quinta-feira, julho 19, 2007

Sobre morrer

Há no senso comum uma idéia de que a morte boa é a morte serena, a morte no sono.
Penso um pouco diferente.
Se pudesse escolher uma forma de morrer, escolheria ser metralhada.
Uma bala em cada ponto de dor e sofrimento que houvesse em meu corpo.
Seria rápido, pois odiaria morrer aos poucos, definhar, sofrer em longos capítulos.
Se pudesse escolher uma idade para morrer, escolheria o auge de minha vida.
Como um atleta que larga o esporte após a conquista de um título importante e segue lembrando e lembrado por seu ápice.
Odiaria enxergar minha própria decadência.
Se pudesse escolher um estado de alerta para morrer, escolheria a plena consciência até o último suspiro.
Odiaria viver meu último segundo sem saber que seria último, sem escolher um pensamento ou uma lembrança.
Se pudesse escolher uma companhia para morrer, escolheria estar sozinha.
Odiaria enxergar o meu fim no olhar de alguém querido.
Se pudesse escolher uma hora para morrer, escolheria logo após o pôr-do-sol.
Odiaria perder o último raio de luz do derradeiro dia de vida e, porque não dizer, preferiria não ver a escuridão.

Se pudesse escolher um dia para morrer, preferiria não fazê-lo.
Odiaria viver um dia inteiro sabendo que seria o último.
Se pudesse escolher entre morrer e não morrer, escolheria morrer.
Odiaria viver uma vida consciente de uma eternidade inóspita e sem objetivos.

Um comentário:

Flávia disse...

Não sabia que você pensava tanto na morte ! Se eu pudesse escolher, iria querer que você não morresse NUNCA.

Só sei que prefiro não morrer numa grande catástrofe, porque ter os 15 minutos de fama e não poder aproveitá-los é o fim.

Beijinho,
Flávia.