos últimos anos, no que se refere a aspectos sociais, políticos e econômicos, ainda há muito o que se avançar nas relações pessoais e domésticas. Ainda somos um país essencialmente machista. Nossas mães são machistas. Ainda repetimos o bordão de que "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher". Ainda escutamos falar que tem mulher que gosta de apanhar. Ainda achamos que cabe prioritariamente à mulher a responsabilidade pelas tarefas domésticas e pelos cuidados com os filhos. Ainda imputamos a elas toda a responsabilidade de zelar pelas crianças que são abandonadas pelos pais que a fizeram - às vezes à força - antes que colocassem seus inocentes olhos neste mundo.

Neste ponto quero abrir um parênteses. Não aguento mais assistir nos jornais verdadeiras situações de "caça às bruxas" ops! caça às mulheres que, em momento de desespero, largam seus filhos recém-nascidos à própria sorte em algum lugar. Não quero defender essa atitude. Mas quero que se culpabilize não somente a mãe, mas também o pai.


Maternidade - Di Cavalcanti

Onde estava esse homem quando sua esposa, companheira, amante, namorada ou sua mulher num momento furtivo, que teve seu corpo transformado pela gravidez, que carregou o peso do bebê e da solidão por 9 meses, que sentiu dor, medo, fraqueza, insegurança, incerteza, abandonou o próprio filho que acabou de gerar? Onde está aquela cumplicidade (ou no mínimo a parceria, a solidariedade) do momento do gozo? Aliás, a palavra é essa mesmo: cumplicidade.


Bordel - Di Cavalcanti. Fonte: www.bolsadearte.com

Que se responsabilize a autora do crime e seu primeiro cúmplice: o pai da criança. Muitas vezes existem outros: a família, os vizinhos, a comunidade, a igreja, o Estado. Por que as coisas não são mais claras? Por que tanto tabu em torno da sexualidade e as conseqüências de sua prática? Por que não existam leis que facilitem os processos de adoção? Se em nosso país o aborto é proibido por que não existem campanhas para orientar sobre o que as mulheres podem fazer em caso de gravidez indesejada? Por que instituições policiais, de saúde, de direitos humanos, de assistência social ... não conseguem prevenir situações assim?? Por que quando essas coisas acontecem a culpa é toda da mãe???


Maternidade, 1937. Di Cavalcanti.

domingo, novembro 23, 2008

Brincadeira de criança

A filha de 8 anos estava brincando de mamãe e filhinhos com os três primos, de 5, 3 e 2 anos. Fui lá para espiar e acabei achando interessante filmar. Enquanto a mãe ia fazer alguma coisa na rua, resolvi fazer uma entrevista com os três filhos.

- Hmmm - repórter inexperiente pensando no que dizer - vocês três são irmãos, né? Perguntei ao menino e as duas meninas.
- Sim, o mais velho respondeu.
- E é legal ter assim ter três irmãos?
O menino mais uma vez toma à frente:
- É. Antes eram quatro, mas o meu irmão gêmeo... a gente foi atravessar a rua.. eu consegui atravessar, mas ele ficou parado lá e aí foi atropelado e morreu.

:-O

Santa imaginação!! Agradeci a breve entrevista e resolvi me retirar, ainda comovida com a história.

Volto em seguida. A mãe estava no clube com as crianças.

- Pronto, agora podem cair na piscina! Comanda.

O mais velho prontamente faz pose de mergulho e "chuáá!!". A segunda vira para a mãe com cara de interrogação e pergunta: "Mas onde que é a piscina?"

Pergunta super pertinente, eu achei. Explicam para ela que a piscina era todo o chão. Logo o mais velho, inventor de estórias, resolve ir para o sofá e grita "Vou nadar na piscina funda!!" Finge um mergulho e começa a ensaiar umas braçadas, ao que é logo imitado pela segunda.

Mas ele não aceita: "Não, você não pode nadar aqui, é muito fundo, vai se afogar!"

Que irmão consciente e preocupado!

A irmãzinha sai e logo volta sem se fazer de rogada:

"Pronto, já vesti minhas bóias!" E, satisfeita, dá seu mergulho na piscina funda!

...

quinta-feira, novembro 20, 2008

Mulher, trabalho e independência financeira

Muitas mulheres que são mães e trabalham fora vivem um dilema constante entre a dedicação às suas carreiras (quando têm uma carreira e não apenas um emprego!) e o cuidado com suas famílias. Carregam uma culpa existencial por não saber se estão sendo suficientemente boas mães, se sua ausência acarretará algum trauma psicológico à criança, se não seria melhor que ficassem em casa até as crianças terem determinada idade (drama que não sei se acompanha igualmente os pais).

O fato é que quanto mais os homens compartilharem as atividades domésticas e exercerem de fato a paternidade, menos as mulheres necessitarão sentir-se assim e poderão curtir plenamente cada papel de suas vidas. Também é fato que isso só é possível quando de alguma forma o Estado possibilita, de alguma forma, que as crianças sejam cuidadas em centros de educação infantil ou quando exista a instituição 'empregada doméstica'.

Entretanto, ainda que existam boas babás, considero a tarefa de cuidar de uma criança em tempo integral muito exigente, portanto me parece salutar a criança ficar um tempo em casa e outro na creche ou em alguma creche em que as cuidadoras não trabalhem dois turnos seguidos.

Isso tudo porque verdadeiramente acredito que as mulheres, solteiras ou casadas, tendo ou não tendo filhos, sempre devem trabalhar. Casamento definitivamente não é profissão e nem sempre o que parece eterno será. E quando termina, nem sempre termina bem e ainda que termine essa mulher, mais cedo ou mais tarde terá que cuidar de sua vida e, quanto mais tarde, pior.

Sou parte de uma família com muitas mulheres. Minha avó materna tinha 6 irmãs. Seu pai não chegou a ser exatamente um incentivador de que elas estudassem e se formassem. Morreu cedo e deixou uma esposa e sete filhas em situação difícil. Praticamente todas tiveram que ir à luta. A mais velha, que já era casada, nunca trabalhou fora. Viveu um divórcio após quarenta anos de casamento e hoje, aos 80 anos, sobrevive com uma pensão apertada. Outra foi impedida pelo marido de trabalhar. Ele era advogado e tudo parecia uma mar de rosas. Separaram-se após vários anos e a ela, aos 70 anos, só restou uma pensão de salário mínimo do INSS e tentar arranjar um emprego. Coisa nada fácil para uma pessoa dessa idade, ainda que competente, num mercado que privilegia o novo e o belo.

Minha mãe era dona de casa e estava o tempo todo por perto. Nem por isso creio que pudesse nos dar mais atenção. Quem conseguiria com quatro filhos e fazendo todo o serviço de casa?



Portanto, chega a me dar um arrepio na espinha quando ouço uma mulher jovem dizendo que não trabalha fora. A meu ver, todo adulto tem que ter sua independência financeira. Se, atualmente, há esforços para que deficientes físicos e mentais possam exercer uma profissão e serem responsáveis pelo seu próprio sustento, por que uma mulher saudável não deveria fazer o mesmo? Não apenas por satisfação pesoal, mas também para sua própria segurança e tranqüilidade futuras.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Voltando a falar da mamotomia

Há vários meses escrevi um post do qual mal me lembrava sobre uma mamotomia que realizei. De repente, num prazo de uma semana recebi três mensagens comentando o assunto. Levei até um susto. Como a questão é séria, e como escrevi num tom também de brincadeira, resolvi colocar minha resposta aqui, abrindo um outro post sobre o assunto.

Não sei se de repente fui tão dramática nas minhas colocações que pareceu que sou "contra" a mamotomia e não reconheço sua importância no diagnóstico precoce do câncer de mama. Quero deixar bem claro que não é isso.

O ponto de vista que defendo é o do direito à informação completa e de se poder fazer as próprias escolhas. É fundamental que num consultório médico se explique totalmente o que a pessoa vai (ou pode) experimentar. Não somente em relação a esse procedimento, mas com qualquer um.

Quando um médico vai indicar uma injeção intramuscular de benzetacil para alguém que está com amigdalite, é preciso que se explique que a injeção é dolorosa, deverá ser feita necessariamente no glúteo, existe um índice de X porcento de pessoas hipersensíveis e que a grande vantagem desta terapêutica é que, após administrada faz efeito em tantas horas. Daí a pessoa vai poder optar em tomar a dolorida, mas eficiente injeção ou preferirá tomar um antibiótico oral indolor e penar com a garganta por mais uma semana. O paciente é o sujeito do seu processo terapêutico, cabe a ele a palavra final em seu tratamento ou processo diagnóstico. O papel do médico ou dos outros profissionais de saúde é orientar, é fornecer informações para subsidiar escolhas conscientes. É, ainda, informar o que ele, como profissional técnica e eticamente responsável, pode e não pode fazer e, obviamente, registrar tudo bem certinho no prontuário.

Porque também não quero dizer que o profissional de saúde deverá fazer qualquer coisa que o que o paciente escolha. Se esse paciente da benzetacil diz que quer tomar a injeção no músculo deltóide ou que se nega a deitar na maca, o auxiliar de enfermagem pode se negar a efetuar o procedimento, porque isso vai contra a técnica e ele tem uma responsabilidade profissional a cumprir e a zelar. Assim como o médico pode desistir de acompanhar um paciente que se nega a seguir um tratamento que ele acredite ser essencial para sua plena recuperação e isso vá contra suas crenças ou valores.

Certamente há situações em que as escolhas são poucas. Muitas vezes se fará uma mamografia e o resultado será altamente indicativo para um câncer. A mamotomia irá auxiliar no diagnóstico, permitindo colher os fragmentos para o exame histopatológico que indicará o tipo de neoplasia e o estágio de desenvolvimento. E daí o médico informará as opções, solicitará outros exames e explicará as conseqüências do tratamento ou do não-tratamento, caso isso surja como possibilidade. E a pessoa, às vezes junto da família também, escolherá o que fazer.

Por isso, mulheres, não estou fazendo campanha contra a mamotomia. Esse exame, como disse em meu primeiro texto e como Vanessa e Sabris bem salientaram em suas mensagens, cumpre um importante papel diagnóstico numa doença que é cada vez mais prevalente e incidente e acomete cada vez mais mulheres jovens. Portanto, é preciso que estejamos bem informadas e atentas à saúde de nossos corpos (em todas as partes dele, não somente das mamas!!). Leiam, se informem, discutam.

Por outro lado, não me furto de querer chamar atenção ao fato de que, justamente por esse aumento de incidência, os médicos ficam cada vez mais inseguros e temem errar um diagnóstico (com razão, claro) e isso gera um onda de indicação de exames invasivos em situações em que poderia se optar por alternativas mais conservadoras. É um fenômeno parecido com o que ocorre nos EUA pós 11 de setembro, tanto medo que gera uma paranóia social e muitas decisões que escapam do bom senso.

Eu não tenho dados, mas gostaria de saber o percentual de exames dessa natureza em que se têm resultados normais. Essa informação nos ajudaria a saber se está havendo exagero, ou não. O meu caso era um desses - a mamografia indicava BI-RADS 3 (alta probabilidade de benignidade), poderia aguardar e repetir a mamografia em 6 meses. É completamente diferente de alguém que tem um resultado de mamografia com BI-RADS 4 ou 5 (achados suspeitos ou altamente suspeitos).

Portanto, cada caso é um caso e cada pessoa, junto do profissional ou equipe que a acompanha, deverá estar bastante consciente de seu estado para que possam juntos tomar as melhores decisões.

Abraços e obrigada pelas oportunas considerações.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Sombras



Me sinto num corpo sem pernas, sem alma.
Me envergonho dos meus atos num passado que não posso e talvez nem queira mudar.
Me sinto invadida e culpada como criança pega em travessura.
Vejo e compreendo suas razões.
Ainda assim tenho vontade sumir.
Não me sinto em casa em lugar algum
Seu corpo, que há pouco parecia a minha morada, o meu aconchego
Agora parece a casa da infância, distante e envelhecida.
Meu corpo não suporta minhas angústias.
Viajo no pensamento a outros céus e dimensões
Onde recosto a cabeça nas mãos enlaçadas e observo lentamente as estrelas.
Penso nas nuvens e no mar, no céu azul e no sol quente dourando um corpo estendido na areia
Penso na felicidade e no vazio como nada mais que utopia e presente
Vejo despedida no encontro e a morte como ápice da vida.
Respiro devagar tentando economizar ar e esforço
Ouço música de acalanto e sonho com um sono de bebê
Imagino um peixe no fundo do oceano escuro e tento nadar ao lado dele
Sinto o calor do meu corpo a se perder
Minhas sensações desaparecendo lentamente.
Frio, fome, medo, dor...

O resto é imensidão e silêncio.

segunda-feira, outubro 20, 2008

De novo no saguão de embarque

Outra vez no saguão de embarque, agora tentando voltar para casa, procuro disfarçar a ansiedade gerada pelo atraso do vôo me entretendo com a vida alheia. A cabeça lateja em todos os lados por isso não posso ler ou escrever. Olho à volta, procurando um alvo interessante para me fixar. Ouço um riso gostoso de criança. Procuro de onde vem. Encontro a animada dupla alguns metros à frente. Uma mãe brinca de esconder com a mão os olhos da filha, que se retorce de riso e contentamento com a singela brincadeira repetida uma e outra vez numa seqüência incansável.

Essa mãe deve ter vinte e poucos anos. Tem os cabelos pretos e longos presos num rabo de cavalo e uma beleza contrastante com o ambiente cinza e tedioso. Carrega o pacotinho de risadas, que deve ter uns dois aninhos, num canguru e administra uma penca de sacolas e apetrechos infantis.

A menina é fofa!! Bochechas redondas e coradas, nariz de batatinha, sorriso matreiro, cabelinho preto bem liso de franjinha e preso num rabinho como o da mãe. O visual todo a deixa parecida com uma bonequinha ou uma personagem de desenho infantil. As mãozinhas gordinhas seguram as da mãe com força e são seguradas com carinho e afeição. Os olhinhos puxados e alertas revelam a anomalia genética e o futuro incerto de limitações e potencialidades desconhecidas.

Os olhares brilhantes, apaixonados e atentos ao contato mágico e à brincadeira hipnotizante revelam que para o amor não há limitações e as potencialidades são sempre infinitas...

Lendo e viajando

Nada como uma viagem para colocarmos a leitura em dia. Consegui terminar de ler “Paula”, de Isabel Allende. As últimas páginas foram devoradas numa cadeira do shopping comendo um croquete de almoço e no banco do táxi, enquanto tentava inutilmente enxugar as lágrimas prestes a borrar toda a maquiagem feita para enganar a cara de cansaço.

Minha mãe sempre estranhava nossa compulsão para o choro ou os tremores de medo, quando unidas umas às outras no sofá da sala, nos emocionávamos até os cabelos, ao ver um filme ou ler um livro. Achava meio ridículo, exagerado. Seu pragmatismo impedia que compreendesse nossa empatia com os personagens. Herança paterna essa capacidade de vivenciar a ficção como protagonistas e sentirmos com a mesma sofreguidão e intensidade.

Mas o livro em questão não trata de ficção, mas da morte lenta e real de uma filha amada. De perdas, dores e amores verdadeiros. Como não se comover? Como não entrar na vida daquelas mulheres fortes e fabulosas, que mantêm laços de afeto concretos e transcendentes?

Como não me colocar no lugar e imaginar como seria se acontecesse comigo. Como juntar os pedaços e renascer após acompanhar a vitalidade de minha filha, esse ser adorado, fruto das minhas entranhas, se esvaindo ante meus olhos, entre meus dedos, à revelia, num avesso da lógica e do sentido?

Ainda que não acredite que deva existir sentido e lógica na vida ou na morte, não resisto em buscá-los...

quinta-feira, outubro 16, 2008

Av. Paulista

Vim a São Paulo por três dias para participar de um seminário. Fiz questão de me hospedar em um hotel na Avenida Paulista.




Gosto dessa rua louca onde passa gente de toda cor e toda sorte. Olho fascinada para o alto me buscando no reflexo das vidraças brilhantes dos enormes edifícios. Mas só o que vejo são as imagens dessas incríveis criações humanas contrastando com o céu azul desse dia quente. Entre as linhas modernas, podemos contemplar construções de um outro tempo, símbolos de uma arquitetura diferente, rebuscada, imponente, que abriga alguns bancos importantes, ícones do século novo, num paradoxo curioso e certamente intencional.




Olho para o chão e penso em quem passa por debaixo de mim neste instante. Alguém atrasado, feliz, em lua-de-mel, que sofre por mal de amor ou de doença incurável? Penso nos tantos que já passaram, nas mãos que assentaram tanta massa, nos produtores de cimento e carvão, tanta história junta e emendada.

Uma pequena multidão colorida e diversa se junta num instante singular para, juntos, atravessar a rua. Vidas divergentes unidas por um minuto numa mesma cadência, para se dispersarem logo em seguida, para sempre, quem sabe...

No Conjunto Nacional, tomo um café e não resisto a comprar uns livros na explêndida e charmosíssima Livraria Cultura, que anuncia a abertura de uma seção dedicada só às artes. Assisto a uma exposição de fotografias de Praga e me permito sonhar e viajar para mais longe enquanto lamento a perda do Festival de Cinema que começará amanhã.



Neste lugar entendo o sentido, o charme e a delícia das grandes cidades. Mas sou completamente suspeita para falar isso...

Post auto-ajuda

Ninguém merece ler isso, mas não contive o impulso de querer escrever!

Aqui vai: acredito e sou testemunha que as pessoas podem realmente mudar hábitos quando tomam consciência e dedicam, sinceramente, esforço, energia e determinação ao alcance de seus objetivos.

Faz um ano que estou fazendo atividade física regular!!!!! Três vezes por semana, conforme o figurino. Minhas celulites diminuíram (embora falte muito para desaparecerem, o que talvez só seja possível com amputação) e consigo identificar meu bíceps! Além disso, já subo alguns lances de escada e corro alguns minutos. E, inacreditavelmente, sinto falta do exercício quando passo alguns dias a mais sem praticar. Se alguém está vivendo o dilema, pode acreditar: se eu consegui, qualquer um consegue. Se estiver difícil, siga o lema do AA, um dia de cada vez e não se deixe cair em tentação de desistir por qualquer problema real ou inventado. Vença a voz interior inimiga, levante o bumbum da cadeira e vá à aula! Se superar os 3 primeiros meses, os seguintes seguirão naturalmente. Tenha fé!

Faz dez anos que meu pai parou de fumar. Ele, que fumava três maços por dia, que fumava de madrugada ou ao acordar pela manhã, que eu não conhecia sem um cigarro na mão. Que, por conta disso, teve o primeiro enfarto do miocárdio aos 48 anos. Mas que depois que entrou no hospital aquele fatídico dia nunca mais pegou num cigarro, ainda que minha mãe tenha continuado com seu hábito (ou vício!) todos os dias até hoje e, teimosamente, negue-se a tentar parar. Se ele conseguiu, qualquer um é capaz de conseguir!

Meu marido, após dez anos de namoro, me surpreende fazendo elogios e declarações de amor em horários inesperados. Ele, que se gabava do dom da crítica, do sarcasmo e da ironia, que não conseguia elaborar uma frase de afeto do início ao fim sem cair na tentação de uma gracinha ou uma maldade, agora se pega em delírios românticos e ondas de deliciosa pieguice. Isso depois de muita conversa e análise. Se ele conseguiu, qualquer um consegue.

Passei três meses sem comprar um par de sapato sequer, mesmo após ter dado metade de todos os meus pares e ter me deparado com um amplo espaço interior (não no armário, mas no imaginário das possibilidades). Mesmo após uma amiga, numa viagem que fizemos juntas, ter ido a uma megasapataria e ter adquirido 17 pares numa tacada. Fiz muito exercício de auto-conhecimento para perceber que não sou uma centopéia e que posso sobreviver com cinqüenta pares. Uma vida menos colorida, é verdade, mas possível. Se eu consigo, muitas podem conseguir (esse caso é mais grave e complexo, não posso generalizar!).

Para finalizar, quero registrar um feito. Uma vitória da realização contra a procrastinação: tomei vergonha na cara e renovei minha carteira de motorista, vencida há pouco mais de quinhentos dias. Se eu consegui, qualquer um consegue!

quarta-feira, outubro 15, 2008

Sobre pais, bebês e babás

Minha amiga do Iglu, habitante de terras vancouverinas há alguns anos, ressente-se com freqüência da vida sem empregada doméstica a que são submetidas as mulheres de classe média dos países desenvolvidos, em contraste com o cômodo conforto que desfrutam as afortunadas dos países tropicais.

Não posso deixar de concordar. Serviço de casa é tão chato que ninguém deveria ter que fazê-lo. Ou pelo menos não ganhando tão pouco. Bem, o fato é que, enquanto vivemos essa realidade de disparidade social, podemos nos dar o luxo de ter alguém fazendo o que não gostamos de fazer pagando a metade (ou muito menos) do que cobraríamos se estivéssemos em outra condição.

Anteontem estava no saguão do aeroporto, aguardando para embarcar. À minha frente uma moça jovem, bonita, pele negra marrom-bom-bom, cabelos bem trançados, uniforme branco de babá brincava com uma bebezinha de uns 4/5 meses, impecavelmente arrumada num macacãozinho rosa e faixa da Lilica Ripilica na cabecinha careca.

Duas cadeiras ao meu lado, o pai dava algumas instruções sobre como a moça deveria brincar. Logo após chegou a mãe e sentou-se entre nós. Muito bem arrumada, calça jeans colada, salto 10cm, unhas feitas, blusa justa ao corpo, cabelos lisos até a cintura, artificialmente aloirados. Um visual, aliás, pouco compatível com a exigência da prática da maternidade de um bebê daquela idade.

A mãe falava ao telefone celular. Ao ouvir sua voz, a filhotinha se virou, arregalou os olhos brilhantes e começou a balançar os bracinhos em um gesto que claramente indicava o desejo de colo. A mãe pareceu ignorar. Apenas pediu para que a babá arrumasse a faixa sobre a orelhinha da criança. O pedido de colo ficou no ar, assim como o olhar que buscava eco e apoio no outro lado.

Como se me conectasse àquela freqüência, senti com ela a angústia daquele instante. Por mais que estivesse confortável e aparentemente bem cuidada, buscava o conforto dos pais, o olhar, o carinho e o colo da mãe, que parecia distante e alheia àquela fanfarrice infantil. Depois de um tempinho, o pai acabou cedendo, levantando da cadeira e pegando a bichinha no colo, que se abriu em sorrisos e gritinhos de alegria. Para meu alívio!

Fiquei pensando nesse distanciamento que o "conforto" de se ter uma babá a tiracolo pode gerar entre pais e bebês e o quanto isso pode não ser saudável. A cena me rememorou àquelas ilustrações antigas de amas de leite alimentando os filhos das patroas nas senzalas ou quartos de fundos, enquanto as madames participavam de festas e esforçavam-se para entrar na forma de um espartilho sufocante.

Em Brasília é cada vez mais comum, nos finais de semana, dias em que teoricamente as famílias dispõem para conviver, vermos nos clubes e restaurantes crianças sendo administradas por babás, enquanto os pais desfrutam um pouco de sossego.

Acredito que o casal tenha mesmo que, no meio da rotina intensa e exaustiva dos cuidados com as crianças, encontrar momentos e maneiras para descanso, reposição de energias, para estarem juntos ou compartilharem a companhia de amigos. Creio que isso é salutar e importante. Mas o que vejo e me causa estranhamento e preocupação é o excesso, a banalização. É o processo de terceirização constante de cuidados. Pais que não brincam, que não acompanham, que não acordam de noite para acalmar um choro ou demover de um pranto.

E aí me pergunto se as pessoas não devem pensar realmente quarenta vezes antes de decidir ter um filho. E se se perceberem pouco a fim de dedicar seu tempo livre e energia para a tarefa da maternidade e paternidade não devem objetiva e sensatamente escolher abdicar dessa possibilidade e seguir o curso solo de suas existências.

O problema é que "ter" um filho é a parte mais fácil. O complicado, o desafio é cuidar e educar diariamente, por anos a fio, até que esses pequenos se tornem seres fortes e capazes de guiar suas vidas, defenderem-se de si e dos outros e serem inteiros e felizes.

Voltei

Estava há tempos sem passar aqui. Pensando muito, mas sem conseguir parar na frente do micro e colocar em palavras a minha frente.

Há uns dias encontrei uma amiga e ela me perguntou como estava o blog. Disse que eu estava meio afastada, que fazia semanas que não escrevia. Ela me contou que no dela havia um compromisso com os leitores, que ela postava regularmente todos os sábados. Brinquei com ela que meu blog não era desse tipo "sério" ou literário e que meus "leitores" eram todos meus amigos e entendiam quando eu não estava com tempo ou com espírito para a palavra ou para o computador.

Achei muito legal da parte dela, mas não posso selar esse tipo de "compromisso". Não sou regular a este ponto. Há dias que tenho vontade de passar a madrugada escrevendo, há outros que não consigo olhar para mim nem colocar nada para fora. Há dias que quero me mostrar, partilhar minhas idéias, meus pensamentos, noutros quero sumir. Dia desses, tive vontade de fazer um suicídio virtual. Deletar tudo - blog, orkut, e-mail... Esse é o jeito moderno de "sumir do mundo"! Contive meu impulso e fui dormir. Dei-me férias e cá estou eu de novo, feliz de estar ainda "viva"!

sexta-feira, setembro 19, 2008

Ladrão consciente - evolução da bandidagem no país

Hoje saiu em diversos jornais, inclusive foi veiculada no rádio, a conversa entre um ladrão de carros e a polícia. O objetivo era informar que, no carro que ele havia roubado, havia uma criança dormindo no banco de trás. Na hora ele não a tinha visto, mas, tendo notado, abandonou o carro e solicitava, então, que a polícia fosse buscá-la. Ao final da ligação, avisou que se, por acaso, fosse 'pegar' o carro novamente e encontrasse o menino outra vez abandonado, mataria o f.d.p. do pai dele.

Quem diria que eu viveria para ver essa 'catigoria' de bandido, com mais consciência sobre educação de filhos do que o pai de família que largou o rebento de 5 anos dormindo e trancado no carro para tomar umas com a mãe da criança no boteco da esquina.

O que me preocupa nisso tudo - além da segurança dessa criança - é a segurança do bandido. Neste caso, me refiro a outro tipo de segurança - à sua convicção de impunidade. Se ele confiasse um pouco mais na competência da polícia e na eficácia da Justiça, não confessaria descaradamente que tinha roubado o carro, confessaria? Não, não faria isso! No mínimo inventaria uma mentira, poderia talvez dizer que estava passando pela rua e viu um carro com uma criança. Isso após ter tido todo o cuidado de limpar possíveis marcas de digitais.

Se ele acreditasse nas leis do país e da cidade, teria um pouco mais de temor de ameaçar um cidadão de morte para um policial, num telefone de socorro, cujas ligações são gravadas, não teria?

Me atemoriza viver num país em que o poder de decidir quem vive ou morre e o porquê são os bandidos. Castigo por abandonar o filho dormindo no carro: pena capital. Sem direito à defesa (não que merecesse defesa, longe disso!...). Me atemoriza viver num país em que o Estado é mais condescendente com os criminosos do que os próprios criminosos. Pelas leis do nosso Estado, não há pena de morte, nem pena de caráter perpétuo, por mais cruéis que tenham sido os atos de alguém, ou quantas tenham sido suas vítimas. Por mais que tenha sido julgado e suas penas somem mais de 200 anos, ele não poderá passar mais de trinta na cadeia. E, em alguns casos, poderá ser solto após cumprido um sexto da pena. Ainda que seu crime tenha sido assassinato, que tem caráter perpétuo (já que a vítima permanecerá morta para sempre e, ao contrário de seu algoz, nunca vá ter uma segunda chance de reconstruir sua vida, nem sua família, privada precoce e eternamente do convívio com o ente amado).

Me assusta muito ouvir de uma colega que estuda Direito a defesa feita por um professor de Direito Penal para que haja em nossas leis tantos recursos, tantas possibilidades de se escapar da pena. O argumento era: "imagina se for o filho ou o parente de algum de vocês que, por acaso, em um ato impensado comete algum crime?!"

Hmmm. Imaginei. Se algum parente meu, ou se eu, ou se minha filha cometer um crime merece ser adequadamente julgado e, se for o caso, responsabilizado por ele. E não o fato de eu ter ou não dinheiro para pagar um advogado deve determinar se eu serei punida, ou não. Cadê a justiça? Cadê a lei? Cadê a ordem?? E se não há ordem, por que esperar que haja progresso???

segunda-feira, setembro 15, 2008

Bolsa de mulher


Bolsa de mulher sempre dá o que falar. Os homens não entendem o porquê de a gente necessitar levar tanta coisa para fora de casa e a gente se pergunta o mesmo quando tenta, inutilmente, encontrar o celular se estribuchando de tocar perdido em um dos 27 bolsilhos internos.

A despeito disso, o fato é que esse é um hábito difícil de mudar. Melhor dizendo, esse é um hábito que EU não pretendo mudar.

Pensando no assunto, achei por bem fazer um inventário do que não pode faltar na minha bolsa, para que eu não acabe deixando algo para trás:

- carteira com documentos, um cartão de débito e um de crédito e um mínimo de dinheiro - para, em caso de acidentes, eu ser identificada e, em caso de uma necessidade urgente de consumo, não fique a ver navios;
- um batom rosado e outro marrom (para adequar ao tom da roupa);
- delineador e lápis de olho, para quando estiver com cara de defunto no meio do dia;
- um frasco de creme hidratante (porque moro em Brasília);
- chave de casa (porque já fiquei muitas vezes trancada do lado de fora. A pior foi quando tinha viagem marcada e acabei perdendo o vôo);
- chave do carro (em chaveiro separado, para não correr o risco de perder as duas);
- um tablete de comprimidos para cólicas e outro para dor de cabeça (porque infelizmente os necessito com relativa freqüência);
- escova, pasta de dente e fio dental (porque gosto de beliscar alguma coisa no meio da tarde);
- um pacote de halls (azul ou vermelho ou ambos) e um tablete de trident (porque gosto de mastigar alguma coisa no meio do trânsito);
- algum chocolate (porque morro de medo de passar fome no meio de alguma coisa, ou de algum lugar e porque posso ser acometida por uma vontade súbita e incontrolável do doce dos deuses);
- um estojo com caneta de várias cores, lápis, borracha e apontador, porque posso precisar anotar algum recado;
- computador de bolso, para anotar despesas pessoais, gastos com gasolina, e, eventualmente, ser lembrada de alguma tarefa ou aniversário;
- documento do carro (porque a lei me obriga);
- crachá (porque as normas da minha empresa me obrigam);
- um pente largo de madeira (dispensa explicações);
- um prendedor de cabelo (porque se saio com ele solto, não suporto por muito tempo);
- absorvente íntimo - interno e externo - porque nunca se sabe quando se pode precisar (ou quando uma amiga pode precisar);
- celular (ufa, quase que esqueço dele! Bem, na verdade às vezes esqueço mesmo, ou deixo no silencioso o que deixa toda a família com os cabelos em pé).

Bem, acho que agora já posso sair de casa. O problema é quando resolvo trocar de bolsa!

sábado, setembro 13, 2008

Ipês brancos

Nessa época de estiagem aqui em Brasília os ipês são um espetáculo à parte. Os amarelos, que este ano floriram mais tarde, já se foram. Essa semana levei um susto ao ver que os brancos estavam ali, numa sequência de vida e balanço entre as ruas de puro asfalto.

No ano passado esperei para fotografá-los no fim-de-semana e quando cheguei lá não havia sequer uma flor para servir de modelo. Todas já se haviam ido, sem preocupar-se com despedidas. Dessa vez não iria dar bobeira. Nem os prazos para almoço com os pais, retorno ao trabalho, pausa para pegar o óculos da filhotinha que havia ficado pronto seriam empecilhos para a minha jornada. Mudei o rumo do caminho, estacionei onde dava e busquei o melhor ângulo.



Não satisfeita, me dirigi à rua sob o viaduto para vê-los melhor. Parei num canto e pude vê-los de perto, olhar o contraste com o céu azul e assistir ao desfile alvoroçado das pétalas que caíam ao ritmo do vento e já começavam a se amontoar cobrindo o cimento de um macio e sedoso branco neve.





sexta-feira, setembro 12, 2008

Ontem sonhei que estava grávida


Gravidez e maternidade são dois temas bem complexos que fogem dos usuais clichês que costumam defini-las e que habitam o imaginário feminino e masculino.

Ontem sonhei que estava grávida. Assim, de repente. Não me lembro do contexto, apenas da sensação de invasão que me dominou e me fez reviver minha primeira gravidez.

É estranho emprestar o nosso corpo para outro poder desenvolver-se e viver. Exige muita disponibilidade, muita generosidade. É um ato de doação cuja magnitude só encontro similaridade em quem doa um órgão para um ente amado, com as diferenças e ressalvas óbvias entre os dois processos.

Me lembrei de todas as mudanças físicas e das sensações (desagradáveis) que me evocaram. Enjôos, azias, queimações, inchaços, cãimbras fizeram parte do meu cotidiano por vários daqueles nove meses. Por mais que, de maneira geral, tenha curtido muito minha gravidez - sentir e ver pelas ecografias a minha filha crescer dentro de mim, os dedinhos formarem-se, o coraçãozinho bater acelerado, conversar com ela nos engarrafamentos da vida ou na poltrona que usaria para amamentá-la por vários meses, escutar juntas as músicas que até hoje gostamos de ouvir... - não posso afirmar que tenha sido fase de puro prazer. Seria pura e leviana mentira.

Era minha individualidade que estava em jogo. Tudo o que mais prezo, lado-a-lado com a minha liberdade. Os meus desejos transformados, o humor afetado, o esforço para manter a sensatez e analisar as situações com um mínimo de serenidade antes de ter uma reação desbaratada, como numa TPM potencializada e constante. Libido sobe, libido desce, te quero agora, não te quero agora, te quero muito, acho que não te quererei nunca mais... pobre marido que tinha que compreender, aceitar resignado e esperar paciente pelo momento ideal de fazer a coisa certa... Quem era aquela?? Quem estava em controle?... Como é difícil para mim não ter o controle... pelo menos sobre mim mesma!!.. sobre o meu próprio corpo... a única coisa que é indubitável e legitimamente totalmente minha...

E o parto?? Ah, o parto.. aquele para o qual me preparei com mentalizações, aulas de hidroginástica, exercícios do assoalho pélvico e que tinha certeza seria natural, tranqüilo e praticamente indolor.. Ledo engano... Cheguei ao hospital, com contrações de 5 em 5 minutos, após quase seis horas de contrações ainda suportáveis, mas já chegando ao limite do que eu esperava, imaginava já estar com uns 5 cm de dilatação. Quando a médica fez o toque e me disse, sem piedade, que eu estava com 1 cm de dilatação, tive vontade de dar-lhe um soco e mandar que enterrasse seu diploma num buraco bem fundo, mas isso não me adiantaria de nada. Aliás, eu nem tinha força para dar soco algum. Então me resignei e, caminhando feito uma anciã aleijada, me dirigi acompanhada do meu fiel escudeiro, o MariDoulo. O MariDoulo me abanava quando sentia calor, me ajudava a ir ao banheiro, a subir na cama, descer da cama, massageava minhas costas quando eu pedia para socá-las porque a dor parecia que me iria partir ao meio e eu iria sobrar tronco prum lado, pernas para o outro e uma bacia quebrada que não poderia contar a história.

Há quem diga que não há dor no parto, que são sensações que toda mulher deveria experienciar. Eu também acho que as mulheres devem experimentar essa sensação. Mas que é dor, ah isso é! Pelo menos no meu único caso foi. Em inglês existe um termo para definir esse tipo de parto, cuja dor se sente sobretudo nas costas e é muito intensa, segundo os relatos (que eu ratifico!), que é "back labor" (não confundir com "black label", que é bem mais suave e produz sensações bem mais divertidas, embora em termos de resultado, não chegue aos pés, ainda que a ressaca seja bem semelhante!!)

Bem, após essa digressão e voltando à história, após outras cinco horas, injeção de ocitocina, massagem nas costas, exercício respiratório, agacha e levanta, gemido prá lá e gemido prá cá, deita de um lado e de outro, bolsa rompida, líquido amniótico com mecônio, opta-se por fazer uma cesárea - por segurança e talvez por cansaço, também. Pedi pinico! E apesar de uma certa frustração por não ter o esperado parto normal, não posso negar que, após o segundo seguinte daquela anestesia milagrosa, senti-me adentrar no paraíso e cumprimentar todos os anjos e arcanjos um-a-um.

Ver o rostinho dela foi maravilhoso. Ficar três horas sozinha recuperando da anestesia e da noite em claro também foi. Amamentar era como um milagre, sentir a insegurança de não saber se ela estava sendo bem alimentada era um martírio. Pegar na sua mãozinha enquanto via ela mamar era com um sonho, sentir a dor dos mamilos que rachavam pela pega inadequada não teve a menor graça.

Por isso me irritam as generalizações. Não há nada todo bom ou todo mal. Ou se há, não necessariamente o é para todos. Ou todas...

domingo, agosto 31, 2008

Meu primeiro (e provavelmente último) post culinário

Muitos dos blogs que visito são de mulheres prendadas que, além de seus múltiplos talentos culturais, científicos e literários, compartilham receitas testadas e aprovadas e devidamente registradas por suas sempre atentas máquinas fotográficas. Eu, que só vou a cozinha para beber água e roubar algo (pronto!) da geladeira (entre cozinhar algo e ficar com fome, sempre opto pela segunda alternativa), me renderei e colocarei aqui o link de uma receita, que não foi testada por mim, claro, mas que, definitivamente, me convenceu. Ademais, é bastante simples de ser seguida e tem origem chinesa, o que é bastante oportuno nesse mês em que estivemos tão ligados em todas as suas tradições, cultura e história.

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Falando de comida e humor, não podia deixar de fora esses caras, cujos nomes não consegui identificar, mas que estiveram no Programa do Jô e são muito bons. Vale a pensa ver!

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Chove, chuva

Os pingos começaram tímidos, nessa noite de sábado. As nuvens já vinham se amontoando desde cedo. Embora a meteorologia houvesse avisado, os mais céticos não acreditavam que veriam chuva antes de setembro. Tudo bem que já fazia mais de quatro meses que a terra andava seca, os medidores de umidade batiam na casa dos 13% e as narinas e gargantas já trabalhavam no limite da possibilidade. Ainda assim, foi uma boa surpresa causada por uma frente fria que veio do sul. Hoje, neste domingo em que pretendíamos curtir um clube com os primos, houve mais fartura e a água correu mais solta. Fez até poça! Mas as coisas não continuarão assim. Serão nuvens passageiras. Logo devemos ter mais uma quinzena seca, para aí então vermos o planalto inundar-se.

Céu azul, terra seca, já 'te echo de menos'!

terça-feira, agosto 26, 2008

Cada um tem o representante que merece

Estava passeando no site da Câmara Legislativa do Distrito Federal e me deparei com nomes totalmente novos para mim. Fiquei surpresa em conhecer alguns dos meus representantes na Casa das Leis. Fiquei impressionada ao visualizar, na prática, o que as atuais normas eleitorais são capazes de produzir:

- Deputado Batista das Cooperativas - PRP (Partido Republicano Progressista) - Que tal esse nome, hein?

Só não superou o simpático
- Deputado Pedro do Ovo - PMN (Partido da Mobilização Nacional). Me identifiquei totalmente com esse. Tornou-se meu favorito. Acho que agora só vou dirigir a ele minhas queixas e sugestões.

Tudo bem, encontrei também nomes de velhos conhecidos, como Benício Tavares, já no quinto mandato e muitas condecorações e projetos de leis aprovados. Não lembra? É aquele cuja cadeira de rodas não foi empecilho para estar em um barco cheio de meninas que se prostituíam, numa pescaria apimentada, no meio do rio Negro.

Também encontrei lá sobrenomes conhecidos - Jaqueline e Paulo Roriz. O mesmo daquele senhor que governou o DF por três vezes e que depois teve que largar o mandato de senador, por causa de uma confusão com um cheque emprestado, lembram? Ah, era quantia pouca, já esqueci também...

Rapidinhas da cidade

- A seca

A seca mais uma vez está maltratando os brasilienses. À noite acordo pelo menos duas vezes para beber água e não há toalha molhada, bacia d'água ou umidificador de ar que dê jeito nisso. Por outro lado, o céu está cada vez mais azul, os ipês incrivelmente amarelos e já sinto uma antecipada nostalgia ao pensar que daqui a um mês essas paisagens serão substituídas por outras bem menos coloridas.

- Os novos ônibus

O governo do GDF tem alardeado por todos os meios e mídias a nova frota de ônibus com acesso apropriado para caderantes (finalmente!). Hoje passei ao lado de um deles, na saída do trabalho. Não havia espaço para uma bailarina esquálida, muito menos para uma cadeira de rodas!

- A gestão eficiente da Câmara Legislativa

Infelizmente, as Casas Legislativas não tem sido exemplo de idoneidade, moralidade, eficiência ou qualidade. Os representantes da capital federal não têm-se mostrado muito diferentes. Aliás, em grande parte, talvez estejam superando a média. Mas recentemente, eles têm-se gabado de fazer uma gestão eficiente (pensei que isso fosse obrigação, obediência à constituição federal). Parece que andaram economizando. 100 milhões segundo as propagandas espalhadas nos para-brisas de táxis, pontos de ônibus e difundidas pelas rádios. 100 milhões que, segundo um cartaz, possibilitaram a construção de não sei quantos centros de saúde, em outro, a continuação das obras do metrô e, num terceiro, representaram mais escolas públicas para os cidadãos candangos. Eta dinheirinho que rendeu!!

quinta-feira, agosto 21, 2008

Perguntas que não querem calar

Por que os brasilienses...

- não dirigem na pista da direita e deixam a esquerda para ultrapassagem?
- não dão seta antes das curvas ou de mudança de faixa?
- bloqueiam, insistentemente, os cruzamentos?

quarta-feira, agosto 20, 2008

Decisões amorosas de uma filhotinha

Esses dias, num sábado de manhã, enquanto escovávamos os dentes, a filhotinha de 7 anos nos surpreendeu, ao comunicar a iminente tomada de uma decisão muito importante:

- Mãe, acho que eu vou falar pro M. que eu não quero mais namorar com ele.
- É filha!? Respondo após um breve instante sem ar. Em seguida, morta de curiosidade de saber as razões que levariam ao fim desse relacionamento que dura mais de ano, pergunto forçando um tom de naturalidade - Por quê?
- Por dois motivos. (quanta racionalidade numa criatura tão pequena! Quem me dera ter metade dessa clareza!) Primeiro, porque a gente quase não se encontra (putz, justamente o motivo pelo qual esse "namoro" mais me agradava! Ele mora do outro lado da cidade e umas três vezes ao ano vem visitá-la) e segundo porque ele é mais baixo que eu.

Pausa. Que há para se comentar após duas razões tão plausíveis e relevantes??

quarta-feira, agosto 13, 2008

Inés del alma mía

Estou numa fase Isabel Allende. Essa mulher que tão bem escreve sobre a força do feminino, o metafísico e o real, sobre a influência da cultura latina sobre o que somos, sentimos e o modo como enxergamos a vida e nos relacionamos, e que tem uma história de vida tão incrível e dramática realmente tem me conquistado.

Acabei de ler um livro relativamente recente (2006), que uma amiga fez o grande favor de me emprestar e sugerir a leitura. Inés del alma mía (título em espanhol) conta a história de Inês Soares e sua fantástica vida, no século XVI, quando partiu da Espanha a fim de procurar o marido militar que partira pro Novo Mundo. Passou pela Venezuela e Peru e acabou participando da conquista do Chile junto com seu grande amor.

Foram quatro anos de pesquisa bibliográfica para a confecção do livro, narrado sob a perspectiva de Inês, que em seus últimos dias escreve esse relato para deixar para sua filha, numa mistura de ficção e história.

Dentre as tantas coisas que me fizeram mergulhar no livro, quero destacar três pontos que me fizeram pensar um bocado. Um refere-se ao tempo e como as inovações tecnológicas, sobretudo na área das telecomunicações, realmente mudaram nosso referencial temporal e toda a maneira como vivemos e lidamos com ele(eles levavam até três anos para enviar uma comunicação para o Rei na Espanha e receber uma resposta de volta - isso a custa de muitas vidas!! Dá para imaginar??). Outra é a coragem e a incerteza. O que movia homens e mulheres a largarem o seguro, o conhecido e entrar numa embarcação duvidosa, encarar meses de uma viagem que causava a morte a muitos e aventurar-se em um local totalmente desconhecido e arisco?? E, por fim, a guerra e a tortura. Será a guerra, a violência inerente ao ser humano, particularmente ao homem? Existirá realmente um prazer supremo na violência extrema? Senão por que homens arriscariam suas vidas por uma causa que não era a sua? Senso de dever somente?

Bem, para quem gosta de um bom épico com muito romance e aventura é uma boa pedida.

sábado, agosto 09, 2008


Na última quarta tivemos outra edição do 'Poesia no Jardim da Filosofia', com Viviane Mosé, que desta vez recebeu a M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A Elisa Lucinda.
Assim, em maiúsculas, em partes, porque para estar com ela tem que ser com calma, para ouvir cada suspiro de palavra.
Mulher, em toda a acepção da palavra, poderosa, brava e guerreira.
Linda Elisa Lucinda, toda minha admiração por você!!


Aviso da Lua Que Menstrua
Elisa Lucinda

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
Cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
Às vezes parece erva, parece hera
Cuidado com essa gente que gera
Essa gente que se metamorfoseia
Metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
E ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
Mas é outro lugar, aí é que está:
Cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
Que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
Transforma fato em elemento
A tudo refoga, ferve, frita
Ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
É que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
É que tô falando na "vera"
Conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
Delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
Ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
Já se alcança a "cidade secreta"
A atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
Cai na condição de ser displicente
Diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
Que a mulher extrai filosofando
Cozinhando, costurando e você chega com mão no bolso
Julgando a arte do almoço: eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
Tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
Então esquece de morder devagar
Esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
Chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
Vaca é sua mãe. de leite.
Vaca e galinha...
Ora, não ofende. enaltece, elogia:
Comparando rainha com rainha
Óvulo, ovo e leite
Pensando que está agredindo
Que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!


(LES DEMOISELLES D'AVIGNON - Pablo Picasso - 1907)

segunda-feira, agosto 04, 2008

Arrumando a casa

Nossa, quanto tempo sem vir aqui!! Passamos uns dias viajando. Fomos conhecer o mais novo membro da família e levar os primos para brincar na casa da avó. A filhota queria ficar lá até outubro. Segundo ela, aí sim, poderia aproveitar a vida. Concordo em gênero, número e grau. Se tivesse três meses de férias no meio do ano e
mais dois no final - ou vice-versa - aí sim, poderia aproveitar a vida!
Todas as crianças adoeceram e esse 'aproveitamento' deixou um pouco a desejar, mas tudo bem, faz parte!

Desde o nosso retorno, há quatro dias, estou arrumando a casa. A impressão é que foram quarenta!

A segunda parte da mudança chegou. Tenho desembalado caixas, selecionado o que deve ser dado, guardado, desprezado e arrumado tudo nos armários que já estão disponíveis. Meu sonho de consumo tem sido um gênio da lâmpada ou uma fada madrinha, mas nenhum dos dois apareceu por aqui então não nos restou outra opção a não ser colocar as mãos na massa mesmo.

Nesse período de tempo, temos observado fenômenos aritméticos muito interessantes por aqui. Se tivesse vocação científica certamente me deteria a estudá-los:

- subtração: na matemática tradicional o resto é sempre menor que o minuendo e subtraendo. Aqui, a conta tem se mostrado diferente. Há uma quantidade X de poeira pela casa, todo dia ela é total ou parcialmente removida. Ao final, incrivelmente, aparece mais poeira.

- multiplicação: A multiplicação celular ou a reprodução são eventos típicos de todos os seres vivos. Por aqui, temos observado acontecimentos semelhantes também em seres não-vivos, o que tem sido bastante assustador, a bem da verdade. Por mais que desembalemos e esvaziemos as tais caixas de papelão, no dia seguinte sempre aparece mais, com mais e mais coisas. Nossa primeira hipótese é que durante a noite elas se aproveitam de nosso sono e se reproduzem como Gremlins.

- potencialização: se antes tínhamos um índice X de visualização da sujeira, hoje com os materiais que optamos para utilizar, temos X a terceira ou a quarta potência. Se alguém está pensando em colocar piso branco no chão da cozinha, já adianto que é uma péssima idéia. Coisa de arquiteto que não faz almoço em casa. Ou pelo menos não limpa a lambança depois.

A despeito disso, estamos bem felizes e satisfeitos na nossa nova casa velha! Todo trabalho tem compensado!

sexta-feira, julho 25, 2008

Os Paralamas vão tocar na Capital... junto com Titãs e Frejat

Sábado passado fomos assistir ao show de Paralamas e Titãs, comemorando seus 25 anos de estrada e recebendo no palco o não menos estrela, Frejat.
Foi muito legal ouvir, dançar, pular aquelas músicas que embalaram a nossa história, há tantos anos, quando éramos outras pessoas, pensávamos outras idéias, tínhamos outros planos, sonhos e paixões.
Fui eu e meu marido. Há 25 anos nem nos conhecíamos. Hoje temos uma filha de sete anos que havia ido dormir na casa da prima.
Revivi em memória aqueles dias de efervescência do rock brasileiro na década de 80, em que Brasília era palco de tantas festas e comemorava tanta gente boa fazendo sucesso em âmbito nacional. A cada semana íamos a um show - Blitz, Lulu, Ultraje, RPM (ah, o RPM!!), Zero, Engenheiros, Kid Abelha, Miquinhos, Barão, Leo Jaime, Lobão, Camisa de Vênus, Ira, Capital Inicial, Plebe Rude... e por aí ía... O show legendário do Legião, no estádio Mané Garrincha lotado, interrompido após Renato Russo surtar com uns panacas que jogavam latinhas no palco. A galera pirou, teve vaia, briga e a polícia montada que chegou a passar por cima de algumas pessoas da platéia insandecida que tentava sair assustada, empurrada e pisoteando uns aos outros. Foi uma loucura!
Agora era diferente. Todo mundo muito mais comportado. Tinha uma garotada, mas muita gente de cabelo grisalho na platéia. Assim como no palco. Foi emocionante ver o Paulo Miklos pulando, horrorizando e sacudindo suas mechas brancas. Assim como o Herbert, com sua cicatriz imensa, arrepiando naquela guitarra tocada sobre quatro rodas. O Tony Belotto, sem comentários! Continua o mesmo. Eles se divertiam lá em cima. Pareciam trabalhar brincando. E a gente se divertiu junto com eles. Queriam que fosse um show histórico. Para mim, foi.
Amei quando tocaram Lanterna dos Afogados!!

quarta-feira, julho 16, 2008

Voltando prá casa



Estamos prestes a voltar para casa!!!
Isso deve acontecer nos próximos dias...
Quinta ou sexta... who knows??

Obviamente que isso não significa que a obra acabou.
Alguém, por algum acaso, chegou a cogitar isso num lampejo de pensamento?

Ainda haverá uns buracos onde supostamente estariam as esquadrias dos banheiros, que ainda não chegaram; uma lacuna emblemática no revestimento da parede da sala, que apesar de tão bem calculado, cismou em acabar antes do fim e deixar um vazio (obviamente que acabou também do estoque da loja e agora estamos esperando chegar um carregamento da Paraíba, pois só há um revendedor em Brasília!). Também não teremos mesa nem estante no escritório e muito menos local para minhas calças e sapatos, já que a marcenaria ainda não está pronta.

Os últimos dias foram os mais incríveis. Uma extraordinária ilusão de sentidos acontecia - quanto mais se aproximava o fim, mais distante ele ficava. O mestre de obras a cada dia prometia que em dois dias tudo estaria finalizado. Depois fiquei pensando, será que ele não trabalharia com um outro conceito de dia? Ou do numeral dois? Será que ele queria dizer "a couple of days", sabe-se lá quantos?!

Nesses últimos dias, enquanto acontecia a união de todos os profissionais no mesmo pequeno espaço do nosso apertamento e um dependia do trabalho do outro, a gente podia ver claramente a importância da gestão de projetos, do trabalho em equipe e da comunicação organizacional. E as conseqüências práticas da ausência disso tudo!
A equipe do vidro foi instalar o blindex e arranhou o piso do banheiro, que teve que ser, após posto, reposto. O pessoal que estava laqueando as portas estragou a pintura da parede e o cara do ar condicionado instalou o equipamento antes de a pintura ser finalizada. Então teve que voltar no outro dia, retirar o equipamento e depois instalar tudo de novo. Ah, sem contar o outro aparelho que era para ser centralizado sobre uma porta, mas que foi instalado "torto" porque o buraco tinha sido feito deslocado e ele "pensou" que era para ficar assim.
Mas o mais incrível se deu no pequeno quartinho dos fundos. Num dia removeram o piso e os rodapés. No outro, instalaram o novo piso. Iniciou-se a colocação dos rodapés. E aí... cadê os rodapés?? Uma parte deles sumiu!! Como assim??!!
Supõe-se que tenha ido parar no lixo ou em qualquer outro lugar bem longe dali...

Ah, não podemos reclamar! Pelo menos vamos voltar para nossa casa, onde o céu tem mais estrelas e as várzeas tem mais flores! O marido que resolveu deixar a barba crescer pela dificuldade de conciliar o ritual com a arquitetura do minúsculo lavatório já anunciou que vai voltar ao cavanhaque; a filha de férias só quer saber de reencontrar os amigos; a leal escudeira está retumbante com a idéia de lavar e secar as roupas dentro de casa e a patroa aguarda ansiosamente para tomar um banho de vinte minutos com ducha quente de descolar a pele, sem nenhum peso na consciência quanto ao gasto de água - já que acumulou crédito por dois meses e meio!!

Imagem: "Caminho de Casa"
(Tela de José Gonçalves Pereira Neto)

domingo, julho 06, 2008

Filhotinha em momento poético

Não sei se já contei aqui, mas adoro ler e adoro poesia. Logo, era muito natural que tivesse muita vontade que minha filha também curtisse isso. Foi muito legal quando eu encontrei um CD com as poesias do livro "Ou Isto ou Aquilo" (Cecília Meireles), que tanto li na minha infância, recitados pelo saudoso Paulo Autran. Foi uma surpresa como ela gostou de escutar. Logo depois, encontrei uma nova edição do livro e também comprei para ela. O resultado está abaixo.

Impossível não corujar!

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Leilão de Jardim

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O que eu queria ser quando crescer


Hoje, aos 36 anos, descobri o que gostaria de ser quando crescer.
Se algum amigo de papai ou mamãe fizesse essa original pergunta para mim, eu responderia sem titubear: quero ser poeta!
Ai, que vontade de ser poeta!!!

Se eu fosse poeta, meu céu teria mais nuances, eu poderia enxergar de olhos fechados e sonhar de olhos abertos. Certamente seria capaz de cheirar mil aromas e ouvir o sonido de asas de borboletas. Faria poemas de engarrafamentos, crianças desnutridas e gente desrespeitada. Minha vida teria mais cor e eu seria mais feliz.

Mas não! Não ganhei esse dom. Sou prática. Olho a vida como ela é. Sem lirismo algum.

Hoje saí para dar uma caminhada. O céu estava azul e tinha algumas nuvens. Estava calor e tinha uma brisa agradável. Uma lagartixa cruzou meu caminho. Na segunda volta, duas lagartixas cruzaram meu caminho. Nossa! Se eu fosse poeta, isso me renderia versos incríveis!!
Mas não sou.

Acho que não há faculdade para ser poeta, embora existam grupos que incentivem a criação. Mas duvido um pouco da eficácia deles. Fico meio na dúvida se é possível tornar-se poeta. Tenho a impressão que se nasce ou se criam poetas, naquelas casas onde se respiram histórias e palavras são como quindins ou brigadeiros, saboreadas e devoradas a cada refeição.

Não se trata de técnica, métrica, ou rima, embora sejam elementos relevantes. Não se trata de ampliação vocabular e de estudos lingüísticos, embora sejam importantes. Trata de se ter coração, mente, olhos, mãos, bocas, narinas e ouvidos poéticos. Trata-se de enxergar, cheirar, ouvir... de maneira singular e colorida. Os olhos do poeta são capazes de ver trezentas vezes mais cores que os olhos dos outros humanos. Sua sensibilidade é mil vezes maior do que a média da humanidade.



Um poeta pode até sofrer com mais intensidade e profundeza, mas em compensação o resultado de suas dores é dança e música para os olhos, obras para a posteridade, consolo e alento para dores alheias. As dores dos poetas fazem mais sentido e são mais belas e produtivas.
Se minhas fossas gerassem algo de nobre, eu teria mais conforto e seria mais feliz.

Se pudesse, faria um curso para ser poeta.

Numa faculdade de poesia, algumas disciplinas seriam obrigatórias, como Contemplação da natureza; Amor, Paixão e Sexo I e II; Desilusões Amorosas; Auto-conhecimento; Rindo de si mesmo; Doença e solidão; Paz e guerra; Vida e morte; Desenvolvimento dos sentidos. Obviamente, que não bastariam aulas teóricas. A prática seria muito importante nessa formação. Estágio e trabalho de campo.

Para ser poeta, é preciso aprender a olhar para si e enxergar o que normalmente não se quer ver. É preciso aprender a pagar mico com naturalidade. É preciso compreender o patético humano e se resignar. É preciso amar e desamar, com paixão e com ardor, com intuição ,ao avesso e do avesso. É preciso enxergar as borboletas dos cemitérios e sentir o âmago da luz.

Para ser poeta, é preciso saber falar sobre tudo de outra forma. Por exemplo, poeticamente pode-se dizer que a saudade "é arrumar o quarto do filho que já morreu"* ou que a saliva "é a lágrima da alegria"**.
Para mim, saliva é cuspe e saudade é foda. Aprendi a dizer a vida da maneira simplória e fria como a vejo.

Se eu fosse poeta, veria a vida mais bonita, mais romântica, mais verdadeira. Saberia captar os tic-tacs dos relógios, sorveria cada detalhe do meu amado, perceberia cada gota de suor, cada pêlo eriçado, acordaria cantando todas as manhãs, faria rima do mau-humor, praguejaria com elegância.

Se eu fosse poeta, aproveitaria cada tristeza e cada alegria. Saberia ser triste e ser feliz.

Ah, que vontade de ser poeta!



* Chico Buarque (Pedaço de Mim)
** Fabrício Carpinejar (Ainda é, mesmo quando já foi. O Amor Esquece de Começar. Ed. Bertrand Brasil)

sábado, julho 05, 2008

Poesia no Jardim da Filosofia e Carpinejar

No último dia 2, fui ao CCBB, assistir ao 'Poesia no Jardim da Filosofia', apresentado pela filósofa, poeta, escritora e minha idola, Viviane Mosé. Ela recebeu o também poeta e escritor Fabrício Carpinejar, de quem imediatamente também tornei-me fã.

Foi paixão ao primeiro verso.

Anotei num talão de cheque as frases que conseguia, me emocionei com a força e a sensibilidade de suas palavras, quase chorei por ter que ir embora. Saí dali e fui direto à livraria comprar um livro dele. Escolhi um de crônicas - O Amor Esquece de Começar. Comecei a devorá-lo. Não em seqüência, porque não é livro que se lê assim. Ao acaso, aguardando a surpresa do que haveria para mim.

Amei o jeito que ele brinca com as palavras, que ele transmite amor e devoção a elas. Não se escreve assim sem amor e devoção.

Suas crônicas são poemas escorridos. Deve-se lê-las como se lê poesia. A sós, quase sem respirar, lentamente, aproveitando cada linha.

Fabrício é engraçado e fala do cotidiano. É maravilhoso e tornou-se meu novo ídolo.
Quem quiser conhecê-lo, não perca seu blog.

segunda-feira, junho 30, 2008

Dilemas de mãe

Um dos meus maiores dilemas femininos hoje é conseguir administrar carreira e maternidade.
Infelizmente essas duas coisas tão importantes na nossa vida nos dias de hoje cismam de acontecer ao mesmo tempo. Seria legal se nossa carreira começasse efetivamente aos 50, ou quando nossos filhos completassem 18 anos. Ou quatorze anos, pelo menos. Poderíamos trabalhar dos 50 aos 80 e reservar os anos anteriores para cuidar da família! Tipo assim, o governo nos sustenta antes e a gente sustenta o governo depois!
Há duas semanas recebi um convite para ocupar um outro cargo. Posso considerar como uma espécie de promoção. Depois de um intenso conflito, aceitei. Nem tanto pelo cargo, mas talvez pela confiança que deposito nesse diretor que me convidou e nos projetos que têm para o futuro.
Uma coisa que ele me garantiu é que as reuniões nunca passam do meio-dia e nem das 18h30, o que me deixou mais tranquila. Mas mesmo assim, será que o tempo que passo com ela, ainda que eu tente encher de qualidade, é suficiente?
Será que no futuro me arrependerei por ter dedicado ao meu trabalho e aos meus estudos tempo e energia que eu deveria ter guardado para ela?
Como saber se estou fazendo o certo?

À minha filha

Filha, minha querida, sinto meu coração apertar quando penso em você. É tanto amor, tanta alegria que não poderia te explicar. Você só compreenderá quando tiver seus próprios filhos, disso não tenho dúvida.
Hoje você tem 7 anos e o tempo voa. Até você acha isso. E olha que quando eu era criança sentia o tempo de outra forma, parecia se arrastar.
Há pouco você cabia no meu colo e trocava o 'r' pelo 'l'. Hoje você quase calça o meu número, expressa seus desejos com clareza e propriedade e joga video game com maestria que nunca terei.
Enquanto você cresce, vai às aulas e brinca com seus amigos, eu vou ao trabalho, às aulas de espanhol, cuido da casa, estudo. Estamos juntas um pouquinho de nada pela manhã e na hora do almoço e um pouco a mais à noite e aos fins-de-semana.
Esse é um padrão 'natural' para você ou será que gostaria que tivéssemos uma outra rotina?
Você é feliz?
Considera-se verdadeiramente amada?
Sente falta de algo?
Preciso saber antes que seja tarde demais!!
...
Amo você com tudo o que sou!! Não se esqueça disso.

domingo, junho 29, 2008

Pensamentos de uma noite insone



Às vezes olho para mim e não me reconheço.
Não sei quantas vezes já disse isso.
Tenho dúvidas sobre meus quereres e meus motivos de alegria.
Ou minhas causas de tristeza, ou tédio. Ia dizer desespero, mas seria uma palavra equivocada. Não me desespero.
A falta de desespero talvez seja a prova inconteste do marasmo.
Que talvez se confunda com a desesperança,
com a ausência, com o despropósito, o vazio, o nada.
Tenho medo do nada!
Houve um tempo em que já quis tudo. Já desejei tudo. Já pude tudo.
Mas esse tempo passou.
Estou além e virei a esquina.
Sinto um vento a balançar meus cabelos e um frio na espinha.
Uma neblina úmida e a vista turva.
A cabeça dói e o peito aperta.
Quero chorar mas não consigo.
Queria um remédio para dormir.
Uma pílula que aliviasse tudo que houvesse de ruim, que me levasse para longe e me pousasse nas nuvens.
Queria uma música para entoar a minha vida e acalmar o meu espírito.
Um som que fosse profundo e verdadeiro. (mesmo que descontínuo ou desritmado)
Hoje não quero ritmo.
Hoje quero paixão...



Imagens:
1) Espelho Falso, René Magritte, 1928
2) Le tombeau des lutteurs, René Magritte, 1960

sábado, junho 28, 2008

Brasília em junho

Iniciada a temporada da seca. Já são quase ou já dois meses sem chover. Os céus andam lindos, os dias também. Não me canso de repetir: amo Brasília seca!!!

É tempo de ir ao clube com as crianças e exultar os dias





É tempo de contemplar o pôr-do-sol, ainda que no meio da rua





É tempo de admirar as flores, exuberantes e coloridas



É tempo de curtir a lua, tambem durante o dia



É tempo de festas juninas



Nem tudo são flores, nem amores. Também é tempo de padecer...

A vida necessita de pausas



Sinto que é hora de tirar férias quando:

- começo a ficar sem paciência com as pessoas e acontecimentos;

- vou ao mercado comprar carne, lembro de comprar toddynho, biscoito recheado, jujubas, Guia 4 Rodas 2008 e esqueço a carne;

- vou devolver o filme na locadora e quando chego à loja percebo que esqueci de levar o DVD;

- vou pegar a filha na escola e me dou conta já estou chegando em casa (sozinha!);

- vou trabalhando até mais tarde por preguiça de levantar e ir embora;

- em vez de preparar a aula que irei ministrar fico pesquisando roteiros turísticos;

- começo a sonhar acordada que estou na praia comendo ostra e tomando cerveja*;

- passo as reuniões desenhando obsessivamente figuras geométricas;

- fico imaginando um mundo em que todos os dias são domingo;

- começo a invejar a vida dos cachorros da minha mãe
...

Em breve, muito em breve, farei minha merecida pausa...

* Não curto ostra nem cerveja, minha cachaça é coca-cola...